Torneira: Mobilização pela Água - Projeto une performances, música e debates sobre água em São Paulo
Iniciativa gratuita do coletivo (se)cura humana reúne rodas de conversa, ações artísticas, encontros musicais e mutirões para discutir regeneração urbana
Foto: Divulgação
Há uma torneira pública na Travessa Roque Adóglio, na Vila Anglo Brasileira, abastecida por uma nascente que continua existindo sob o concreto e asfalto de São Paulo. Em um momento em que o acesso à água, a crise climática e a gestão dos recursos naturais ocupam o centro das discussões sobre a cidade, esse pequeno ponto de abastecimento se transforma em espaço de encontro e mobilização com o evento Torneira: Mobilização pela Água, projeto gratuito do coletivo (se)cura humana. O local recebe rodas de conversa, ações artísticas, encontros musicais e mutirões que articulam arte, meio ambiente e participação comunitária.
A programação transforma a travessa em um espaço de encontro entre pesquisadores, artistas, ambientalistas, lideranças indígenas, movimentos sociais e moradores, propondo reflexões sobre regeneração urbana, retomada dos rios de São Paulo, direito à água e à cidade, justiça socioambiental, agricultura urbana e regeneração de territórios. O encerramento, em 5 de setembro, marca a reinauguração da torneira da Travessa Roque Adóglio, que receberá melhorias construídas coletivamente ao longo do projeto.
Foto: Divulgação
Mais do que um evento, Torneira: Mobilização pela Água nasce de uma prática contínua do coletivo (se)cura humana, fundado em 2015 pelo geógrafo e pesquisador Wellington Tibério e pelo videoartista e performer Flavio Barollo, que há anos desenvolve intervenções urbanas capazes de tornar visível o potencial hídrico da cidade. Além da instalação da torneira pública, dentre outras ações, criaram o Lago da Travessa Roque Adóglio, o happening Parque Aquático Móvel, que leva água limpa de nascentes para banhos coletivos em pleno asfalto, e a instalação Rio Paralelo Tamanduateí, apresentada no Sesc Dom Pedro II durante a mostra Jardinalidades.
A escolha da Travessa Roque Adóglio não é casual. Desde 2017, uma coletividade de artistas e moradores do bairro, vem transformando a realidade daquela viela com ações e instalações artísticas, plantios e eventos comunitários diversos. E além disso, próximo ao local, foi identificada uma nascente que abastece uma torneira pública utilizada diariamente por pessoas em situação de rua e alimenta um pequeno lago com peixes e plantas aquáticas. Sob o seu piso também corre o Córrego Água Preta, um dos muitos rios ocultados pelo processo de urbanização paulistana.
Programação:
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1º de agosto | Sábado
Encontro 1 | Árvores e Regeneração Urbana
15h – Abertura do evento, chegada e ativação do espaço.
16h – Roda de conversa Árvores como infraestrutura climática, corredor verde, desimpermeabilização, umidade, sombra, plantio urbano e cuidado comunitário do território. Com Daniel Werá (artista visual da Aldeia Pindó Mirim), Claudia Visoni (empreendedora socioambiental, jornalista, ambientalista e agricultora urbana) e Nik Sabey (fundador da iniciativa Novas Árvores por Aí). Mediação de Flavio Barollo (artivista socioambiental, cofundador do coletivo (se)cura humana e mestrando no Diversitas/USP).
18h – Apresentação artística Corpo-Árvore, com o coletivo (se)cura humana.
Sinopse: A última árvore é encontrada despedaçada. Sobreviventes do colapso ambiental tentam fazê-la reviver por meio de aparelhos tecnológicos para que ela cumpra a vital função de umidificar a vida. Será possível recriar os rios voadores? A invenção dessa árvore-máquina conseguirá nos redimir? A performance estreou no Sesc Pompeia em 2023 e passou pelo Sesc Pulsar, no Rio de Janeiro, pela Ocupação 9 de Julho e pelo Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto 2026.
Após as atividades – Chamado para mutirão.
8 de agosto | Sábado.
Encontro 2 | Retomada dos Rios de São Paulo
15h – 99 anos da Vila Anglo. Exposição de obras de Roque Adóglio, com Leandro Gatti.
16h – Roda de conversa Retomada dos rios de São Paulo, rios urbanos, memória territorial, nascentes, Bixiga, Vila Anglo e imaginação política da cidade. Com José Bueno (arquiteto, urbanista social e diretor do Instituto Rios e Ruas, iniciativa dedicada a revelar rios e nascentes ocultos na cidade), Marília Piraju (arquiteta, urbanista cênica e diretora de arte do Teatro Oficina. Atua na construção e defesa do Parque do Rio Bixiga) e Vini de Souza (permacultor, músico e articulador ligado ao Parque da Jóia) Mediação de Wellington Tibério (professor de Geografia, músico, cofundador do coletivo (se)cura humana e doutor em Geografia pela USP).
18h – Apresentação artística Corpo-Árvore, com o coletivo (se)cura humana.
22 de agosto | Sábado.
Encontro 4 | Água, Terra e Memória na Cidade.
15h – Jogo ativacidade, com A Cidade Precisa de Você.
16h – Roda de conversa Água, terra, memória, cidade, território vivo, vínculos, ancestralidade, rios urbanos e transformação ambiental. Com Jerá Guarani (agricultora e liderança Guarani Mbya da Terra Indígena Tenondé Porã), Laura Kemmer (cientista urbana e titular da Cátedra Martius USP/DAAD) e Janes Jorge (historiador ambiental e professor da Unifesp). Mediação de Wellington Tibério.
18h – Apresentação artística Salto no Vazio, com Odacy Oliveira e Ritamaria.
29 de agosto | Sábado.
Encontro 5 | Água, Cuidado e Justiça Ambiental.
15h – Mostra de arpilleras das Mulheres Atingidas por Barragens, do MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens.
16h – Roda de conversa Água, cuidado, justiça socioambiental, ecofeminismo, atingidas por barragens, memória, luta, território e reprodução da vida. Com Ivone Gebara (freira católica, filósofa, teóloga feminista e referência em ecofeminismo no Brasil), Fábia Karlin (artista e pesquisadora, integrante do movimento da Travessa desde 2017) e Liciane Andrioli (militante do MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens), atua em defesa dos atingidos e atingidas por barragens. Mediação de Anahí Asa (multiartista, educadora, coordenadora do Bloco do Água Preta e gestora da Ori casafloresta na Vila Anglo).
18h – Encontro musical: (se)cura com água, com (se)cura humana e Samba de Preta Velha, com Palomaris.
Ação cênico-musical do coletivo (se)cura humana que transforma água, cidade e colapso ambiental em canto, presença e celebração pública. Canções de Zimbher e Felipe Chacon (direção musical), arranjos de Rodrigo Zanettini, vocais de Flavio Barollo e Luiza Abe. Ainda Felipe Julian, Matheus Caitano, Glauber Bento e Jackie Cunha.
Samba de Preta Velha de Palomaris celebra memória, ancestralidade e continuidade afro-brasileira. O repertório reúne músicas autorais, sambas tradicionais e clássicos, em diálogo com jongo, coco, congado, capoeira, bumba meu boi e ijexá. Uma homenagem às Pretas Velhas, aos orixás mais velhos e às matriarcas do samba.
5 de setembro | Sábado.
Encontro 6 | Água, Solo Vivo e Hortas Urbanas
15h – Reinauguração da Torneira. Doação de compostos da composteira do Condô Cultural.
16h – Roda de conversa Água, solo vivo, hortas urbanas, compostagem, soberania alimentar, cuidado cotidiano, agricultura urbana e práticas comunitárias. Com Silvia Adoue (professora da UNESP Araraquara e educadora da Escola Nacional Florestan Fernandes), Gabriela Leirias (curadora, educadora e pesquisadora com Jardinalidades e Poéticas da Terra) e Géssica Arjona (gestora cultural e idealizadora do Condô Cultural). Mediação de Felipe Chacon (trabalhador da cultura, diretor musical e idealizador do Instituto Formigueiro).
18h – Encontro musical (se)cura com água, com (se)cura humana e Banzeiro Derradeiro, com Zimbher.
Encontro musical de Carlos Zimbher em formato intimista de voz e violão, a partir do universo de Banzeiro Derradeiro, terceira parte da trilogia Ópera Urbe. Entre canções, narrativa e presença cênica, a apresentação atravessa temas como preconceito, fanatismo religioso, lutas de classe e as tensões da vida contemporânea.
Ficha técnica: Idealização – (se)cura humana e Ocupação Travessa. Produção – Corpo Rastreado. Apoio – Condô Cultural e Instituto Formigueiro. Realização – Governo do Estado de São Paulo e Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, em parceria com o mandato do Deputado Estadual Guilherme Cortez.
TORNEIRA: MOBILIZAÇÃO PELA ÁGUA
Datas: 1º de agosto a 5 de setembro
Horário: Sábados, 15h às 20h
Local: Travessa Roque Adóglio s/nº – Vila Anglo Brasileira, São Paulo
Ingressos: Gratuito
Classificação: Livre
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