Com humor e crítica ácida, "Sermão de Santo Antônio aos Peixes" toca em assuntos como desigualdade social e exploração econômica
Foto: Nil Caniné
De forma comunicativa e bem-humorada, além de uma ácida crítica à exploração dos povos indígenas e à ganância dos colonizadores, Sermão de Santo Antônio aos Peixes, texto de Padre Antônio Vieira, de 1654, ganha uma adaptação para os palcos e estreia no Sesc Pinheiros. A montagem conta com direção e dramaturgia de Moacir Chaves, que também está em cena com Márcio Vito, além da música ao vivo executada por Gustavo Corsi, responsável pela direção musical.
O espetáculo parte do Sermão de Santo Antônio aos Peixes, de Padre Antônio Vieira, considerado por Fernando Pessoa o "Imperador da Língua Portuguesa". No texto, os peixes são utilizados como metáforas para discutir a exploração do homem pelo homem, condenar a escravização dos povos indígenas e abordar temas como ganância, poder e corrupção. Em cena, dois atores e um músico apresentam o sermão por meio da interpretação, da música ao vivo e de recursos cênicos, revisitando um dos textos mais conhecidos da literatura em língua portuguesa.
Foto: Nil Caniné
Pregado em 13 de junho de 1654, em São Luís do Maranhão, durante as celebrações de Santo Antônio, o Sermão de Santo Antônio aos Peixes foi escrito em meio aos conflitos entre colonos e jesuítas em torno da escravização dos povos indígenas. Três dias após a pregação, Vieira embarcou para Lisboa para solicitar ao rei D. João IV a adoção de medidas que garantissem maior proteção aos indígenas diante da exploração promovida pelos colonos.
Sua atuação junto à Coroa portuguesa contribuiu para a criação de medidas voltadas à proteção dos povos indígenas. Além da atividade religiosa, Vieira exerceu funções diplomáticas e políticas. Seus sermões funcionavam como instrumentos de intervenção pública, abordando temas relacionados à organização social, à política, à religião e às relações humanas. Produzida ao longo do século XVII, sua obra discute intolerância, poder, conflitos e comportamento social, questões que permanecem presentes no debate contemporâneo.
Segundo o encenador, o texto de Vieira articula elementos lúdicos e críticos para discutir contradições humanas que permanecem atuais. “O público daquela época aceitava Cristo, mas o problema era viver de forma cristã, abrir mão dos próprios privilégios e enfrentar a desigualdade social, que acaba atravessando a história”, conclui.
Foto: Nil Caniné
FICHA TÉCNICA | Texto: Padre Antônio Vieira. Direção, Concepção e Dramaturgia: Moacir Chaves. Elenco: Márcio Vito e Moacir Chaves. Composição e Música ao Vivo: Gustavo Corsi. Cenário: Sergio Marimba. Figurino: Inês Salgado. Iluminação: Aurélio de Simoni. Assistentes de Direção: Maria Clara Schwerdtner e Isis Pessino. Direção Técnica: Anderson Bispo. Fotos: Nil Caniné. Arte e Design Gráfico: Maurício Grecco. Assessoria de Imprensa: Renato Fernandes. Gestão e Conteúdo de Mídias: Sarah Marques. Produção Executiva: Flávia Primo. Produção: Ana Barroso e Monica Biel /BB Produções Artísticas.
SERMÃO DE SANTO ANTÔNIO AOS PEIXES
Foto: Nil Caniné
Temporada: De 16 de julho a 8 de agosto
Horário: Quinta a Sábado, às 20h30*
Local: R. Paes Leme, 195 – Pinheiros
Ingressos: R$ 50,00 (inteira) | R$ 25,00 (meia) | R$ 15,00 (credencial plena)
Duração: 60 min
Classificação: 14 anos
*Dias 31 de julho e 07 de agosto, sessões às 16h e às 20h30
Dias 31 de julho e 01 de agosto, sessões com tradução em Libras
Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade
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