Espetáculo "Volúvel", em estreia no Sesc Ipiranga revisita memórias de Serra Pelada e homenageia mulheres da Amazônia

Montagem inaugura um novo momento para o Corpo de Macumba, aproximando ancestralidade indígena, migração, território e pertencimento.

Volúvel

Foto: Tai Zatolinni

Entre memórias familiares, ancestralidade amazônica e investigação cênica sobre identidade e pertencimento, o espetáculo Volúvel estreia temporada no Sesc Ipiranga. Com dramaturgia e atuação de Jota Silva e direção de Venâncio Cruz, a montagem inaugura um novo momento da pesquisa desenvolvida pelo coletivo Corpo de Macumba, aprofundando questões relacionadas à experiência cabocla, à migração e aos modos de resistência construídos por mulheres historicamente excluídas dos registros oficiais.

O espetáculo nasce de uma memória íntima e ancestral: a história de Cabocla Conceição Maria, avó de Jota Silva. Nascida com uma deficiência física, cresceu cercada por práticas de cura transmitidas pelos saberes populares da floresta. O ritual realizado por seus familiares para tratar suas pernas ainda na infância, torna-se a imagem inaugural da encenação e o ponto de partida para uma investigação que articula memória pessoal, herança ancestral e processos históricos mais amplos.

Ao acompanhar a trajetória de Conceição Maria, desde sua vida no Norte do país até a passagem pelo garimpo de Serra Pelada, o espetáculo amplia o olhar para outras experiências compartilhadas por inúmeras mulheres caboclas da Amazônia e do Norte brasileiro. Mulheres responsáveis pela preservação de conhecimentos, pela sustentação de famílias e pela transmissão de saberes que atravessaram gerações, mas que raramente tiveram suas histórias registradas ou reconhecidas.

Em cena, fotografias ausentes, documentos fragmentados e lembranças familiares tornam-se matéria dramatúrgica para discutir os mecanismos de invisibilização que atravessam a construção da memória nacional. A partir dessas lacunas, Volúvel busca devolver presença e protagonismo a trajetórias frequentemente apagadas da história oficial.

A narrativa transita entre autobiografia, memória coletiva e pesquisa sobre a identidade cabocla, construindo um território poético onde experiências individuais se conectam a processos históricos e culturais mais amplos. Ao colocar essas mulheres no centro da criação, a montagem evidencia a importância de seus modos de existir, de seus sistemas de conhecimento, práticas de cura, espiritualidades e formas de resistência como parte fundamental da experiência brasileira.

FICHA TÉCNICA

Idealização: Corpo de Macumba
Direção: Venâncio Cruz
Direção de Movimento: Castilho
Dramaturgia e Encenação: Jota Silva
Sonoplastia: Carolina Mota
Iluminação: Bruno Cavalcante
Produção: David Costa
Contrarregragem: Luccas Caetano
Cenografia: Luccas Caetano
Figurino: Venâncio Cruz e Jota Silva

VOLÚVEL

Volúvel

Foto: Tai Zatolinni

Temporada: 24 de julho a 16 de agosto
Horário: Sextas, às 21h | Sábados e Domingos, às 18h30
Local: Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga
Ingressos: R$50,00 (inteira) | R$25,00 (meia) | R$15,00 (credencial plena)
Duração: 60 minutos
Classificação: 16 anos

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