Sesc Belenzinho recebe a exposição “Do pranto o oceano, e nadamos no amor”, de Zéh Palito

O mar rosa do artista ocupa a unidade com pinturas e intervenções que aproximam o público de temas como afeto, cultura popular, memória e pertencimento

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Zéh Palito | Foto: @youknowmyface

Um mar rosa toma conta do Sesc Belenzinho a partir de novembro. A exposição Do pranto o oceano, e nadamos no amor, de Zéh Palito, apresenta em São Paulo um conjunto de 23 pinturas, obras inéditas e intervenções especialmente concebidas para os espaços da unidade, incluindo uma escultura feita com um carro na entrada do Sesc, uma intervenção de 12,5 metros de altura no vão do prédio, a ativação da escultura inflável de um cacho de bananas na piscina externa e dois murais que o próprio artista pinta ao vivo no espaço. Com curadoria de Daniel Rangel, a mostra fica em cartaz até 27 de junho de 2027.

A montagem em São Paulo também amplia a exposição com um núcleo inédito e aproxima ainda mais a produção de Zéh Palito de temas que atravessam sua trajetória. Em Festas Populares, há obras em que o artista revisita sua ligação com o samba e com celebrações presentes em sua pintura há anos. Outro núcleo que ganha força é o que expõe os vínculos afetivos, com pinturas realizadas em colaboração com sua mãe, que borda fuxicos a partir de tecidos trazidos pelo artista de viagens a mais de oitenta países africanos, além de retratos de amigos próximos. O espaço é fechado por uma cortina de fuxico costurada por ela, criando uma aproximação com o lado mais íntimo do artista.

“Zéh pintou obras inéditas especialmente para esta edição e a montagem permite aprofundar questões que atravessam sua produção, como a identidade brasileira, a cultura popular, a ancestralidade, a memória afetiva, a família e o sentimento de pertencimento. Ao mesmo tempo, suas pinturas colocam em evidência corpos negros em situações de afeto, celebração e exaltação, deslocando representações historicamente associadas a esses corpos”, afirma Daniel Rangel. "É uma exposição com grande poder de captura: primeiro pelo impacto visual dos trabalhos, depois pela identificação do público com os temas que ele retrata”, diz Rangel.

Segundo o curador, parte das novidades responde diretamente às características do Sesc Belenzinho, como a instalação concebida para o dia de abertura na área da piscina, que amplia o diálogo da obra de Zéh Palito com espaços de convivência e lazer.

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Obra “Sobre melanina, vitamina e maestria” de Zéh Palito.

A paleta de rosa que marca o trabalho de Zéh Palito nasceu de uma experiência técnica do artista na Zâmbia, onde a produção de murais era feita com um pigmento local caracterizado por um tom pastel. Ao longo de sua trajetória, porém, o rosa ganhou outros sentidos. Ao utilizá-lo de forma predominante na representação de corpos negros, especialmente masculinos, o artista busca romper estereótipos associados à masculinidade negra e deslocar imagens historicamente ligadas à violência. O rosa aproxima esses corpos de uma ideia de delicadeza e cria uma atmosfera lúdica e afetiva, ao mesmo tempo em que questiona a associação da cor ao universo exclusivamente feminino. Assim, mais do que uma escolha estética, o rosa se torna também um elemento central da reflexão de Zéh Palito sobre identidade, representação e afeto.

O mesmo vale para os carros e as piscinas que aparecem com frequência nas telas. As piscinas remetem à proibição do uso desses espaços por pessoas negras nos Estados Unidos até os anos 1970, e os carros fazem referência ao Green Book, o guia usado por motoristas negros para evitar rodovias, hotéis e restaurantes racistas. Vale lembrar que Zéh Palito explorou esse repertório na individual Cars, Pools and Melanin, na galeria Perrotin, em Nova York. “Volto para São Paulo com uma exposição que cresceu junto comigo desde Salvador. A piscina do Sesc Belenzinho tem uma força popular parecida com a das minhas telas, e é um privilégio ver essas obras dialogando com um público tão diverso”, afirma Zéh Palito.

A exposição apresentada no Sesc Belenzinho parte da individual que Zéh Palito realizou em 2025 no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_BAHIA), sua primeira exposição individual em um museu brasileiro. A mostra mantém a curadoria de Daniel Rangel, mas ganhou novos trabalhos e configurações na passagem para São Paulo, em um diálogo direto com os espaços e as características da unidade. Formado em Design Gráfico pela FAAL (Faculdade de Administração e Artes de Limeira), com passagem pela EMCEA (Escola Municipal de Cultura e Artes), Zéh Palito começou a pintar aos 15 anos. Passagens pela Zâmbia e pelos Estados Unidos ampliaram seu repertório de cores e referências, e hoje o artista já realizou murais em mais de 30 país.

Zéh Palito tem obras em acervos como os do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), do Baltimore Museum of Art e do Institute of Contemporary Art Miami, além de trabalhos em coleções particulares de Jay-Z, Beyoncé e Pharrell Williams. O apelido que assina suas obras vem da infância em Limeira (SP), quando os amigos passaram a chamar de Palito o menino muito magro. Começou como implicância e virou identidade artística: é com esse nome que o artista assina uma das trajetórias mais celebradas da pintura brasileira contemporânea.

EXPOSIÇÃO DO PRANTO O OCEANO, E NADAMOS NO AMOR

Período: 10 de novembro de 2026 a 27 de junho de 2027
Horário: Terça a Sábado, das 10h às 20h | Domingos e feriados, das 10h às 18h
Local: Rua Padre Adelino, 1000, Belenzinho
Ingressos: Gratuito

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