"Meu Corpo em Terra Corre Para o Mar Como Tartaruga Marinha", faz apresentações no Teatro Cacilda Becker

Com atuação de Beatriz Belintani e direção de Fabiana Monsalú, o espetáculo reflete sobre a liberdade além das convenções e vícios do pensamento centrado no binarismo sexual

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Foto: Camila Rios

Em uma investigação sobre a liberdade dos corpos no teatro contemporâneo, a atriz e dramaturga Beatriz Belintani e a diretora e encenadora Fabiana Monsalú, da CompanhiaDaNãoFicção, criaram a peça-palestra Meu Corpo em Terra Corre Para o Mar Como Tartaruga Marinha. O solo tem como mote a afirmação da pensadora Monique Witing “lésbicas não são mulheres” e convida o público para uma imersão sensível e poética. A partir de conceitos e teorias do feminismo e pensamento queer, a peça propõe um exercício radical de imaginação acerca das perspectivas de “(con)vivência”, afeto e liberdade.

A direção propõe um jogo cênico entre o corpo da atriz e a metáfora das tartarugas marinhas e sua luta pela sobrevivência, compondo uma dramaturgia além das palavras. A cena amplia a discussão e sobrepõe camadas de sentido através da cenografia, da luz, do som, do videomapping e da câmera ao vivo. A escritura cênica é construída por meio da performatividade e de uma ética da alegria, levando o público a descobrir que o que está sendo levantado diz respeito a toda a humanidade.

A dramaturgia é alinhavada com fatos da história, depoimentos em verbatim, documentos e textos de autoras de diferentes territórios, criando um espaço de diálogo entre o perigo iminente e a aspiração por um futuro utópico. Entre essas pensadoras, estão Monique Wittig, Audre Lorde, Gayle Rubin, Jota Mombaça, Simone de Beauvoir, Verónica Gago e Judith Butler. Mais do que nunca, em tempos que correm, é necessário encontrar o coração das pessoas para fazer ecoar "uma visão de mundo pela qual as pessoas desejem viver em igualdade, liberdade e justiça", como afirma a norte-americana Judith Butler ao defender a necessidade de uma “contra imaginação”.

“O convite é para o público adentrar um campo de sensibilização estética. Não basta dizer, tudo já foi dito, mas propor um encontro em que as pessoas não se deparem com um tema, mas com o que ele causa. Clamar pela própria existência não é um tema, é um absurdo, uma tragédia! Não se trata de um drama. Trata-se de uma tragédia. Os corpos que passam por uma, não continuam da mesma forma. Eles passam por transformações profundas - tragédia. É necessário dinamitar as categorias, as ‘outrificações’ (para citar Gayatri Chakravorty Spivak), aquilo que nos impede de amar e dançar livremente”, acrescenta a diretora Fabiana Monsalú.

Ficha Técnica

Direção e Encenação: Fabiana Monsalú
Atuação e Dramaturgia: Beatriz Belintani
Direção Vocal: Gabriela Flores
Direção de Movimento: Fabiana Monsalú
Cenografia e Vestuário: Fabiana Monsalú e Marcela Mattos
Videografia: Vic von Poser
Assistente de Videografia: Ricardo Kenji
Desenho de Luz: Gabriela Ciancio
Dramaturgia Sonora: Camila Couto
Operação de Vídeo: Vic von Poser e Ricardo Kenji
Operação de Luz: Gabriela Ciancio e Geovanna Moreira
Operação de Som: Lana Scott
Audiodescrição: Anderson Nepomuceno e Vanessa Oliveira
LIBRAS: Maré Dissidente
Assessoria de Imprensa: Adriana Monteiro (Ofício das Letras)
Produção: Corpo Rastreado - Letícia Alves
Realização: CompanhiaDaNãoFicção

MEU CORPO EM TERRA CORRE PARA O MAR COMO TARTARUGA MARINHA

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Foto: Camila Rios

Datas: 05 a 08 de novembro
Horário: Quinta a Sábado, às 20h | Domingo, às 19h
Local: R. Tito, 295 - Lapa
Ingressos: Gratuito | Distribuição 1 hora antes
Duração: 60 minutos
Classificação: 14 anos

ACESSIBILIDADE (AUDIODESCRIÇÃO E LIBRAS): 07 e 08 de novembro (sábado e domingo)

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