'Uma Cidade, um Corpo' revela histórias ocultas da ditadura em Porto Alegre

Projeto traz curta inédito e entrevistas para o YouTube que investigam as marcas da repressão na paisagem urbana e na memória coletiva​

Descrição da imagem

Foto: Reprodução

Em 1966, Manoel Raimundo Soares foi preso pela ditadura brasileira, em Porto Alegre. Sessenta anos depois, a artista Manoela Cavalinho registra locais de memória da Capital gaúcha, enquanto às margens do rio Guaíba, emergem disputas visíveis e invisíveis. Com esta premissa, o curta documental inédito "Uma cidade, um corpo" investiga as marcas do regime militar. Dirigido por Vinícius Lopes e Luciana Mazeto, o filme tem previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2027.

Além do documentário, o projeto engloba uma série de três entrevistas intitulada "Mais que um passado", que amplia a documentação desses fatos e do período histórico da cidade. Os vídeos, que servem de material complementar ao filme, estarão disponíveis no YouTube da produtora Pátio Vazio, a partir do dia 14 de outubro. Os entrevistados são a historiadora Anita Carneiro, o advogado Paulo de Tarso Carneiro e a artista visual Manoela Cavalinho.

Partindo da obra "Epigramas", intervenção urbana de Manoela Cavalinho, "Uma cidade, um corpo" aborda a história da ditadura em Porto Alegre através de "cartões-postais desconhecidos", examinando fatos e lugares marcantes do período, mas ainda ignorados pela população. O filme também traz relatos de pessoas que vivenciaram o período, e relembra a morte de Manoel, uma das primeiras ocorridas durante o regime militar, que ficou conhecida como o "caso das mãos amarradas".

"À medida que investigamos a relação histórica da cidade com a ditadura, percebemos a importância desse local nas disputas simbólicas e nas práticas de violência e supressão de direitos humanos durante o regime", avalia o diretor Vinícius Lopes. A Ilha do Presídio (ou Ilha das Pedras Brancas), espaço usado nas décadas de 1960 e 1970 para deter presos políticos, foi um dos lugares visitados pela produção.

O filme também examina, ao longo de seus 36 minutos, o contraste entre o que foi apagado e o que permanece exposto (e celebrado) nas ruas de Porto Alegre, refletindo sobre como o espaço urbano influencia a mentalidade de seus habitantes. "Através de seus símbolos, supressões e monumentalidades, as cidades também cristalizam mensagens que muitas vezes não percebemos", observa a diretora Luciana Mazeto. "Propomos ao espectador a pergunta: você sabe o que está escondido, ao redor da sua casa?", provoca.

"Uma cidade, um corpo" tem financiamento da Secretaria Municipal da Cultura - Prefeitura de Porto Alegre, Sistema Nacional de Cultura, Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Ministério da Cultura - Governo Federal, Apoio institucional da POA Film Commission e Apoio cultural da FM Cultura.

UMA CIDADE, UM CORPO

Série "Mais que um passado"

Siga o Canal Tadeu Ramos no Instagram

Comentários