Após temporada de sucesso no Edinburgh Festival Fringe, o solo de Bruna Longo com codireção de Vitor Julian retorna a São Paulo

O espetáculo "Queda de Baleia ou Canto para Dançar com Minha Morte" propõe reflexão sobre o tabu da morte na vida cotidiana

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Foto: Danilo Apoena

"Queda de Baleia ou Canto para Dançar com Minha Morte" é um espetáculo sobre a morte e, sobretudo, sobre a vida. A partir da morte do pai da atriz e criadora Bruna Longo, a obra investiga o tabu da morte na vida cotidiana, o desaparecimento dos ritos fúnebres nas sociedades capitalistas ocidentais e os mecanismos de medo, silêncio e negação que nos afastam da experiência da finitude. Realizou três temporadas na Capela do Cemitério do Redentor, em São Paulo, entre 2025 e 2026, e foi indicada ao Prêmio APCA 2025 na categoria de Melhor Atriz.

Em maio de 2026, integrou a programação da Virada Cultural de São Paulo e, em agosto, foi apresentada no Edinburgh Festival Fringe, na Escócia. Em outubro, segue para o Festival de Artes Vivas, em Cali, Colômbia. Os adultos atormentados pela ansiedade da morte não são pássaros estranhos que contraíram alguma doença exótica, mas homens e mulheres cuja família e cultura falharam em tricotar as roupas protetoras adequadas para que resistissem ao frio gelado da mortalidade. (Irvin Yalom, Psiquiatra)

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Foto: Danilo Apoena

A dramaturgia por Bruna Longo “Dia 26 de julho de 2022, às 01:52 da manhã, meu pai morreu. Ao meio-dia seguinte iniciou-se o velório. Às 16:00 seu corpo foi colocado dentro do jazigo da família no cemitério do Araçá, em São Paulo, capital. O que se seguiu foram dias de burocracias em bancos, cartórios, seguros. Dias que viraram semanas, meses. Nenhum convite a qualquer rito de passagem de uma realidade a outra. De filha a órfã. Todos os paradigmas mudaram subitamente. Nenhum tempo ou espaço para a elaboração. Nada. Não venho de uma família com crenças religiosas. Sou atéia, materialista. Não via, de imediato, nenhum caminho satisfatório para a elaboração da maior dor que já senti na vida. Dois dias depois da morte do meu pai, passei a usar o barro desse luto como material para meu trabalho. Iniciei o único caminho que a mim parecia possível para essa elaboração. Meu templo é o teatro, minha liturgia é a pesquisa artística, minha reza é a dramaturgia. E esse é o germe deste espetáculo."

Ficha Técnica: Direção, elenco, dramaturgia, cenografia, figurinos: Bruna Longo Codireção e provocações dramatúrgicas: Vitor Julian Provocações estéticas (figurinos e cenografia): Kleber Montanheiro Visagismo: Fabia Mirassos Sapatos: Marcos Valadão Desenho de Luz: Gabriele Souza e Gabriel Sobreiro Esqueleto de baleia: Paul Zanon Cenotécnica: Evas Carreteiro Provocações de movimento: Paula D’Ajello Provocações de Kung Fu: Daniel Fusco Preparação vocal: Jessé Scarpellini Trilha sonora incidental: L.P. Daniel Direção de Produção: Bruna Longo Produtora associada: Paula Malfatti Produtora associada: Deborah Penafiel Produção executiva: Belle Fraga e Kayky Neves Ilustrações: Victor Grizzo Fotos: Danilo Apoena / Andrew Morris

QUEDA DE BALEIA OU CANTO PARA DANÇAR COM MINHA MORTE

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Foto: Danilo Apoena

Temporada: Até 25 de outubro
Horário: Sábados e Domingos, às 19h
Local: Av. Dr. Arnaldo, 1105 - Sumaré (Capela do Cemitério do Redentor)
Ingressos: R$ 80,00 (inteira) | R$ 40,00 (meia-entrada) | Comprar ingressos
Duração: 80 minutos
Classificação: 12 anos

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