Dirigida por Ines Bushatsky, a montagem dá continuidade ao projeto Shakespeare in Drag e traz elenco estrelado por Alexia Twister.
Foto: Gabriel Marques
Uma das mais famosas tragédias de William Shakespeare (1564-1616), Macbeth, acaba de ganhar sua versão em linguagem drag queen pela Cia. Extemporânea. O espetáculo, dirigido por Ines Bushatsky e com texto de João Mostazo, estreou no Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas (com todos os ingressos esgotados) e agora ganha sua primeira temporada no Sesc Pompeia.
A montagem é o segundo trabalho do projeto Shakespeare in Drag, inaugurado pelo sucesso Rei Lear, que foi vista por mais de 10 mil pessoas em diversas cidades brasileiras e rendeu a Alexia Twister o prêmio Shell 2025 de Melhor Ator. Além da Alexia, estão em cena as drags Antonia Pethit, DaCota Monteiro, Ginger Moon, Lilith Prexeva, Maldita Hammer, Mercedez Vulcão, Thelores e Xaniqua Laquisha, todas integrantes do elenco da primeira peça.
“Já era um sonho antigo fazer Shakespeare com um elenco formado inteiramente por drag queens. Tive a ideia em 2017, durante os ensaios da peça A demência dos touros, que contava com a drag Lilith Prexeva no elenco e tinha cenas inspiradas em Hamlet. Ali, há quase dez anos, já estávamos explorando muito do que iríamos concretizar futuramente, um espaço de cena onde a drag estabelece diferentes tipos de ambiguidade, entre as performances de gênero, entre o ser ou não ser, e o ser e não ser”, comenta a diretora Ines Bushatsky.
Foto: Gabriel Marques
Na trama, ao voltar da guerra, o general Macbeth se depara com três bruxas num descampado, que profetizam o seu futuro como rei da Escócia. Motivados pela previsão, ele e sua esposa, Lady Macbeth, tramam o assassinato do atual rei Duncan e a usurpação de sua coroa. O crime, no entanto, leva o casal a ser consumido pela culpa, precipitando o reino em uma espiral de terror e despotismo. Tomado pela angústia e paranóia, à medida que vê sua coroa ameaçada, Macbeth se converte em um tirano.
Sobre o clássico shakespeariano, João Mostazo, que assina a adaptação do texto, aponta: “Apesar da trama relativamente simples, Macbeth é uma peça de extraordinária complexidade. Quase tudo do que as personagens dizem pressupõe uma segunda camada de sentido, e há um ensurdecedor não-dito pulsando por baixo de toda a ação. Ao contrário de Rei Lear – que, à maneira de um teatro do mundo, contém todas as paixões humanas – o conjunto de sentimentos que a trama percorre é restrito, e gira em torno de um mesmo eixo emocional: medo, paranoia, traição, desconfiança, ambição. Cada uma dessas emoções, no entanto, é investigada com insuperável profundidade”.
Bushatsky conta que nas duas montagens do projeto Shakespeare in Drag, os papéis de gênero são suspensos e colocados de forma menos estática e definitiva. “A drag em relação ao personagem shakespeariano faz ainda mais uma torção, repensando figuras tradicionais a partir de escolhas políticas e estéticas trazidas pelo universo LGBTQIAPN+. Além disso, na adaptação importa menos a fidelidade literal e mais o efeito que o texto causa. Qual efeito Shakespeare conseguia quando seus personagens diziam uma gíria da época? Para isso, Mostazo insere referências a versos e expressões da cultura e da literatura brasileira, trazendo assim para perto do público inspirações poéticas já conhecidas”, ilustra.
Ficha Técnica
Direção e idealização: Ines Bushatsky
Texto e codireção: João Mostazo
Elenco: Alexia Twister, Antonia Pethit, DaCota Monteiro, Ginger Moon, Lilith Prexeva, Maldita Hammer, Mercedez Vulcão, Thelores, Xaniqua Laquisha
Figurino e visagismo: Salomé Abdala
Cenário: Fernando Passetti
Iluminação: Nicolas Marchi
Trilha sonora e desenho de som: Gabriel Edé
Adereços e bonecos: Matias Ivan Arce
Perucas: André Góes
Contrarregragem e cenotécnica: Cauê Gouveia, Diego França, Matias Ivan Arce
Microfonista: Viviane Barbosa
Operação de som: Gabriel Edé
Colaboração de trilha sonora: Ines Bushatsky, João Mostazo, Xaniqua Laquisha
Assistência de iluminação e operação de luz: Karen Mezza
Assistência de adereços: Josefina Siro, Paulina Olgin
Assistência de figurino: Sissa Eisele, Giulianna Menegasso
Costura e modelagem: Salomé Abdala, Gilda Peixoto
Calçados: Porto Free Calçados, Au Botieur
Luvas: ControllU Atelier
Impressão de objetos: Rico3D
Apoio de maquiagem: Catharine Hill
Fotos: Gabriel Marques, Tetembua Dandara
Arte gráfica: Lidia Ganhito
Redes sociais: Mariana Marinho
Direção de produção: Tetembua Dandara
Produção executiva: Iolanda Sinatra
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Criação: Cia. Extemporânea
Direção geral: Ines Bushatsky e João Mostazo
MACBETH
Foto: Gabriel Marques
Tempoarada: 22 de outubro a 15 de novembro
Horário: Quintas e Sábados, às 20h | Sextas, às 16h e às 20h | Domingos, às 18h
Local: Rua Clélia, 93 - Água Branca
Ingressos: R$ 60,00 (inteira) | R$ 30,00 (meia-entrada) | R$ 18,00 (credencial plena)
Duração: 105 minutos
Classificação: 14 anos
*Não haverá sessão no dia 25 de outubro
**Haverá sessão extra no dia 11 de novembro, às 20h
Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Interpretação em libras nos dias 23/10, 30/10, 6/11 e 13/11 (sextas, às 20h).
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