Luiza Mariani estreia solo autoral "O que meu peito carrega sobre mim" no Teatro Poeira (RJ)

O texto da peça nasce de uma experiência pessoal de sua intérprete-autora para propor uma investigação sobre o peito feminino, padrões de identidade e a memória.

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Foto: Marcelo Lince

O peito feminino nunca foi apenas uma parte do corpo. Sagrado e censurado, desejado e rejeitado, símbolo de maternidade, sexualidade, beleza e doença, ele carrega as marcas dos diferentes olhares que a sociedade lançou sobre o corpo da mulher ao longo dos séculos. A peça O que meu peito carrega sobre mim entrelaça essa história coletiva à experiência íntima de uma atriz que, desde os 19 anos, teve seu corpo sucessivamente transformado: uma cirurgia para diminuir os seios, a maternidade e a dificuldade de amamentar, próteses de silicone, o diagnóstico de câncer, a mastectomia e a reconstrução da mama.

Entre a Nossa Senhora que amamenta e a mulher contemporânea diante de uma mastectomia, o espetáculo atravessa desejo, vergonha, maternidade, sexualidade, padrões de beleza, doença e sobrevivência para perguntar: o que eu carrego no peito — ou o que o peito carrega sobre mim? O ponto de partida do texto é o diagnóstico de um carcinoma na mama — e as quatro cirurgias que a atriz atravessou — para investigar o que o peito feminino carrega: corpo, identidade, memória e os sentidos que cada época lhe impôs.

Do relato mais íntimo, a peça abre caminho para uma investigação sobre a relação entre o peito feminino e a sociedade. Enquanto revisita sua história, recolhe os significados atribuídos ao peito ao longo do tempo — da Deusa Diana de Éfeso às amas de leite do Brasil colonial, da caça às bruxas na Inquisição ao boom do silicone nos anos 90 -, expondo como o desejo, a expectativa e a norma se inscrevem nos corpos das mulheres. O solo parte de uma experiência singular para tocar, de peito aberto, no que pertence a todos: a finitude, o desejo, a transformação do corpo e a liberdade de expor, sem medo, o que carregamos no peito.

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Foto: Marcelo Lince

“Fazer essa peça me instigou pelo tema que o texto propõe e abre muitas possibilidades de encenação. O peito nunca foi apenas uma parte do corpo. Foi — e continua sendo — um símbolo sobre o qual cada época projetou seus valores, seus desejos, seus medos e suas interdições. Estamos engessados dentro de um modelo de consumo, guiado por uma razão mercadológica e moral. E este trabalho nasce do encontro entre essas duas dimensões: de um lado, a história e a simbologia do peito feminino através dos séculos; de outro, a experiência concreta de uma mulher cujo corpo foi sucessivamente transformado por seus próprios desejos, pelos padrões de cada momento, pela maternidade e pela necessidade de sobreviver”, acrescenta a diretora Bia Lessa.

Ficha Técnica

Uma produção de Luiza Mariani e Pablo Sanábio
Texto e atuação: Luiza Mariani
Concepção e Direção Geral: Bia Lessa
Atrizes convidadas: Dani Kupek e Erika Mader
Geografia cênica: Bia Lessa com colaboração de Camila Toledo
Colaboração (direção de arte, vestimenta e projeto gráficos): Oskar Metzavah e Juliana Suassuna
Trilha sonora e Design de som: Dany Roland
Direção de Produção: Roberta Dias
Produção Executiva: Adassa Martins

O QUE MEU PEITO CAREGA SOBRE MIM

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Foto: Marcelo Lince

Temporada: 29 de outubro a 20 de dezembro
Horário: Quintas, Sextas e Sábados, às 20h | Domingos, às 18h
Local: Rua São João Batista, 104, Botafogo, Rio de Janeiro
Ingressos: R$ 100,00 (inteira) | R$ 50,00 (meia)

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