Após 14 anos, ‘Festival Melanina Acentuada’ retorna a São Paulo para celebrar a dramaturgia negra brasileira e o legado do TEN
Festival é um projeto apresentado pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, patrocínio da Novelis e apoio do Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP)
Foto: Noélia Nájera
Retornando ao lar após quatorze anos de trajetória, o Festival Melanina Acentuada - Ano VIII ocupa o Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP) para a maior temporada de dramaturgia e teatro negro do Brasil.
O anúncio chega às vésperas do Novembro Negro e pretende transformar a capital paulista na guardiã das diásporas afro-indígenas. Nesta edição, o Melanina também celebra os “80 anos do Teatro Experimental do Negro (TEN)” no Brasil, in memoriam do poeta, escritor e dramaturgo Abdias do Nascimento (1914 – 2011). Ocupando o CCBB com uma programação recheada de espetáculos teatrais, ateliês de ideias, entrevista musicada e compartilhamento de poéticas, o festival traz peças aclamadas pela crítica, como MACACOS, monólogo autoral de Clayton Nascimento; Black Machine, dramaturgia de Dione Carlos; e a adaptação teatral do best-seller de Djamila Ribeiro, Pequeno Manual Antirracista – A Peça, com Luana Xavier e texto de Aldri Anunciação.
Considerado um dos precursores do festival de teatro negro em São Paulo, a volta do Melanina para a capital paulista traz agora espetáculos que nasceram em meio à efervescência cultural da cidade. Na oitava edição, nomes como Aldri Anunciação, William Santana dos Santos, Fernando Lufer, Eugênio Lima, Marina Esteves, Dione Carlos, Banda Cabokaji com Caboclo de Cobre, ISSA, Mayale Pitanga e Sergio Akueran; Clayton Nascimento e Guilherme Diniz compartilham processos criativos, em uma agenda que celebra a produção artística negra contemporânea.
Foto: Jonatas Marques
“É uma satisfação para a Novelis patrocinar, pela segunda vez, o Festival Melanina Acentuada. Acreditamos no poder da cultura para ampliar perspectivas, promover o diálogo e valorizar a diversidade. Ao apoiar iniciativas como essa, reforçamos nosso compromisso com ações que contribuem para uma sociedade mais inclusiva e representativa”, afirma Eunice Lima, diretora de Comunicação e Relações Governamentais da Novelis.
Ao longo de quatro dias, o festival promove o intercâmbio de ideias entre sociedade, reunindo artistas, estudantes, pesquisadores e comunidades. Dedicados à narrativa afrodescendente no Brasil, o Melanina Acentuada traz o conceito de tempo espiralar da escritora Leda Maria Martins – que já atuou no festival – como uma oportunidade de unir o melhor dos festivais: desde o “antigo Melanina” apresentado no Teatro de Arena Eugênio Kusnet (2012/2013), em São Paulo, à nova edição no CCBB (2026).
Contar essa história após anos de apresentações em Salvador, na Bahia, e também no Rio de Janeiro, atravessa a história do idealizador Aldri Anunciação. Produtor, dramaturgo, ator e autor do sucesso Namíbia, Não!, que originou o longa-metragem Medida Provisória (2022), dirigido por Lázaro Ramos, Aldri revela que o Melanina nasceu em 2012 com o propósito de ampliar a visibilidade de autores, artistas e pesquisadores negros, consolidando-se como um espaço de criação e formação em torno da dramaturgia preta.
“É interessante pensar que, apesar de ser um festival tradicionalmente baiano, o Melanina nasce em São Paulo. A gente chega ali entre os dias 10 e 11 de dezembro de 2012 e sai em abril de 2013. Eu me lembro que, naquela época, ia de moto para o teatro todas as manhãs; a gente foi entrando no movimento da cidade, e foi muito bonito levar essa ideia pra lá. Depois, a gente vai pra Bahia, nossa ilha política e cultural, onde o festival permanece por muito tempo. E parece que esse também é um momento muito propício pra gente voltar pra São Paulo. Uma das lembranças que eu tenho é de uma fila enorme, e alguém comentando: ‘que interessante ver esse festival acontecendo, trazendo esse movimento’. Acho que tinha justamente essa necessidade de preencher uma lacuna, de responder à ausência de festivais de teatro negro”, recorda Aldri.
O tão aguardado retorno do Melanina Acentuada será marcado por novidades como a estreia da modalidade “entrevista musicada” com a Banda Cabokaji; a quarta participação da peça ‘MACACOS’ no festival, sendo a única a conquistar o título; além da estreia do ‘Pequeno Manual Antirracista – A Peça’ na programação. Nesta edição, o festival ainda se dedica às heranças afro-indígenas, conectadas a Mayale Pitanga, Sergio Akueran, ISSA e Caboclo de Cobre no cântico indígena-pindorâmico e afro-brasileiro.
Foto: Rayane Mainara
“Assim como trouxemos a ‘Ancestralidade Futurística’, o conceito de tempo espiralar e outras narrativas afrodiaspóricas em 2025, neste ano, queremos ir mais além, com a herança afro-indígena e novos conceitos emergindo do papel para os teatros. É o meu desejo que o Melanina possa reescrever as histórias que construíram a cidade, o país e a cultura como conhecemos, através dos próprios autores”, reafirma Aldri.
Resgatando o legado do ‘Teatro Experimental do Negro’, em 1944, que revolucionou o “fazer teatro” ao enfrentar o racismo estrutural presente nas artes, reivindicando o protagonismo para artistas negros nos palcos, na literatura, na educação e na política cultural; Aldri vê o festival como um ‘braço’ da transformação proposta por Abdias, na capacidade de inspirar a produção artística preta no Brasil. "Esta edição busca compreender como as ideias inauguradas pelo TEN, em 1944, no Rio, continuam reverberando nas dramaturgias, nas pesquisas, nos corpos em cena e na organização da produção cultural afrodiaspórica. É um convite para reconhecer como as histórias do teatro negro se cruzam em oito décadas de passado, presente e narrativas afrofuturistas", destaca.
FESTIVAL MELANINA ACENTUADA - ANO VIII
Período: 12 a 15 de novembro
Local: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico – SP
Ingressos: Disponíveis a partir de 06/11 às 12h, na bilheteria do CCBB e em
bb.com.br/cultura
Classificação: 14 anos
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