Espetáculo "Escola Modelo" faz nova temporada no iBT e aborda racismo e desigualdades na educação brasileira

Montagem parte das experiências pessoais dos dois intérpretes para discutir racismo estrutural, políticas de cotas e ações afirmativas

Descrição da imagem

Foto: José de Holanda

O espetáculo Escola Modelo ganha nova temporada no iBT - Instituto Brasileiro de Teatro, em São Paulo. Com direção de Fernando Vilela e com Pedro Granato e Letícia Calvosa no elenco, a montagem propõe uma reflexão sobre racismo estrutural, ações afirmativas e os desafios da educação brasileira. Os ingressos são gratuitos.

Com dramaturgia de Bruno Lourenço, o espetáculo parte das experiências pessoais dos dois intérpretes para abordar as relações entre trajetórias individuais e estruturas sociais. Em cena, uma mulher negra que enfrentou os dilemas das cotas no acesso à universidade e um homem branco que atuou como gestor público na área da formação refletem sobre como o racismo atravessou suas experiências educacionais.

Descrição da imagem

Foto: José de Holanda

A dramaturgia estabelece um diálogo entre questões individuais e políticas públicas, articulando referências de pensadoras como Sueli Carneiro, Cida Bento e Lívia Sant’anna Vaz. “Como estudante negra, sei que a formação escolar é um momento de muitas descobertas sobre o mundo e sobre si. Um momento delicado que, se não for bem experienciado pelo aluno, pode apagar suas potencialidades e história. O racismo estrutural se apresentou pra mim nesse processo com professores sem letramento racial, com materiais didáticos pensados pela branquitude e para a branquitude, sem referências onde eu me visse representada”, conta Letícia Calvosa.

Para Pedro Granato, que implementou cotas raciais em programas educacionais e levou escolas para as periferias durante sua atuação no poder público, também é necessário questionar como algumas instituições têm incorporado o debate racial.

“Incomoda quando essas mesmas escolas que por décadas segregaram agora buscam, à custa de muito dinheiro, se colocar como pioneiras da luta antirracista. Meu foco central é a defesa de uma transformação estrutural, política de nossa desigualdade racial. E que possamos também aprofundar esse debate encontrando as sombras do processo para não se transformar em algo maniqueísta que serve mais para redes sociais que transformações reais”, reflete. Segundo Bruno Lourenço, a criação do texto partiu de duas forças condutoras: “O privado (relatos pessoais, pensamentos, reflexões) e o público (poder público, leis, instituições). Tudo isso permeado pelo discurso de raça e gênero, que atravessa o espetáculo, e a oposição fundamental entre trabalho e sonho (segundo a semiótica discursiva de Greimas)”, explica o dramaturgo.

Ficha técnica

Elenco: Pedro Granato e Letícia Calvosa
Direção: Fernando Vilela
Dramaturgia: Bruno Lourenço
Desenho de luz: Ariel Rodrigues
Direção de arte: Fernando Vilela
Figurino: Thais Sakuma
Preparação vocal: Malú Lomando
Técnico de palco e técnico de som: Diego Leo
Técnico de luz: Ariel Rodrigues
Produção executiva: Julia Terron
Assistência de produção: Diego Leo
Fotos de divulgação: José de Holanda
Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes
Produção e realização: Jessica Rodrigues Produções e Pequeno Ato
Direção de produção: Jessica Rodrigues e Carolina Henriques

ESCOLA MODELO

Descrição da imagem

Foto: José de Holanda

Temporada: 31 de outubro a 29 de novembro
Horário: Sábados, às 20h | Domingos, às 19h
Local: Av. Brigadeiro Luís Antônio, 277 - Bela Vista
Ingressos: Gratuito | Retirada na bilheteria 1 hora antes da sessão
Duração: 75 minutos
Classificação: 14 anos

Sessão extra: 20 de novembro (sexta-feira) às 19h

Siga o Canal Tadeu Ramos no Instagram

Comentários