"Abysmo": Solo de Alessandra Queiroz prorroga temporada no Teatro Pyndorama

Montagem investiga a palavra, a informação e as vozes femininas historicamente silenciadas

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Foto: Gustavo A Amat

O que significa falar, contar e ser ouvido? É a questão aparentemente simples que está na origem de Abysmo, solo de Alessandra Queiroz que ganha nova temporada no Teatro Pyndorama. O espetáculo parte da experiência de uma atriz e da trajetória de uma companhia marcada pelo coletivo para experimentar a cena em sua forma mais concentrada.

Com direção de Thiago Reis Vasconcelos, que também assina a dramaturgia ao lado de Alessandra Queiroz, ABYSMO marca a estreia da atriz em um trabalho solo na Cia Antropofágica, coletivo reconhecido por criações com grandes elencos. Em cena, ela constrói uma experiência que aproxima teatro, literatura, documentos, autobiografia e referências históricas.

A montagem coloca em relação textos de autores como Agnes Heller, Licofron, Silvia Federici e Walter Benjamin com documentos, autobiografia, leitura e experiência teatral. A palavra aparece como matéria central de um espetáculo que procura pensar como informação e conhecimento atravessam a vida cotidiana, a cultura, o trabalho, a técnica e as relações sociais.

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Foto: Gustavo A Amat

Em cena, Alessandra não interpreta uma personagem única. A atriz constrói um palimpsesto vocal a partir de diferentes mulheres, históricas e ficcionais, entre elas Safo, Marguerite Duras, Rosa Luxemburgo e Cassandra. Esta última funciona como uma espécie de chave para a montagem: a figura mitológica que anuncia acontecimentos e não é ouvida estabelece uma relação com outras vozes femininas que, ao longo da história, tiveram seus discursos desacreditados ou apagados.

Para Alessandra Queiroz, a dramaturgia aproxima essas vozes de debates sobre ciência, guerra e gênero, colocando em perspectiva as estruturas patriarcais que historicamente determinaram quem poderia falar, produzir conhecimento e ser reconhecido como sujeito intelectual. “O passado, nesse contexto, não aparece como algo encerrado, mas como matéria ainda em disputa no presente”, pontua.

Ficha Técnica: Em cena – Alessandra Queiroz. Dramaturgia – Alessandra Queiroz e Thiago Reis Vasconcelos. Roteiro – Thiago Reis Vasconcelos. Direção – Thiago Reis Vasconcelos. Codireção – Flávia Ulhôa. Assistência de Direção – Renata Adrianna. Cenário – Flávia Ulhôa e Thiago Reis Vasconcelos. Figurino – Ruth Melchior. Iluminação e Operação de Luz – Zernesto Pessoa. Operação de Sonoplastia – Gustavo A Amat e Lívia Cori. Produção – Alessandra Queiroz e Flávia Ulhôa. Realização – Companhia Antropofágica.

ABYSMO

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Foto: Gustavo A Amat

Temporada: 05 a 26 de outubro
Horário: Segundas, às 20h
Local: Rua São Domingos, 224 – Bela Vista
Ingressos: R$30,00 (inteira) | R$15,00 (meia)
Duração: 40 minutos
Classificação: 14 anos

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