Dia do Champagne: por que a bebida vai muito além dos brindes

Da moqueca ao sushi, a acidez e a efervescência do vinho francês abrem espaço para harmonizações que fogem do óbvio

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Foto: Lallier/Divulgação

Champagne e celebração são quase sinônimos. Mas reduzir o vinho francês aos brindes é deixar de lado uma de suas características mais interessantes: a versatilidade à mesa. Do frescor de um peixe cru à intensidade de uma moqueca, passando por frituras, queijos e sobremesas cítricas, a bebida pode acompanhar diferentes momentos de uma refeição. No dia 23 de outubro, quando se celebra o Dia Internacional do Champagne, vale olhar para a taça também como parte da experiência gastronômica.

A explicação começa em dois elementos fundamentais: acidez e efervescência. A primeira ajuda a equilibrar pratos mais gordurosos e preserva a sensação de frescor no paladar. A segunda participa da experiência sensorial, influenciando a percepção dos aromas e das texturas. Para Victoria Sarro, brand manager de Lallier no Brasil, maison francesa que chegou recentemente ao país por meio do Grupo Campari, é justamente a acidez que está no centro dessa versatilidade.

“São muitas, mas eu ressalto a acidez como principal elemento para essa versatilidade. Esse é um ponto-chave que garante o frescor do Champagne e cria diferentes possibilidades de harmonizações”, explica. As borbulhas também têm uma função que vai além do efeito visual na taça. Elas contribuem para a liberação dos aromas e ajudam a construir a percepção de frescor, textura e cremosidade. “As bolhas são parte essencial do Champagne. Além do aspecto visual, elas contribuem para a liberação dos aromas e influenciam a percepção do frescor, textura e cremosidade”, complementa Victoria.

Na prática, isso significa ir além das combinações mais previsíveis, como ostras e canapés. Peixes gordurosos e frituras encontram na acidez do Champagne um contraponto capaz de equilibrar a experiência, enquanto receitas brasileiras de sabor mais intenso também podem entrar na equação. A moqueca, por exemplo, aparece entre as sugestões de harmonização, assim como queijos de personalidade marcante. “Vale explorar o Champagne muito além do coquetel volante. Peixes e frituras são muito bem-vindos, assim como pratos típicos brasileiros, como a moqueca, ou mesmo uma seleção de queijos intensos”, recomenda a executiva.

Na cozinha japonesa, o encontro acontece por outro caminho. A delicadeza dos peixes crus combina com o frescor da bebida, enquanto a acidez e a efervescência ajudam a renovar o paladar entre uma peça e outra. O resultado é uma combinação que valoriza os ingredientes sem necessariamente disputar a atenção com eles. “Alguns elementos fazem desse casamento tão bem-sucedido em termos de harmonização, mas eu ressaltaria a delicadeza que ambos oferecem. Sem dúvida, a acidez de Lallier é um elemento-chave para isso”, afirma Victoria.

A sobremesa também pode fazer parte do percurso, desde que o estilo do Champagne seja levado em conta. Preparações à base de frutas e com perfil cítrico tendem a oferecer um caminho interessante para rótulos Brut, mas o equilíbrio entre o açúcar da receita e o da bebida é determinante para que um não se sobreponha ao outro. “É fundamental prestar atenção ao nível de açúcar e ao estilo do Champagne. Rótulos Brut podem e devem acompanhar sobremesas, principalmente as que são compostas por frutas ou têm perfil mais cítrico. A harmonização é uma questão de equilíbrio entre os elementos, para que nenhum se sobressaia ao outro”, explica.

Mais do que reservar a bebida para ocasiões especiais, explorar suas possibilidades gastronômicas é uma forma de mudar a relação com o Champagne. Entre pratos brasileiros, receitas japonesas e combinações menos óbvias, a taça deixa de ser apenas o ponto alto de uma comemoração e passa a ter lugar à mesa do começo ao fim da refeição.

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