Brian ou Brenda?: Peça que discute identidades a partir do polêmico caso de David Reimer reestreia em novembro, no Teatro João Caetano
Em temporada gratuita, espetáculo tem texto de Franz Keppler e direção de Yara de Novaes e Carlos Gradim
Foto: Heloísa Bortz
Cada vez mais pulsante na sociedade, a discussão sobre identidade de gênero ganha uma abordagem surpreendente em Brian ou Brenda?, com dramaturgia de Franz Keppler e direção de Yara de Novaes e Carlos Gradim, que recria com liberdade ficcional o polêmico caso de David Reimer. Após algumas temporadas de sucesso, o espetáculo está de volta a São Paulo, em novembro de 2026, no Teatro João Caetano.
Brian ou Brenda? se passa em 1965, quando nascem os gêmeos Brian e Bruce, que são submetidos a uma cirurgia de fimose aos 8 meses. Durante esse procedimento, o pênis de Brian é acidentalmente cauterizado. Atônitos, os pais procuram o psiquiatra John Money, que defende a tese de que os bebês nasceriam neutros e teriam seu gênero definido pela criação. Ele aconselha a família a fazer em Brian uma operação de redesignação sexual e a educá-lo conforme uma menina.
A criança passa, então, a ser chamada de Brenda. O resultado é uma menina que cresce infeliz em um corpo que não é seu e, ainda adolescente, tenta se matar. Os pais decidem contar a verdade e, então, ela resolve ir em busca da real identidade que nunca havia deixado de ter. Anos depois, Brenda assume a identidade de David Reimer.
A encenação é conduzida por um time de peso: Anderson Müller, Daniel Tavares, Einat Falbel, Fábia Mirassos, Jui Huang, Paula Cancian e Paulo Campos, pessoas com diferentes origens, condições físicas, etnias e identidades de gênero. Mesclando fatos reais e ficcionais, a peça propõe uma reflexão sobre gênero e o direito às escolhas e desejos de cada um, bem como os limites dos tratamentos médicos e psiquiátricos.
Segundo Kiko Rieser, diretor de produção, Brian ou Brenda? nunca teve a intenção de ser uma reconstituição fiel à vida de David Reimer. "O caso real é muito importante para nós, mas ele é o ponto de partida para uma obra de ficção. O que precisava ser rigoroso eram os acontecimentos fundamentais e, principalmente, as questões que esse caso coloca", explica.
Para Rieser, esse equilíbrio era essencial: "Se ficássemos apenas na reconstituição dos fatos, corríamos o risco de fazer uma espécie de reportagem sobre uma história que é muito mais complexa".
Ele destaca ainda que há um cuidado especial para que o espetáculo não seja lido como uma conclusão simplista sobre a transgeneridade. "O problema não é alguém querer modificar o próprio corpo ou fazer uma transição. O problema é ter essa decisão tomada por outra pessoa, quando você ainda não pode escolher. É uma diferença fundamental, e acho que a peça deixa isso bastante claro", afirma.
FICHA TÉCNICA:
Texto: Franz Keppler
Direção: Yara de Novaes e Carlos Gradim
Elenco: Anderson Müller, Daniel Tavares, Einat Falbel, Fábia Mirassos, Jui Huang, Paula Cancian e Paulo Campos
Cenário: André Cortez
Figurino: Cassio Brasil
Iluminação: Aline Santini
Trilha sonora: Morris
Orientação de trabalho corporal: Ana Paula Lopez
Direção de produção: Kiko Rieser
Fotografia: Heloísa Bortz
Registro em vídeo: Leekyung Kim
Design gráfico: Letícia Andrade
Assessoria de imprensa: Prisma Colab
Realização: Rieser Produções Artísticas
BRIAN OU BRENDA?
Temporada: 5 a 22 de novembro
Horário: Quinta a Sábado, às 20h | Domingo, às 19h
Local: R. Borges Lagoa, 650 - Vila Clementino
Ingressos: Gratuito |
Duração: 80 minutos
Classificação: 14 anos
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