"Barulhos" volta aos palcos a partir dos sonhos de crianças de São Paulo

Espetáculo do 28 Patas Furiosas transforma sons da cidade, memórias e figuras fantásticas em uma experiência cênica sobre sonho, luto e imaginação.

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Foto: Helena Wolfenson

O que as crianças de São Paulo sonham? Para criar Barulhos, o 28 Patas Furiosas foi ouvir crianças de 4 a 12 anos de diferentes regiões da cidade. Sirenes, ruídos urbanos, personagens da cultura pop, medos, fugas, encontros e situações impossíveis apareceram nos relatos e deram origem à dramaturgia de Tadeu Renato, construída em diálogo com o coletivo. Depois de uma temporada no Sesc Avenida Paulista no início do ano, o espetáculo retorna aos palcos em outubro no Sesc Consolação.

Com direção de Valéria Rocha, Barulhos acompanha Rosa, uma menina que vive com a mãe o luto pela morte da avó. Durante o sono, ela encontra uma garota misteriosa que procura sua casa perdida. A partir desse encontro, o mundo começa a se deslocar: um barulho estranho move o chão e arrasta todas as casas, enquanto uma onça falante, uma cabeça sem corpo e uma guia cientista aparecem pelo caminho.

A história construída pelo grupo parte de uma experiência cotidiana das crianças, mas não procura reproduzir seus sonhos literalmente. Os relatos coletados durante a pesquisa funcionaram como matéria para a criação de um universo cênico em que os sons da metrópole, as memórias e o imaginário infantil se misturam. A lógica do sonho também orienta a dramaturgia, que não segue necessariamente uma narrativa linear.

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Foto: Helena Wolfenson

Esse modo de criação dá continuidade a uma investigação que o 28 Patas Furiosas desenvolve desde 2020 sobre o que sonha a cidade de São Paulo. A pesquisa passou por trabalhos como Parabólica dos Sonhos (2022) e Um Jaguar por Noite, e dialoga com saberes de povos originários, especialmente Xavante, Yanomami e Guarani, além dos estudos do neurocientista Sidarta Ribeiro sobre os sonhos e suas relações com a memória, as experiências e as emoções.

Em Barulhos, essa pesquisa chega pela primeira vez a uma criação especialmente voltada às infâncias. O grupo mantém, porém, procedimentos presentes em seu percurso artístico, como a investigação de materialidades, a relação entre teatro e artes visuais e a construção de dramaturgias que não dependem de uma narrativa convencional.

O luto pela morte da avó é o ponto de partida para a jornada de Rosa. No mundo dos sonhos, ela descobre que a garota misteriosa que procura sua casa é, na verdade, sua avó quando criança. Ao compartilhar o sonho com a mãe, as duas encontram uma possibilidade de conversar sobre a perda e sobre as lembranças que permanecem.

“O sonho e a memória, que por vezes insistem em trazer à tona angústias que preferiríamos esquecer, também se tornam espaços de entendimento e elaboração”, afirma Valéria Rocha. Para a diretora, o espetáculo procura abordar a morte a partir da relação com os sonhos, criando possibilidades para que crianças e adultos possam conversar e elaborar experiências que fazem parte da vida.

Ficha Técnica

Idealização e concepção: 28 Patas Furiosas
Direção: Valéria Rocha
Texto: Tadeu Renato
Elenco: Felipe Gomes, Gabriel Bodstein, Isabel Wolfenson, Jennifer Souza, Joy Catharina e Sofia Botelho
Luz: Dimitri Luppi e Wagner Antônio
Cenário: Wagner Antônio
Direção musical: Júlia Ávila
Figurino: Valentina Soares
Costureira: Sonia Limachi
Operação de som: Júlia Ávila
Operação de luz: Dimitri Luppi e Débora Pereira
Assistência de iluminação: Débora Pereira
Colaboração no processo criativo: Pedro Stempniewski
Fotos: Helena Wolfenson
Registro em Vídeo: Marcos Yoshi
Mídias Sociais: Jorge Ferreira e Mayhara Ribeiro
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto Comunicação
Produção: Corpo Rastreado: Gabs Ambròzia

BARULHOS

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Foto: Helena Wolfenson

Temporada: 03 de outubro a 05 de dezembro
Horário: Sábados, às 11h
Local: Rua Dr. Vila Nova, 245. Vila Buarque
Ingressos: R$ 40,00 (Inteira) | R$ 20,00 (Meia-entrada) | R$ 12,00 (Credencial Plena)
Duração: 60 minutos
Classificação: Livre

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