"A Chave do Labirinto" leva o mito do Minotauro para um canavial brasileiro

Montagem transforma a lenda grega em uma aventura sobre imaginação, memória e a possibilidade de olhar o outro de outro jeito

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Foto: Tiago Silva

Um menino se perde em meio a um canavial e acredita ter entrado em um labirinto. Para encontrar a saída, ele parte em busca do Minotauro, mas sua aventura toma um rumo diferente daquele contado pelo mito grego: em vez de querer derrotar a criatura, Teseu quer descobrir por que ela é considerada má. É a partir dessa premissa que A Chave do Labirinto, espetáculo escrito e protagonizado pela atriz Regina França, estreia em novembro, no Sesc Vila Mariana.

A montagem parte da história clássica de Teseu e do Minotauro para construir uma narrativa ambientada em um universo rural brasileiro. O canavial, inspirado nas lembranças de infância e adolescência de Regina França em uma fazenda da família, transforma-se em um labirinto onde referências da mitologia grega se misturam às memórias e personagens desse cotidiano. Nesse percurso, o menino encontra Ariadne, o deus Pã, Sócrates e a Pitonisa. São figuras que pertencem ao imaginário da mitologia, mas que, na peça, aparecem filtradas pela memória de uma criança: o sábio Sócrates ganha a voz de um homem que levava o menino para andar a cavalo; a Pitonisa se aproxima da figura de uma benzedeira conhecida na fazenda. A fantasia nasce, assim, do encontro entre aquilo que o menino conhece e aquilo que imagina.

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Foto: Tiago Silva

O Minotauro também ganha outra história. Preso no labirinto e afastado do mar, ele é visto pelo menino não como um monstro a ser destruído, mas como alguém que precisa ser compreendido. Com a ajuda de um giz mágico recebido de Ariadne, Teseu desenha asas para a criatura e a leva para conhecer o mar. A aventura coloca no centro da narrativa a imaginação como possibilidade de transformar uma história conhecida e também a maneira como uma criança pode elaborar aquilo que não entende.

A encenação segue essa ideia de invenção. Desde o início do processo, o diretor Paulo Rogério Lopes propôs que o espetáculo tivesse a aparência de um grande livro que se abre diante do público, como um livro pop-up. Dele surgem o menino, o cavalo, o Pã e os demais personagens, construídos em papel e manipulados em cena por Duda e Claudemir. Regina França conduz a narrativa e dá voz aos personagens, enquanto os dois manipuladores movimentam as figuras que saem desse livro cênico.

Ficha Técnica

Texto: Regina Franca
Direção geral e adaptação: Paulo Rogério Lopes
Elenco: Regina França, Claudemir Santana, Julia Oliveira Tavares e Dudda Pecego
Assistência de direção: Juliana Augusta Vieira
Cenografia: Paulo Rogerio Lopes e Juliana Augusta Vieira
Adereços: Renata Sandoval, Juliana Augusta Vieira, Paulo Rogério Lopes e Regina França
Figurinista: Cláudia Schapira
Pintura de Figurinos: Regina França
Direção de Movimento: Débora Veneziani
Direção Musical: Bruno Serroni
Iluminação: Juliana Augusta Vieira
Visagismo: Louise Helene
Produção Geral: Corpo Rastreado
Assessoria de imprensa: Canal Aberto Comunicação
Idealização: Regina França

A CHAVE DO LABIRINTO

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Foto: Tiago Silva

Temporada: 1º de novembro a 13 de dezembro
Horário: Domingos, às 16h30
Local: Rua Pelotas, 141, Vila Mariana
Ingressos: RS40,00 (inteira) | R$20,00 (meia-entrada) | R$12,00 (Credencial Plena)
Duração: 50min
Classificação: Livre

Sessão com Audiodescrição: 29 de novembro | Libras: 29 de novembro e 06 de dezembro

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