Uma releitura contemporânea tão cômica quanto crítica, que aproxima o astuto Arlequim do Brasil de hoje e suas contradições sociais
Foto: Priscila Prade
Em comemoração aos seus 35 anos, o grupo Parlapatões apresenta o espetáculo inédito “Arlequim, Servidor de Dois Patrões”, uma releitura cheia de brasilidades do clássico de Carlo Goldoni (1707 – 1793), com direção de Hugo Possolo. A estreia será no teatro do Sesc Bom Retiro. A montagem faz do riso uma ferramenta de reflexão, provocando um olhar crítico sobre as desigualdades sociais e a fome.
A clássica história do astuto Arlequim que, para conseguir um prato de comida, passa o tempo se dividindo entre as solicitações de dois patrões, vem inspirada na Commedia dell’Arte, mas não exatamente em sua estrutura histórica formal conhecida. A montagem do Parlapatões traz elementos indispensáveis, como o improviso e a ideia do arquétipo, mas faz uma mistura com uma visão bastante contemporânea e brasileira, na narrativa e na estética.
O protagonista, vivido por Hugo Possolo, continua como arquétipo fundamental para se compreender o que é a esperteza de quem vive na pobreza, com humor e lirismo. Sem sair da época e do local onde transcorre a trama original, os Parlapatões se valem da arte da palhaçaria para encenar uma aventura lúdica e cômica com elementos da cultura popular brasileira, acrobacias e música, inclusive com composições originais de Alexandre Dalóia. Em cena, as máscaras dão lugar à maquiagem, a renda e o bordado dão espaço ao fuxico e a cores vibrantes, trazendo um clima festivo e circense.
As referências diretas à nossa cultura estão pelo cenário, figurino e dentro da narrativa: objetos populares, religiosos, artes visuais ou pontos turísticos, assumindo uma adaptação antropofagicamente abrasileirada. A encenação de Hugo Possolo traz as situações da peça original em diálogo com o Brasil de hoje e suas contradições sociais.
Foto: Priscila Prade
“Escolhemos essa peça porque ela é celebrativa, popular e porque trata de um tema que parece que as pessoas abandonaram: que é a fome. O teatro é político e é completamente brincalhão, sem ficar na lamúria, mas valorizando o que a pobreza tem de inteligência para sobreviver, que é a principal característica do Arlequim. Ele é o cara que sobrevive com a famosa jornada dupla, que hoje a gente conhece tão bem, algo que antes era antiético, mas hoje é normal para as pessoas”, explica Possolo, que vem fazendo preparo físico para interpretar Arlequim.
Um espetáculo vibrante, irreverente e contemporâneo, que reafirma a marca dos Parlapatões: unir a tradição dos grandes clássicos ao espírito popular, político e inventivo que acompanha o grupo há mais de três décadas. “Para nós, uma comemoração em grande estilo é dividir com o público a essência da linguagem que costura toda a nossa história: a arte da palhaçaria. E, nos juntamos ainda às comemorações de 80 anos do Sesc. É um prato cheio, com e sem trocadilhos, para a comicidade que sempre buscamos, a de um riso transformador”, diz Hugo Possolo.
Os Parlapatões foi fundado em 1991 e, neste ano, celebra 35 anos de trajetória, com 71 espetáculos produzidos e mais uma série de mostras, eventos e festivais. O grupo tem como característica a palhaçaria, o teatro de rua e popular, sempre buscando inovar a linguagem e ampliar o alcance de público. Já o Espaço Parlapatões, na Praça Franklin Roosevelt, centro da capital paulista, comemora também 20 anos de atividades.
FICHA TÉCNICA
Texto: Carlo Goldoni
Adaptação e direção: Hugo Possolo
Elenco: lexandre Bamba, Camila Turim, Demian Pinto, Guilherme Calzavara, Henrique Stroeter, Hugo Possolo, Jéssica Turbiani, Raquel Ripani, Robert Gomez, Sabrina Cristina, Tadeu Pinheiro e Victor Martins
Direção Musical: Alexandre Dalóia
Assistência de Direção: Dan Nakagawa
Figurino: Priscila Souza e Hugo Possolo
Cenário: Hugo Possolo
Assistência de Cenografia: Nathália Campos
Iluminação: Fran Barros
Preparação vocal: Dan Nakagawa
Preparação musical (sax): Mauro Casellatto
Costura figurinos: Cleide Niwa
Patchwork nos figurinos: Lais Horácio
Visagismo: Ana Luiza Icó
Adereços: Ateliê Palhassada (Marcos Diglio e Karina Diglio)
Colagem molduras: Agentemesmocolandodedonacolaquente com coordenação e pinturas de Werner Schulz
Costura de cenário: Luna Costa
Pintura de telões: Daniel Roque
Plotagem: Global Gráfica
Serralheria: César Augusto de Souza
Sonoplastia e operação de som: Deivison Nunes
Contrarregra: Benedito Teixeira
Fotos: Priscila Prade
Produção Executiva: Manoela Flor
Assistência de Produção: Sofia Falastro, Fortes Mares e Suya Tatisuya
Base de Produção: Wira Bortoli
Gestão de projeto: Cristiani Zonzini
ARLEQUIM, SERVIDOR DE DOIS PATRÕES
Foto: Priscila Prade
Temporada: 2 de outubro a 15 de novembro*
Horário: Sextas e Sábados, às 20h | Domingos, às 18h
Local: Alameda Nothmann, 185 - Campos Elíseos
Ingressos: R$ 60 (inteira) | R$ 30 (meia-entrada) | R$ 18 (credencial plena)
Duração: 90 minutos
Classificação: 10 anos
- Dias 04 e 25 de outubro não haverá sessão
- Sessão extra: Dia 6 de novembro, às 15h
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