Amor, luto, saúde mental, masculinidade e vulnerabilidade emocional compõem a narrativa de dois homens que revisitam o passando confrontando o que viveram juntos
Foto: Arthur Romão
O espetáculo Os Nós Desafinados Sempre Tocam Uma Nova Melodia, de Lucca Marques e Rafael Salmona, com direção de Áurea Liz, investiga os mecanismos da memória e as marcas deixadas por experiências que não encontraram elaboração. Com dramaturgia poética e fragmentada, o espetáculo conta a história de dois homens que se reencontram à beira de uma ponte depois de um longo silêncio. Entre gravações, lembranças e melodias, João e Felipe atravessam os vestígios de uma relação marcada pelo afeto, pela violência, pela culpa e, sobretudo, por tudo aquilo que nunca conseguiram dizer um ao outro. A peça faz temporada no Espaço Cia da Revista em outubro.
A peça, que discute o que resta de uma relação quando ela se torna ruído, estreou no Festival Internacional de Teatro do Atlântico, em Cabo Verde, e circulou por Portugal e Espanha, onde também ganhou uma versão em língua espanhola. A estreia nacional, em Brasília, ocorreu em janeiro de 2026. Além disso, o espetáculo acaba de retornar do FESTEI – Festival Nacional de Teatro de Ibiúna, que ocorreu entre 03 e 07 de setembro de 2026, com destaques importantes: além de ter sido indicado em oito categorias (melhor cenografia, melhor sonoridade, melhor iluminação, melhor dramaturgia, melhor direção, melhor ator para Lucca Marques e melhor ator para Rafael Salmona, e melhor espetáculo), conquistou três prêmios na mostra: melhor cenografia, melhor dramaturgia e melhor ator, para Rafael Salmona.
Foto: Arthur Romão
Na encenação, a memória se transforma em matéria cênica. Música, palavra, silêncio e movimento se articulam entre presente e passado, realidade e lembrança. A estrutura fragmentada da montagem acompanha esse território instável: recordações se sobrepõem, versões se contradizem e o que parecia encerrado retorna sob novas formas.
Em Os Nós Desafinados Sempre Tocam Uma Nova Melodia há um questionamento constante sobre o que fazer com aquilo que atravessou profundamente. “Quando uma melodia se rompe, é possível simplesmente seguir adiante ou levamos para as relações seguintes os ecos daquilo que nunca conseguimos escutar?", questionam os dramaturgos Lucca Marques e Rafael Salmona, que também estão em cena. A trajetória da montagem ultrapassou os palcos e chegou também à literatura. A dramaturgia foi publicada em edição bilíngue português-espanhol, pela editora Giostri.
Ficha Técnica
Direção: Áurea Liz
Dramaturgia e atuação: Lucca Marques e Rafael Salmona
Concepção de luz: Caio Maciel
Operação de luz: Caio Maciel
Cenotécnica: Artur Ribeiro
Trilha sonora original: Andrei Machado, Fábio Gesteira e Lucca Marques
Colaboração artística: Irina Buss e Vinícius Ávlis
Produção: Casa dos Quatro e Coletivo Levante
Produtor local: Ricardo Corrêa
OS NÓS DESAFINADOS SEMPRE TOCAM UMA NOVA MELODIA
Foto: Arthur Romão
Temporada: 1º a 11 de outubro*
Horário: Quinta, Sextas e Sábados, às 20h | Domingo, às 19h
Local: Alameda Nothmann, 1135 - Campos Elíseos
Ingressos: R$ 90,00 (inteira) | R$ 45,00 (meia-entrada)
Duração: 70 minutos
Classificação: 14 anos
- Dia 04 de outubro não haverá sessão
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