Escrito por Regiana Antonini, com direção de Fernando Philbert e supervisão de Amir Haddad, a peça apresenta um equilibrista que vive entre lucidez e loucura
Foto: Claudia Ribeiro
Um andarilho é a figura central de “Nefelibato”, monólogo de Regiana Antonini que o ator Luiz Machado leva à cena para celebrar seus 30 anos de carreira. Aplaudido pela crítica e público nas temporadas no Rio de Janeiro e em São Paulo, o espetáculo volta à cidade para curta temporada, no Teatro B32, em setembro.
Embora ambientada na década de 1990, época em que a população teve suas reservas confiscadas pelo governo, a trama dialoga com o Brasil de hoje. Será a sexta temporada do espetáculo elogiado não só pelo texto ou pela contemporaneidade, mas, sobretudo pela atuação de Luiz Machado. A medida arbitrária da equipe econômica do governo levou milhares de brasileiros ao desespero e à bancarrota. Muitos enlouqueceram, como Anderson, personagem central da peça, que perdeu o negócio, um ente querido, um grande amor, e foi parar nas ruas, perambulando.
Foto: Claudia Ribeiro
“Um fato real, que se mistura com a nuvem da fantasia, do drama, do épico, do louco, do homem, do ‘Nefelibato’ que mora na praça que cada um possui no meio do peito. O projeto ‘Nefelibato’ é um espetáculo teatral da dimensão humana que se refaz no humor, na poesia, na força, na busca por um lugar no mundo, seja o mundo real ou mundo imaginário. Este personagem que carrega seu próprio mundo em um carrinho, que tem seu próprio mundo dentro de si, vai como Dom Quixote, como Hamlet, como o capitão Ahab de “Moby Dick” à procura de sua baleia branca, em busca de enfrentar seus moinhos e demônios para ser feliz. Sim, ser feliz é o que todos queremos, este singelo momento que justifica a vida, sorrir ao acordar”, assim o diretor Fernando Philbert discorre sobre o tema da peça.
O quanto de loucura é necessário para o ser humano não perder a própria vida? Como se processa o instinto de sobrevivência que o ser humano tem, mas que esquece que tem? Como chamar a atenção para um certo grau de consciência que o personagem tem em sua condição? Para não se matar ou matar alguém, Anderson vai para a rua. Viver na rua foi o caminho que ele encontrou para continuar vivo.
“O público fica muito impactado, pois o espetáculo reflete uma realidade que tentamos fazer invisível, mas que está sempre à disposição de nossos olhos. Então, é muito interessante quando a plateia percebe que a atitude do personagem é consequência de um ato político e se aproxima ainda mais desta verdade social em que vivemos”, acrescenta Luiz Machado, que ficou fascinado pelo personagem desde o primeiro contato com o texto. "A história de Anderson me fascinou completamente, pois é um personagem que vive no limite da vida e do sonho, entre a lucidez e a loucura", conclui.
Ficha técnica
Texto – REGIANA ANTONINI
Supervisão artística – AMIR HADDAD
Direção – FERNANDO PHILBERT
Interpretação – LUIZ MACHADO
Direção de Produção – GERARDO FRANCO
Cenografia e figurino – TECA FICHINSKI
Iluminação – VILMAR OLOS
Músicas – MAÍRA FREITAS
Direção de movimento – MARINA SALOMON
Preparação vocal – EDI MONTECCHI
Design gráfico – CLÁUCIO SALES
Assistente de direção – ALEXANDRE DAVID
Assistente de cenário – JUJU RIBEIRO
Realização – LM PRODUÇÕES ARTÍSTICAS
Assessoria de imprensa – ADRIANA MONTEIRO
NEFELIBATO
Foto: Claudia Ribeiro
Temporada: 04 a 27 de setembro
Horário: Sexta e Sábado, às 20h | Domingo, às 18h
Local: Avenida Brigadeiro Faria Lima, 3732, Itaim Bibi (Espaço Experimental)
Ingressos: R$ 100,00 (inteira) | R$ 50,00 (meia)
Duração: 60 min
Classificação: 14 anos
NÃO É PERMITIDA A ENTRADA APÓS O INÍCIO DO ESPETÁCULO
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