Montagem é resultado de uma pesquisa iniciada em 2020 e desenvolvida continuamente pelo grupo ao longo dos últimos seis anos.
Foto: Caio Oviedo
A tragédia grega voltou a ocupar um lugar de destaque na cultura contemporânea. Enquanto o cinema revisita o universo de Homero em "A Odisseia”, de Christopher Nolan, o teatro internacional coloca novamente Electra no centro da cena, com Cate Blanchett protagonizando Electra/Persona, em cartaz no National Theatre de Londres. Além de diversas outras produções nacionais em cartaz no mesmo momento.
É nesse contexto de renovado interesse pelos mitos gregos que o Màli Teatro realiza, em parceria com o TUSP em São Paulo, a terceira temporada de Não Te Pareço Vivo?, espetáculo inspirado em Electra, de Sófocles. A montagem, dirigida por Marcos de Andrade, é resultado de uma pesquisa iniciada em 2020 e desenvolvida continuamente pelo grupo ao longo dos últimos seis anos.
Foto: Caio Oviedo
Mas por que voltar a Electra agora? A pergunta atravessa o espetáculo. Em Não Te Pareço Vivo?, a história da família dos Átridas, marcada pelo assassinato, pela vingança e pela impossibilidade do esquecimento, é apresentada em paralelo à descrição de uma tragédia ocorrida em uma comunidade não tão distante de nós.
O mito antigo e a experiência contemporânea se encontram em cena. Os rituais fúnebres de um coro de mortos se misturam à obra de Sófocles em um chamado por justiça. Orestes retorna do exílio para vingar a morte do pai, Agamêmnon. Electra, aquela que não esquece, mantém vivo o lamento e a memória do crime.
É a partir dessa tensão que o Màli Teatro investiga a permanência dos mitos trágicos na experiência contemporânea. Vingança, culpa, violência, fidelidade, luto e justiça: os textos trágicos da antiguidade clássica são a manifestação viva, o impulso perene, a materialidade antológica daquilo que cerca e forma nossa existência. A força das obras dos três tragediógrafos mais famosos, Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, está entre outras coisas, na energia e alta voltagem, na precisão, na brutalidade e perfeição do ritmo, na síntese daquilo que conhecemos como dramaturgia, na beleza insuperável do que é dito. Assim como nós, os personagens das tragédias se sentem perdidos, ante a força de movimento do destino. Como nós, têm que lidar com o que sabem e o que não sabem sobre si mesmos. Gritam por justiça, gritam de horror, lidam com a violência sem fim e sem modos e com impulsos “internos” não previstos. A tragédia é um elemento vivo, em constante movimento e em perene diálogo com o nosso consciente e o nosso inconsciente. Como um espelho, também passa a interrogar a maneira como lidamos hoje com aquilo que não conseguimos esquecer.
Foto: Caio Oviedo
“Não Te Pareço Vivo?”, pergunta inscrita no próprio título, torna-se, assim, uma provocação sobre a fronteira entre memória e esquecimento, entre os que permanecem vivos e aqueles que continuam presentes através da lembrança.
Esta temporada é dedicada aos amigos Antônio Carlos de Almeida Campos e Flavio Farinazzo Lorza in memoriam.
FICHA TÉCNICA
Direção: Marcos de Andrade
Elenco: Anísio Serafim, Carol Marques da Costa, Chrystian Roque, Guta Magnani, Luiza Braga e Marcelo Villas Boas
Assistência de direção: André Mourão
Dramaturgia: Màli Teatro
Adaptação Electra de Sófocles: Rogério Guarapiran
Cenografia e figurino: Lívia Loureiro e Màli Teatro
Desenho de luz original: Aline Santini
Adaptação desenho de luz: Gabi Ciancio
Operação de luz: Felipe Mendes
Operação de som: André Mourão
Assessoria de Imprensa: Adriana Monteiro - Ofício das Letras
Fotos: Caio Oviedo
Mídia Social: Marcelo Villas Boas
Vídeo: Frontera Filmes - Tiago Pinheiro e Luiza Rangel
Produção: Chrystian Roque
Arte Gráfica: Anísio Serafim e Comunicação TUSP
Artista visual convidada: Isabella Beneduci
Realização: Màli Teatro
NÃO TE PAREÇO VIVO?
Foto: Caio Oviedo
Temporada: De 10 de setembro a 04 de outubro
Horário: Quinta a Sábado, às 20h | Domingo, às 19h
Local: R. Maria Antônia, 294 - Vila Buarque
Ingressos: Gratuito
Duração: 95 min
Classificação: 14 anos
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