Espetáculo parte de um truque de ilusionismo para discutir o silenciamento das mulheres

"Uma Jaula Para Mulher Bicho" transforma um antigo truque de ilusionismo em metáfora sobre violência, exclusão e a busca por voz

Uma Jaula Para Mulher Bicho

Foto: Inês Munhoz

O que acontece quando um truque de ilusionismo falha e revela aquilo que deveria permanecer escondido? Essa é a imagem que dá origem a "Uma Jaula Para Mulher Bicho", solo escrito e protagonizado por Tâmara Vasconcelos, com direção de Andréas Mendes, que estreia na SP Escola de Teatro. A montagem transforma um antigo número de parque de diversões em uma investigação cênica sobre os mecanismos de silenciamento, exclusão e desumanização das mulheres.

"Uma Jaula Para Mulher Bicho" se passa em um parque de diversões aparentemente abandonado, cuja principal atração promete transformar uma bela mulher em um gorila. O espelho responsável pela ilusão, porém, está sujo, o truque é revelado antes mesmo de acontecer e o público enxerga toda a sua engrenagem. Entre o humor, o absurdo e o desconforto, uma mulher que sempre desejou falar descobre que desconhece o som da criatura em que se tornou. Mais uma vez, permanece em silêncio.

A temporada integra o projeto Livro Performance, contemplado pelo Programa VAI, da Prefeitura de São Paulo, e resulta de uma pesquisa iniciada há cerca de dez anos por Tâmara Vasconcelos. A atriz encontrou na palhaçaria – linguagem com a qual trabalha há 13 anos – o caminho para discutir os lugares historicamente destinados às mulheres e refletir sobre quem pode ocupar o espaço da fala.

Segundo a diretora Andréas Mendes, a imagem da mulher transformada em gorila diante do público questiona os critérios que definem quem é reconhecida como mulher e quem tem sua humanidade validada pela sociedade.

Uma Jaula Para Mulher Bicho

Foto: Inês Munhoz

"A metáfora da mulher transformada em gorila diante do público toca na raiz de um questionamento profundo: o que, afinal, define e valida a existência de uma mulher? "Uma Jaula Para Mulher Bicho" lança luz sobre as engrenagens da desumanização e sobre os pedágios históricos cobrados pelo patriarcado. Mais do que uma transformação física, testemunhamos o desnudar de um ser que tenta compreender quem é quando todas as camadas de violência e expectativa são retiradas”, explica a diretora.

A pesquisa de "Uma Jaula Para Mulher Bicho" dialoga com elementos da performance e da música ao vivo. A trilha sonora original é assinada por Danilo Moura, ator, músico, multi-instrumentista, compositor e produtor musical, vencedor do Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Ator por sua interpretação de Tim Maia no musical Tim Maia – Vale Tudo. A cenografia, construída com materiais recicláveis, remete a uma jaula preparada para uma sessão de terapia coletiva, ampliando a tensão entre confinamento, exposição e escuta.

Ficha técnica: Texto e Atuação – Tâmara Vasconcelos. Direção – Andréas Mendes. Direção Musical e Trilha Sonora Original – Danilo Moura. Figurino – Luis Giuberti. Cenografia – Angela Schoendorfer. Operação de Luz – Marília Campos. Operação de Som – Caio Cassim. Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta. Fotografia – Inês Munhoz. Design Gráfico – Gui Giannetto. Produção – LIRA Produções. Realização – Cia Camelo Urbano.

UMA JAULA PARA MULHER BICHO

Uma Jaula Para Mulher Bicho

Foto: Inês Munhoz

Temporada: 15 de agosto a 13 de setembro
Horário: Sábados, às 21h | Domingos, às 18h
Local: Praça Roosevelt, 210 – Centro
Ingressos: R$30,00 (inteira) | R$15,00 (meia)
Duração: 50 minutos
Classificação: 14 anos

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