Artistas assumem novos lugares na cena e reúnem no palco duas experiências teatrais

"Rita 9.11" e "Abysmo" estabelecem um diálogo inesperado em temporada no Teatro Pyndorama

Abysmo

Abysmo | Foto: Gustavo A Amat

Duas artistas com trajetórias consolidadas nas artes cênicas assumem, pela primeira vez, novos lugares diante do público. De um lado, Sonia Sobral, que depois de mais de três décadas dedicada à gestão, pesquisa e curadoria, troca o lugar de quem acompanha e pensa a criação artística pelo de quem está em cena, e estreia como performer em "Rita 9.11". De outro, Alessandra Queiroz, atriz com mais de 20 anos nos palcos, protagoniza "Abysmo", seu primeiro solo realizado na Cia Antropofágica, grupo conhecido por seus trabalhos com grandes elencos. As duas experiências chegam ao palco no mesmo dia e em sequência, e partem de inquietações pessoais e políticas para investigar a memória, a palavra, a informação e a própria presença cênica.

A estreia acontece no Teatro Pyndorama, com "Rita 9.11", seguida de "Abysmo". O público pode assistir a apenas uma das obras ou às duas apresentações, que têm 30 minutos de intervalo entre si. Cada espetáculo tem cerca de 40 minutos e há desconto no ingresso para quem optar pela sessão dupla.

Rita 9.11

Rita 9.11 | Foto: Cacá Bernardes - BrutaFlorFilmes

Ao colocar duas mulheres em cena, cada uma a partir de sua própria trajetória, "Rita 9.11" e "Abysmo" estabelecem um diálogo inesperado. Sonia Sobral parte de uma memória pessoal e de décadas acompanhando a criação de outros artistas para descobrir o que significa criar com o próprio corpo. Alessandra Queiroz, por sua vez, parte da experiência de uma atriz e da trajetória de uma companhia marcada pelo coletivo para experimentar a cena em sua forma mais concentrada.

No espetáculo "Rita 9.11" Sonia Sobral transforma uma experiência que permaneceu guardada por cerca de 20 anos em matéria artística. Com dramaturgismo de Dinah de Oliveira e direção de Alice Nogueira, a palestra-performance parte de uma viagem de ônibus entre o interior de Goiás e Brasília. Durante o trajeto noturno, Sonia testemunhou o momento em que Rita, uma mulher que viajava com três filhos, entrou em colapso. Entre o Brasil das instituições e o Brasil vivido à margem delas, a cena permaneceu na memória da artista até encontrar, duas décadas depois, uma forma de chegar ao palco.

Abysmo

Abysmo | Foto: Gustavo A Amat

É a partir dessa lembrança que "Rita 9.11" aproxima duas trajetórias: a da própria Sonia, que percorreu os 27 estados brasileiros na construção de programas nacionais de artes cênicas para o Rumos Itaú Cultural, e a de Rita, que encontra em uma dessas inúmeras viagens pelo país. A experiência se transforma em autoficção e coloca também em cena uma questão que atravessa a trajetória profissional da artista. O que acontece entre a ideia de um trabalho artístico e aquilo que finalmente chega ao palco?

Na sequência, Alessandra Queiroz assume o palco em "Abysmo", seu primeiro na Cia Antropofágica, coletivo reconhecido por suas criações com grandes elencos. Com direção de Thiago Reis Vasconcelos que também assina a dramaturgia em conjunto com a atriz, o espetáculo parte de uma questão aparentemente simples – o que significa falar e contar alguma coisa para alguém? – para investigar as transformações provocadas pela circulação da informação e pelo desaparecimento gradual da narração como experiência compartilhada.

A montagem coloca em relação textos de autores como Agnes Heller, Licofron, Silvia Federici e Walter Benjamin com documentos, autobiografia, leitura e experiência teatral. A palavra aparece como matéria central de um espetáculo que procura pensar como informação e conhecimento atravessam a vida cotidiana, a cultura, o trabalho, a técnica e as relações sociais.

Ficha Técnica "Rita 9.11": Texto e Performance – Sonia Sobral. Dramaturgismo – Dinah de Oliveira. Direção – Alice Nogueira. Produção – Luiza Alves.

Ficha Técnica "Abysmo": Em cena – Alessandra Queiroz. Dramaturgia – Alessandra Queiroz e Thiago Reis Vasconcelos. Roteiro – Thiago Reis Vasconcelos. Direção – Thiago Reis Vasconcelos. Codireção – Flávia Ulhôa. Assistência de Direção – Renata Adrianna. Cenário – Flávia Ulhôa e Thiago Reis Vasconcelos. Figurino – Ruth Melchior. Iluminação – Zernesto Pessoa. Operação de Iluminação e Sonoplastia – Gustavo A Amat e Zernesto Pessoa. Produção – Flávia Ulhôa. Realização – Companhia Antropofágica.

RITA 9.11 e ABYSMO

Rita 9.11

Rita 9.11 | Foto: Cacá Bernardes - BrutaFlorFilmes

Data: 12, 13, 14, 21 e 28 de setembro
Horário: Sábado e Segunda, [19h30 Rita 9.11 | 20h30 Abysmo] | Domingo [18h Rita 9.11 | 19h Abysmo]
Local: Rua São Domingos, 224 – Bela Vista
Ingressos: Para um espetáculo - R$30,00 (inteira) | R$15,00 (meia) | Para os dois espetáculos - R$40,00 (inteira) | R$20,00 (meia)

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