Premiado musical “A Igreja do Diabo” retorna aos palcos de São Paulo em outubro

Inspirado no conto de Machado de Assis, espetáculo transforma as contradições da moral humana em uma comédia musical pop

A Igreja do Diabo

Foto: Divulgação

Depois de uma primeira temporada marcada pela repercussão entre público e crítica e por mais de dez indicações a importantes prêmios do teatro e do humor, “A Igreja do Diabo – Um Musical Imoral e Hilário” retorna aos palcos de São Paulo para uma curtíssima temporada em outubro, no Teatro Estúdio. Inspirada no conto homônimo de Machado de Assis, a montagem escrita, dirigida e musicada por Guilherme Gila revisita a provocação criada pelo autor no século XIX a partir de uma linguagem contemporânea, combinando humor, filosofia moral, música pop brasileira e coreografias de linguagem queer para colocar em cena as contradições entre virtude, vício, desejo e comportamento social.

Realizado pela A Casa que Fala, o espetáculo original estreou em São Paulo em 2023 e construiu uma trajetória de reconhecimento que incluiu os prêmios de Melhor Musical Off no Prêmio Bibi Ferreira e Dramaturgia Original para Guilherme Gila no Prêmio Destaque Imprensa Digital, além de Melhor Musical Off e Atriz Revelação para Edyelle Brandão entre os Destaques do Ano de Miguel Arcanjo Prado. A montagem também chegou ao Prêmio PRIO de Humor com indicações para Edyelle, em Melhor Performance, e para a própria produção, reconhecida pela qualidade da concepção e realização do musical independente.

Publicado originalmente no século XIX e posteriormente reunido no livro Histórias sem Data, de 1884, “A Igreja do Diabo” parte de uma premissa provocadora: cansado de exercer seu ofício sem organização, regras ou doutrina própria, o Diabo resolve fundar uma igreja. A partir da inversão entre virtudes e pecados, Machado de Assis constrói uma narrativa que expõe as contradições do comportamento humano e coloca em xeque a capacidade das pessoas de permanecerem inteiramente fiéis a qualquer sistema moral.

É dessa provocação machadiana que Guilherme Gila parte para transportar a discussão para o presente. Na versão musical, a Diaba decide criar sua própria religião e, pouco a pouco, conquista seguidores com uma doutrina na qual praticar maldades é incentivado e ser uma boa pessoa se torna o maior dos defeitos. Apresentados aos chamados “sete ditados capitais”, os novos fiéis abraçam as regras e começam a transformar o mundo em um lugar cada vez pior. Mas, como já propunha Machado em seu conto, a natureza humana logo se mostra mais contraditória do que qualquer doutrina é capaz de prever.

A filosofia moral atravessa a montagem sem abandonar o humor. “A Igreja do Diabo” explora as fronteiras entre aquilo que uma sociedade estabelece como moral ou imoral por meio de uma sonoridade inspirada no universo pop e de uma linguagem coreográfica queer. A escolha dialoga com expressões artísticas protagonizadas por mulheres, pessoas pretas e integrantes da comunidade LGBTQ+, grupos cujos comportamentos, corpos e manifestações artísticas foram, historicamente, submetidos a diferentes formas de julgamento moral.

À frente da criação está Guilherme Gila, responsável pela direção geral, dramaturgia e músicas do espetáculo. O trabalho marca mais um encontro do artista com a obra de Machado de Assis no teatro musical: Gila também é o responsável pela direção musical, composições e letras de “Dom Casmurro”, outra premiada adaptação do clássico machadiano para os palcos. Em “A Igreja do Diabo”, a direção musical é de Samir Alves e as coreografias são assinadas por Gabriella Medeiros. A equipe criativa conta ainda com cenografia de Laís Damato, cenotécnica de Isis Patacho, desenho do vitral de Pietro Di Pompeii, desenho de luz de Fran Barros e figurinos de Graziela Bastos. Rebeca Reis assina a produção executiva, Dan Maschio responde pela identidade visual e Anne Beatriz, pelas artes gráficas.

Com realização da A Casa que Fala, “A Igreja do Diabo – Um Musical Imoral e Hilário” reencontra o público apostando no diálogo entre um dos grandes nomes da literatura brasileira e uma linguagem cênica contemporânea. Mais de um século depois da publicação do conto, a provocação permanece atual: afinal, seria a humanidade capaz de seguir à risca uma religião em que a principal regra é ser mau?

FICHA TÉCNICA:

Elenco: Edyelle Brandão, Giovana Brandão, Olivia Lopes, Raphael Mota, Aron Luiz e Rupa Figueira
Direção geral, dramaturgia e música: Guilherme Gila
Direção musical: Samir Alves
Coreografia: Gabriella Medeiros
Cenografia: Laís Damato
Cenotécnica: Isis Patacho
Desenho do vitral: Pietro Di Pompeii
Desenho de luz: Fran Barros
Figurino: Graziela Bastos
Produção executiva: Rebeca Reis
Assessoria de imprensa: GPress Comunicação
Identidade visual: Dan Maschio
Artes gráficas: Anne Beatriz
Realização: A Casa que Fala

A IGREJA DO DIABO

Temporada: 05 a 27 de Outubro
Horário: Segundas e Terças, às 20h
Local: Rua Conselheiro Nébias, 891 – Campos Elíseos
Ingressos: R$ 120,00 (inteira) | R$ 60,00 (meia-entrada) | Comprar ingressos
Duração: 80 minutos
Classificação: 12 anos

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