Apresentação integra a programação que marca a reinauguração da torneira pública da travessa
Foto: Divulgação
A água que corre sob o concreto de São Paulo ganha trilha sonora. O coletivo (se)cura humana realiza, na Travessa Roque Adóglio, na Vila Anglo Brasileira, o encontro musical Se(cura com água), com participação do Banzeiro Derradeiro, projeto de Zimbher. Gratuita e ao ar livre, a apresentação encerra o projeto Torneira: Mobilização pela Água, que desde agosto promove encontros entre arte, música, meio ambiente e participação comunitária.
A apresentação integra a programação que marca a reinauguração da torneira pública da travessa, abastecida por uma nascente existente na região. O espaço, que vem sendo ocupado por artistas e moradores desde 2017, se transforma mais uma vez em palco para uma experiência musical fora dos circuitos tradicionais de apresentação.
Em se(cura com água), o coletivo (se)cura humana transforma questões relacionadas à água, à cidade e ao colapso ambiental em música, presença e celebração pública. A ação reúne canções de Zimbher e Felipe Chacon, que também assina a direção musical, com arranjos de Rodrigo Zanettini e vocais de Flavio Barollo e Luiza Abe. Participam ainda Felipe Julian, Matheus Caitano, Glauber Bento e Jackie Cunha.
Na sequência, Banzeiro Derradeiro, de Carlos Zimbher, apresenta um formato intimista de voz e violão a partir do universo da terceira parte da trilogia Ópera Urbe. Entre canções, narrativa e presença cênica, o trabalho aborda temas como preconceito, fanatismo religioso, lutas de classe e as tensões da vida contemporânea.
O encontro propõe uma relação direta entre música e território. A Travessa Roque Adóglio abriga uma nascente que abastece uma torneira pública utilizada pela comunidade e alimenta um pequeno lago com peixes e plantas aquáticas. Sob o piso da região também corre o Córrego Água Preta, um dos cursos d'água ocultados pelo processo de urbanização paulistano.
Para Flavio Barollo, cofundador do (se)cura humana, ocupar a travessa com música é uma maneira de aproximar o público de uma presença da natureza que costuma passar despercebida na paisagem urbana. “A música tem essa capacidade de criar encontro. Quando fazemos uma apresentação em torno de uma nascente, em um espaço cotidiano da cidade, queremos que as pessoas possam perceber aquele território de outra maneira. A água está ali, a música está ali, e a comunidade também”, afirma.
O projeto Torneira: Mobilização pela Água chega ao fim depois de seis encontros que reuniram artistas, pesquisadores, ambientalistas, lideranças comunitárias e moradores para discutir rios urbanos, regeneração, direito à água e à cidade, justiça socioambiental, memória e agricultura urbana.
Ficha técnica: Idealização – (se)cura humana e Ocupação Travessa. Produção – Corpo Rastreado. Apoio – Condô Cultural e Instituto Formigueiro. Realização – Governo do Estado de São Paulo e Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, em parceria com o mandato do Deputado Estadual Guilherme Cortez.
TORNEIRA: MOBILIZAÇÃO PELA ÁGUA
Foto: Divulgação
Data: 5 de setembro
Horário: Sábado, 15h às 20h
Local: Travessa Roque Adóglio s/nº – Vila Anglo Brasileira, São Paulo
Ingressos: Gratuito
Classificação: Livre
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