Em "Cardíaco Cardinal – Um Poema Cênico", o coletivo reúne teatro, música ao vivo, dança e projeções em uma narrativa sobre identidade e pertencimento
Foto: Bernoch
Combinando teatro, música executada ao vivo, dança e projeções visuais em uma história que acompanha uma pessoa desde o nascimento até a vida adulta, o Coletivo Ópera Urbe completa 10 anos com um novo trabalho, Cardíaco Cardinal – Um Poema Cênico, que estreia em setembro, no Espaço Cênico Ademar Guerra do Centro Cultural São Paulo (CCSP). Com direção de Marcos Damigo e dramaturgia, músicas e direção musical assinadas por Carlos Zimbher, a obra é construída entre memórias, descobertas, desejos, perdas e experiências com a arte, abordando temas como identidade, pertencimento e amor.
A trama é um relato ficcional construído em quadros musicais e poéticos e acompanha a trajetória de um indivíduo desde o nascimento, durante o êxodo de seus pais, passando pela infância, pela descoberta da sexualidade, pelo encontro transformador com a arte, pelas perdas que marcam a vida adulta e pelo difícil processo de amadurecimento. O espetáculo convida o público a percorrer uma paisagem afetiva onde memória, sonho, desejo e identidade se entrelaçam.
O elenco é formado por Kaique Theodoro, Legina Leandro, Madá Rocco, Tricka Carvalho e Warner Borges, com música ao vivo executada por Juma Passa, Vênus Garland e o autor Carlos Zimbher. A criação reúne artistas de diferentes gerações, trajetórias e identidades, reafirmando um dos princípios do Coletivo Ópera Urbe: a diversidade como força criativa e elemento estruturante da cena. A proposta se reflete tanto na composição do elenco e da equipe quanto na própria trajetória do coletivo, que, ao longo de dez anos, vem desenvolvendo uma pesquisa baseada na pluralidade de corpos, experiências e perspectivas.
Foto: Bernoch
Para a criação, Damigo ressalta que a ideia é criar uma experiência sensorial em que cenário, figurino, imagens e movimento ampliem aquilo que nasce da dramaturgia. “A encenação parte da natureza poética e subjetiva do texto e busca expandir esse universo pelo corpo, pela música e pelas visualidades. As projeções dialogam com referências da cultura brasileira dos anos 1960 e 1970, especialmente a contracultura, as artes visuais, Secos & Molhados e a poesia concreta. A ideia é brincar também com a palavra projetada, explorando como sua forma pode interferir no sentido, ao mesmo tempo em que imagens e depoimentos ajudam a construir esse universo e a criar um espelho para as experiências do público”.
A concepção visual integra cenário e figurino a partir de materiais descartados e objetos não convencionais, reconfigurados para assumir novas funções em cena. A proposta prevê que roupas, adereços e elementos cenográficos se misturem, criando uma estrutura visual em constante transformação. A cenografia é assinada por Andreas Guimarães, o figurino por Vi Silva, o desenho de luz por Matheus Brant e as projeções por Santo Bezerra.
A música ocupa lugar central em Cardíaco Cardinal – Um Poema Cênico, com as canções acompanhando diferentes momentos da trajetória do personagem retratado na obra. Originalmente composta para o espetáculo e executada ao vivo, a trilha se integra à dramaturgia e ao trabalho dos atores, reunindo bateria, guitarra, baixo, viola caipira, teclado, elementos eletrônicos e vozes. Entre as canções estão Todos os Sexos, Faíscas Afáveis, Arrazoado, Pulsar, A Mulher dos Meus Sonhos, Recalque, Achados e Perdidos, Flanando e Desatar.
“Tenho chamado essa escrita de canção dramatúrgica. A música e o texto se misturam, vão juntos e um contamina o outro. Às vezes, a música vem primeiro e, a partir dela, nasce o texto; em outras situações, acontece o contrário. As composições atravessam temas como a descoberta dos sexos e das identidades, o encontro com a arte, o desejo, as experiências e relações, a repressão, as perdas e a tentativa de viver sem amarras”, conta Zimbher.
A passagem da rua para a sala fechada marca uma nova etapa na trajetória do Coletivo Ópera Urbe. Depois de trabalhos voltados aos conflitos sociais vividos coletivamente no espaço urbano, a nova montagem desloca a pesquisa para um território mais íntimo. No Espaço Cênico Ademar Guerra, conhecido como “Porão” do CCSP, a própria arquitetura favorece uma relação mais próxima entre cena e público, criando condições para uma experiência mais imersiva.
Ficha Técnica
Realização – Coletivo Ópera Urbe. Direção – Marcos Damigo. Texto, Músicas e Direção Musical – Carlos Zimbher. Direção De Produção – Vi Silva. Elenco – Kaique Theodoro, Legina Leandro, Madá Rocco, Tricka Carvalho e Warner Borges. Musicistas – Juma Passa e Vênus Garland. Figurino – Vi Silva. Cenografia – Andreas Guimarães. Visagismo – Fábia Mirassos. Vídeos – Santo Bezerra. Desenho De Luz – Matheus Brant. Assistência e operação de luz: Filipe Batista. Preparação Corporal – Jorge Garcia. Arranjo e Preparação Vocal – Gabriel Sobreiro. Técnico De Som – Éder Sousa. Designer Gráfico – Léo Akio. Produção Executiva – Giulia Lira. Ass. De Produção – Sofia Augusto. Produção Administrativa – Gustavo Sanna. Social Media – Leila Haddad. Fotografia - Bernoch. Assessoria De Imprensa – Renato Fernandes
CARDÍACO - CARDINAL - UM POEMA CÊNICO
Foto: Bernoch
Temporada: 16 a 27 de setembro
Horário: Quarta a Sábado, às 19h30 | Domingo, às 18h30
Local: Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso
Ingressos: Grartuito | Distribuição por ordem de chegada
Duração: 60 minutos
Classificação: Livre
Sábados sessão extra também às 17h30
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