Círculo de Atores encena espetáculo solo que coloca Bernard Shaw em história envolvendo algoritmos e redes sociais

Montagem "A Impossível Versão Moderna da Paixão" traz para o cenário dos algoritmos a chamada 'dissonância de Pilatos' — o eterno choque entre a conveniência do poder e a busca pela justiça.

A Impossível Versão Moderna da Paixão

Foto: Ronaldo Gutierrez

Explorando o universo das redes sociais e algoritmos, o solo "A Impossível Versão Moderna da Paixão" estreia no O Andar. Com direção de Nicolas Caratori, a trama coloca em cena uma blogueira, interpretada por Priscilla Olyva, que, inserida na cultura do ressentimento e das simplificações das redes sociais, confronta-se com a visão de mundo proposta por Jesus, a partir de textos de Bernard Shaw (1856-1950).

Em cena, uma influenciadora digital constrói, ao vivo e para seus seguidores, a defesa da aniquilação do outro: a ideia de que certos “elementos perigosos” precisam ser eliminados para o bem da ordem. Vídeos, comentários e um discurso que sorrateiramente evolui do humor para a doutrina. Mas, para sustentar esse argumento até o fim, ela é obrigada a convocar seu contraponto mais radical: Jesus, reencenando, diante de Pilatos, o julgamento que a história evoca há dois mil anos: insurreição, blasfêmia e a verdade versus as conveniências das razões de Estado.

Inspirada nos prefácios de On the Rocks e Androcles e o Leão, de Bernard Shaw, a montagem traz para o cenário dos algoritmos a chamada 'dissonância de Pilatos' — o eterno choque entre a conveniência do poder e a busca pela justiça. Ecoando as reflexões do autor, o espetáculo expõe como a verdade é sacrificada sempre que o sistema precisa eleger um culpado.

A Impossível Versão Moderna da Paixão

Foto: Ronaldo Gutierrez

“Entre o feed e o fórum, entre o meme e o Evangelho de João, a peça monta e desmonta o mesmo dilema que atravessou Roma e as fogueiras da Inquisição e persiste, até hoje, em qualquer debate sobre a barbárie e intolerância com o outro. No texto, Shaw entende que Jesus revolucionou o mundo por meio de uma mensagem de paz, desapego e perdão e afirma que não tivemos a coragem e a capacidade de segui-lo. Há dois mil anos, o mundo dos endinheirados e dos poderosos escolhe seguir Barrabás”, conta Nicolas Caratori.

A montagem integra o projeto contemplado pela 45ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo e reafirma o compromisso da companhia com a difusão da obra de Shaw no Brasil, aliando pesquisa, democratização de acesso e ações de formação de público.

FICHA TÉCNICA | A partir da obra de Bernard Shaw. Concepção/Encenação: Nicolas Caratori. Elenco: Priscilla Olyva. Elenco de apoio e movimentação de elementos: Bianca Contin e Samuel Kobayashi. Diretor Assistente: Caio Pedrosa. Tradução: Thiago Ledier e Sergio Mastropasqua. Adaptação: Caio Pedrosa e Luana Frez. Cenografia: Fernando Passetti. Sonoplastia: Alexandre Martins. Pesquisa e Criação de Vídeo: Lara Lazaretti. Figurinista (criação e costura): Yass Santos. Iluminação: Nicolas Caratori. Assistência e Operação de luz: Bianca Contin. Operação de som: Valdilho Oliveira. Operação de vídeo: Caio Pedrosa. Fotografia: Ronaldo Gutierrez. Design Gráfico: Thiago Balbi. Mídias Sociais: Naísa Marques. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Direção de Produção: Selene Marinho. Equipe de Produção: André Roman / Teatro de Jardim, Nicolas Caratori, Patricia Pichamone, Sergio Mastropasqua, Caio Pedrosa e Bianca Contin. Supervisão e Produção de Figurino: André Roman. Consultoria Teórica: Rosalie Rahal Haddad. Realização: Círculo de Atores. ACESSIBILIDADE: Tradução em Libras: Fabiano Campos. AUDIODESCRIÇÃO: Cinema Falado e Iuri Saraiva.

A IMPOSSÍVEL VERSÃO MODERNA DA PAIXÃO

A Impossível Versão Moderna da Paixão

Foto: Ronaldo Gutierrez

Temporada: 18 de agosto a 23 de setembro
Horário: Terças e Quartas, às 20h
Local: Rua Dr. Gabriel dos Santos, 88 - Santa Cecília
Ingressos: R$40,00 (inteira) | R$20,00 (meia) | Comprar ingressos ingressos
Duração: 60 minutos
Classificação: 16 anos

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