Na trama, Deus, assolado pela depressão que o persegue nos últimos dois mil anos, decide fazer terapia e espera que a psicóloga Ana o ajude.
Foto: Caio Oviedo
A química entre os atores, o texto na ponta da língua e o timing imprimido durante os ensaios já revelavam o que está por vir. Bianca Bin e Ségio Guizé tiravam proveito do trajeto de carro de Indaiatuba até a Capital – eles moram no Interior - para decorar o texto da peça. A completa sintonia entre os atores poderá ser conferida na peça Meu Deus!, com estreia no Teatro das Artes.
A obra da dramaturga israelense Anat Gov tem adaptação de Jorge Schussheim, tradução de Eloísa Cantom, versão brasileira de Célia Regina Forte, direção de Elias Andreato, figurino de Fábio Namatame, iluminação de Wagner Pinto e cenário de Rebeca Oliveira. Na trama, Deus (Sérgio Guizé), assolado pela depressão que o persegue nos últimos dois mil anos, decide fazer terapia e espera que a psicóloga Ana (Bianca Bin) o ajude. Um texto espirituoso, com diálogos ágeis e verdadeiros, mesmo que aparentemente improváveis. Plateias do mundo inteiro surpreendem-se, riem, compactuam, torcem e, finalmente, se emocionam com essa sessão de terapia.
Foto: Caio Oviedo
Ana (Bianca Bin) é uma psicóloga que vive uma rotina marcada por tensões pessoais: ela é mãe solo de Paulo, um filho adulto com autismo, e lida diariamente com os desafios emocionais dessa relação. Certo dia, recebe um telefonema urgente e misterioso de alguém que insiste em se consultar com ela imediatamente. Esse paciente, que se identifica apenas como “D”, revela-se nada menos que Deus — o Criador (Sérgio Guizé). Ele está profundamente deprimido. Sentindo-se responsável pela “criação” que, segundo Ele, fugiu ao controle, Deus admite pensar no suicídio, tomado pela desesperança diante da humanidade e de tudo aquilo que se tornou. Ana tem apenas uma sessão para ajudar Deus a ver sentido novamente, a encontrar forças para continuar enfrentando o mundo.
A peça entrelaça humor, emoção e questionamentos teológicos e existenciais. A história, embora pareça fantasiosa, aproxima o espectador através do diálogo com temas universais: culpa, fé, responsabilidade, abandono, esperança.
O Deus de Sérgio Guizé é humanizado, deprimido e com um humor ácido. “Às vezes até meio agressivo. Ele está em crise, tentando digerir os rumos do mundo e as próprias escolhas que fez nos últimos dois mil anos". Sobre como usar a leveza e o humor do texto sem esvaziar a gravidade de um personagem que cogita o suicídio, Sérgio diz: “A inteligência do texto já nos dá esse equilíbrio. O humor aqui não serve para mascarar a tragédia, mas para torná-la suportável. A leveza é o que nos permite mergulhar em um tema tão denso sem perder o fôlego”.
Foto: Caio Oviedo
Terapeuta brilhante, mãe solo, ateia, sobrevivente de um casamento falido e dos desafios de uma maternidade exaustiva - assim Bianca enxerga sua personagem. “Ela acredita profundamente na razão, na ciência e na escuta, até que surge o maior desafio de sua carreira: receber Deus como paciente em seu consultório.” A mistura de força e vulnerabilidade da Ana encanta a atriz. “É uma mulher que cuida de todos, mas que também carrega suas próprias feridas e questionamentos.”
Conhecida pelo público em geral pelas protagonistas dramáticas que tem interpretado nas novelas de TV, a atriz rompe com este estereótipo para viver uma mulher exausta, que representa a "resistência humana" e precisa encarar Deus no divã. “Para mim, a próxima personagem é sempre o maior desafio, justamente por representar o desconhecido. Existe sempre um mistério a ser desvendado, e isso é o que mais me instiga na profissão. A Ana me convida a mergulhar em questões humanas muito profundas, e isso é especialmente estimulante".
FICHA TÉCNICA
Texto Anat Gov. Adaptação: Jorge Schussheim.
Tradução: Eloísa Canton.
Versão: Célia Regina Forte.
Direção: Elias Andreato.
Elenco: Bianca Bin, Sérgio Guizé e Enzo Morente.
Cenário: Rebeca Oliveira.
Figurino: Fábio Namatame.
Iluminação: Wagner Pinto.
Música: original Jonatan Harold.
Designer Gráfico: Vicka Suarez.
Fotos: Caio Oviedo.
Assistente de Direção: Zé Guilherme Bueno.
Assessoria de Imprensa: Fernanda Teixeira e Maurício Barreira – Arte Plural Comunicação.
Produtoras: Selma Morente e Célia Forte.
Lei Rouanet. Patrocínio Laboratório Cristália.
Realização Ministério da Cultura, Governo do Brasil do lado do povo brasileiro.
MEUS DEUS!
Foto: Caio Oviedo
Temporada: 24 de julho a 1 de novembro
Horário: Sextas e Sábados, às 20h | Domingos, às 17h
Local:
Ingressos: De R$ 25,00 a R$ 160,00
Duração: 80 minutos
Classificação: 12 anos
Siga o Canal Tadeu Ramos no Instagram
Comentários
Postar um comentário