Discutindo poder, destino e verdade, o espetáculo cruza Édipo Rei, de Sófocles, com o pensamento de Michel Foucault em uma encruzilhada urbana.
Foto: Ana Clara Prado
O que acontece quando Édipo Rei, de Sófocles, encontra Michel Foucault em uma encruzilhada da cidade? Em nova temporada gratuita em teatros públicos de SP, Hello, Édipo (Panóptico/Foucault) convida o público, pela Cia Veneno do Teatro, a atravessar um território cênico em que tragédia, filosofia, poesia urbana e insurreição se misturam.
Partindo de Édipo Rei, uma das obras fundadoras do teatro ocidental, a montagem desloca o mito para um ambiente de confinamento, motim e vigilância permanente. Aqui, Édipo é o investigador e o investigado, o juiz e o réu, o soberano e sua ruína. A tragédia grega ganha novas camadas ao ser atravessada pelas reflexões de Michel Foucault sobre poder, controle, verdade e formas jurídicas.
Em cena, um grupo de atores amotinados toma o espaço e faz do público reféns para contar sua própria versão da história. Em meio a uma encruzilhada urbana, com o semáforo em pane e Foucault tentando consertar a ordem impossível, a peça transforma o palco em tribunal, labirinto e campo de batalha. O resultado é uma experiência cênica intensa, onde o clássico e o contemporâneo se enfrentam sem mediação.
Foto: Ana Clara Prado
A encenação combina metateatro, rap, poesia, imagens em vídeo, referências filosóficas e visualidade urbana, criando uma atmosfera que evoca os mitos ocultos dos guetos, das ocupações e das zonas de conflito da cidade. O espetáculo convoca o público não apenas a assistir, mas a se implicar: quem vigia, quem julga, quem fala, quem pode dizer a verdade?
Mais do que recontar a história de Édipo, a montagem propõe uma reflexão contundente sobre a condição humana, os dispositivos de poder e os destinos que seguimos sem perceber. Em um tempo marcado por controle, exposição e colapso das certezas, Hello, Édipo (Panóptico/Foucault) devolve ao teatro sua potência de rito, risco e pensamento.
FICHA TÉCNICA
DIREÇÃO E ADAPTAÇÃO DRAMATÚRGICA: Bartholomeu de Haro
ELENCO: José Sampaio, Sol Faganello, Silvio Restiffe, Elen Londero, Rodrigo Fregnan, Bartholomeu de Haro, Darília Ferreira, Ted O’Rey e Marina Soveral
CENÁRIO: J. C. Serroni
ILUMINAÇÃO: Guilherme Bonfanti
FIGURINOS: Telumi Hellen
CARACTERIZAÇÃO: Westerley Dornellas
SONOPLASTIA: André Omote, Felipe Silotto e Bartholomeu de Haro
CENOTÉCNICO: Alício Silva
ASSISTENTE DE FIGURINO: Natália Munck
ASSISTENTES DE CENOGRAFIA: Bruno Torato e Caio Rosa
ADERECISTAS: Douglas Vendramini e Mirela Macedo
OPERADOR DE LUZ: Emerson Fernandes
OPERADOR DE SOM: André Teles
FOTOGRAFIA: Ana Clara Prado
TÉCNICO DE PALCO: Marcelo Luís
PREPARAÇÃO CORPORAL: Christiane Lopes
DESENHO "DEATH OF OEDIPUS": Ian de Haro
DESIGN GRÁFICO: Henrique Mello
MARKETING E MÍDIAS SOCIAIS: Onze06
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Elen Londero e De Haro Produções Artísticas
REALIZAÇÃO: Cia Veneno do Teatro, Instituto Caleidos e Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativa do Estado de São Paulo
HELLO, ÉDIPO (PANÓTICO/FOUCAULT)
Foto: Ana Clara Prado
Temporada: 31 de julho | 01, 02, 07, 08, 09, 14, 15* e 16 de agosto
Horário: Sextas e Sábados, às 20h | Domingos, às 18h30
Local: Alameda Nothmann, 1058 - Campos Elíseos
Ingressos: Gratuito | Reserve
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Duração: 80 minutos
Classificação: 12 anos
*Sessão do dia 15 de agosto será às 17h
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