Espetáculo encerra trilogia de peças "Ensaios Sobre a Morte", composta ainda por "Relicário Inventado" e "Epitáfio"
Foto: Tomás Franco
Inspirado em casos reais de adoção, Jabuticaba Nasce no Tronco, novo trabalho da Cia. EmVersão, com direção, texto e idealização de Bernardo Fonseca Machado, tem sua temporada de estreia em junho, no Teatro Alfredo Mesquita. O espetáculo é estrelado por Barroso, Fábia Mirassos, Jennifer Souza, Rodrigo de Castro e Vitória Cortez.
O trabalho, que aborda o fim de vínculos antigos e o nascimento de novos laços, encerra a trilogia Ensaios sobre a Morte, que ainda contou com os trabalhos Relicário Inventado (2011), sobre a partida do outro; e Epitáfio (2013/2014), sobre a morte em si. Cada uma dessas obra é atravessada por um verbo que orienta dramaturgia, encenação e atuação: na primeira, a ação era “inventar” a memória; no segundo, “escolher” o próprio fim; e, agora no novo espetáculo, “costurar” histórias, raízes e pertencimentos.
Foto: Tomás Franco
Ambientado entre os anos de 1990 e 2008, na cidade de São Paulo, Jabuticaba Nasce no Tronco acompanha a trajetória de quatro crianças órfãs — Bento, Ifigênia, José e Miuza — que chegam juntas à casa de acolhimento de Maria, uma senhora viúva que recebe crianças para garantir sua subsistência. Após um período de convivência e algumas visitas de casais interessados em adotar, cada uma delas segue para um destino diferente. Dezoito anos depois, os quatro se reencontram em um velório, momento em que precisam revisitar suas histórias e lidar com a busca por suas origens.
Cada personagem representa um aspecto da experiência adotiva. Maria, figura central, é inspirada em mulheres que atuaram informalmente como cuidadoras nas décadas de 1980 e 1990. Bento é uma criança que sofre a troca de nome ao ser adotado por um casal de classe média alta, o que desencadeia uma crise de identidade. Ifigênia é deixada pela avó e depois devolvida pela família adotiva que buscava apenas uma criança de “companhia”. José nasce de uma gravidez indesejada e encontra afeto apenas após desencontros. Miuza é retirada da mãe pelo Estado e adotada por um pai solo que valoriza a educação.
Foto: Tomás Franco
Assim, o espetáculo aborda as expectativas das crianças e as experiências que enfrentam: o luto pelo fim das relações familiares originais, a dificuldade com os novos vínculos, suas fantasias, os desejos de parentalidade, a relação com a herança biológica, as ações de apagamento das famílias de origem, o surgimento de novas famílias (multirraciais, monoparentais) e a busca pelas origens.
A encenação tem como eixo simbólico o tecido — elemento que sintetiza a representação das relações afetivas no universo da adoção. Pensando os vínculos familiares como uma trama de fios, a montagem parte da ideia de que o afeto pode ser costurado, mas também pode ser rompido, cortado ou desfeito. A adoção, nesse contexto, é compreendida como um gesto de unir partes distintas por meio de uma costura, que tanto pode formar um laço quanto um nó — frouxo ou apertado, simples ou complexo, que conecta ou tensiona os sujeitos envolvidos.
O texto transita entre o diálogo e a narração, promovendo um jogo cênico em que passado e presente se interpelam, isto é, uma cena cotidiana narrada em 1990 assume um significado áspero sob um diálogo ocorrido em 2008 e vice e versa.
Foto: Tomás Franco
A peça dialoga com os preceitos de consolidação do ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente e nasce do desejo de Bernardo Fonseca Machado de criar um trabalho que refletisse a perspectiva de quem viveu a experiência da adoção. Inclusive, o próprio autor e diretor, que é pretendente à adoção, tem pesquisado o tema desde 2018, tendo feito cursos de formação de instituições como o GAASP (Grupo de Apoio à Adoção em São Paulo),/span> e o Tribunal de Justiça de São Paulo.
O espetáculo faz parte de um projeto contemplado pela 21ª Edição do Prêmio Zé Renato — Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.
Ficha Técnica
Texto, Direção e Idealização: Bernardo Fonseca MachadovElenco: Barroso, Fábia Mirassos, Jennifer Souza, Rodrigo de Castro e Vitória Cortez
Musicistas em cena: Gago e Sérgio Wontroba
Trilha Sonora: Guti Vellutini
Consultoria musical: Fernando Growald
Cenário: Andreas Guimarães
Figurino: Kleber Montanheiro
Costureira: Mariluce Constantina
Iluminação: Lui Seixas
Assistente de iluminação: Júlia Fávero
Design gráfico: Renan Marcondes
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Fotos: Tomás Franco
Direção de produção: Paula Malfatti
Audiodescrição: Ver com Palavras
Roteiro e narração: Lívia Motta
Consultoria: Roseli Garcia
Libras: Verena Teixeira e Rive Agra
Estágio: Larissa Alves da Silva
Administração: La Do B Educação e Artes
Gestão: Malfatti Paciência em Ato
Apoio: Teatro do Célia e Oficina de Atores Nilton Travesso
JABUTICABA NASCE NO TRONCO
Foto: Tomás Franco
Temporada: 25 de junho a 12 de julho de 2026**
Horário: Quinta a Sábado, às 20h | Domingos, às 19h
Local: Av. Santos Dumont, 1770 - Santana
Ingressos: Gratuito | Distribuídos uma hora antes de cada sessão
Duração: 130 minutos
Classificação: 10 anos
- **Por conta dos jogos confirmados da Seleção Brasileira de futebol na Copa do Mundo FIFA 2026, não haverá apresentação, caso a seleção avance para as oitavas e quartas de finais, nos dias: 5/7(oitavas) e qua 9/7 ou 11/7 (quartas - a depender da classificação da seleção)
- Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Dia 27 de junho haverá libras e audiodescrição com visita tátil
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