Com living “Arquivo Vivo” inspirado na atmosfera de Nova York dos anos 1960 e 1970
Foto: Salvador Cordaro
Entre memórias, luzes e referências que atravessam décadas, Felipe Saurin faz sua estreia na CASACOR São Paulo 2026 com um ambiente que revela muito mais do que estética. Em “Arquivo Vivo”, living de 68m² criado para a mostra, o arquiteto transforma lembranças, sensações e repertórios culturais em uma narrativa espacial que equilibra razão e emoção, em sintonia com o tema desta edição, “Mente e Coração”.
A primeira participação de Felipe na CASACOR marca também um momento simbólico em sua trajetória profissional. O projeto parte de três cenários culturais de Nova York, cidade que marcou o início de sua carreira, e propõe um ponto de transição em que a elegância estruturada dos anos 1960 se dissolve na liberdade dos anos 1970. Pensado como uma experiência imersiva, o ambiente conduz o visitante por diferentes atmosferas, contrastes e sensações.
Foto: CASACOR São Paulo 2026
A entrada, escura e espelhada, faz referência ao Studio 54: brilho, reflexo e a ideia de libertação estética. Ao atravessar a cortina, o espaço se abre em luz natural, revestida em madeira e com proporção modernista, remetendo aos interiores de escritórios sofisticados dos anos 60, como os retratados em Mad Men.
Essa base mais rígida é suavizada por uma abordagem sensorial inspirada em Halston: texturas, luz difusa, superfícies contínuas e percursos fluidos. Soma-se a isto a influência do apartamento de Yves Saint Laurent em Paris, principal referência no desenvolvimento sensorial das cores presentes no projeto.
A materialidade combina madeira quente, mobiliário baixo e modulação racional com elementos mais expressivos, como o tapete em estampa animal, veludos escuros e geometrias marcantes (losangos, planos inclinados e espelhos).
Foto: CASACOR São Paulo 2026
A biblioteca integrada aos painéis amadeirados, executados em altura mais baixa que o pé-direito, reforça a sensação de acolhimento e escala humana, enquanto a obra em inox em formato de losango e a lareira retangular desenhadas pelo escritório ampliam a força gráfica da composição.
O rigor das linhas é equilibrado por elementos mais expressivos, como o tapete de tigre inspirado nas estampas de Luigi Bevilacqua e o bar revestido em pergaminho, referência ao trabalho sofisticado de Jacques Adnet. Veludos escuros, espelhos e geometrias marcantes completam a atmosfera do ambiente. A sustentabilidade aparece na valorização da luz natural e na escolha de materiais duráveis e atemporais, como madeira e fibras naturais.
Dentro desse contexto, o tema aborda a mente como estrutura e racionalidade do espaço, e o coração como experiência sensorial e expressão. “Participar da CASACOR sempre foi um sonho muito presente para mim, desde criança. Poder viver isso agora, logo no início da minha trajetória, é uma realização enorme. Me sinto muito honrado e feliz por fazer parte de uma mostra tão importante e espero que as pessoas consigam entrar nesse universo que tentei criar, entendendo as referências e vivendo essa experiência de forma sensorial”, afirma Felipe Saurin.
Sobre Felipe Saurin
Foto: Arquivo Pessoal
Arquiteto e designer, Felipe Saurin desenvolve projetos guiados pelo estilo de vida de cada cliente, criando ambientes com forte identidade e personalidade. Seu trabalho se destaca pela mistura de épocas, cores e texturas, especialmente influenciado pelas décadas de 1950 a 1970, sempre buscando unir sofisticação, conforto e acolhimento.
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