Inspirado na linguagem do boxe e na figura do icônico Muhammad Ali, "Nocaute" estreia no Sesc Pinheiros
Com texto de Ronaldo Fernandes e direção de Helena Cardoso, o espetáculo aborda os afetos interditos de uma masculinidade negra em ruínas
Foto: Noelia Nájera
Referência por expressar a complexidade da identidade negra, a figura do lendário pugilista estadunidense Muhammad Ali (1942-2016) inspira a criação da peça Nocaute, idealizada e estrelada por Felippe Salve e Ronaldo Fernandes. O espetáculo da Cia. Trilha de Teatro, dirigido por Helena Cardoso, tem sua temporada de estreia no Sesc Pinheiros.
Inspirado nas linguagens do boxe e do teatro contemporâneo, Nocaute é um duelo à espera de um jantar, entre o que se sente e o que se cala. Trata-se de um espetáculo que aborda masculinidades em colapso, sentimentos reprimidos e a coragem de permanecer em pé mesmo depois do último soco.
Foto: Noelia Nájera
O projeto nasce do desejo de Felippe Salve e Ronaldo Fernandes de investigar a poética do 'quase' — esse território de incompletudes onde desejos, afetos e decisões permanecem em suspenso.
“Nossa vontade era compreender o que nos impede de avançar. O trabalho surge desse olhar para as nossas próprias fragilidades que se depararam, inevitavelmente, com a masculinidade de dois homens pretos, e para o vazio que, muitas vezes, atravessa as nossas vivências”, afirma Ronaldo Fernandes.
Foto: Noelia Nájera
Nesse percurso, a trajetória de Muhammad Ali surge como referência de força e deslocamento. “Ali nos ensinou que o afeto é um gesto político. Para nós, esta peça é sobre ter a coragem de ser vulnerável e reivindicar o amor que, historicamente, nos foi negado por um mundo que sempre tentou nos endurecer”, completa Felippe.
Caio e Miguel, dois homens negros, encontram nessa figura masculina e na trajetória histórica do boxeador uma possibilidade de se reconhecerem plenamente — em seus desejos, em suas sexualidades e na forma como vivenciam a homoafetividade.
Muhammad Ali foi mais do que um boxeador lendário; seu impacto na comunidade preta, especialmente em relação à masculinidade, é profundo e significativo.
Foto: Noelia Nájera
“A referência a essa figura inspira a criação não apenas de uma história de luta e superação, mas também de uma ode à resiliência e a busca pela identidade. É também uma forma de explorar a complexidade da identidade negra e da auto aceitação desses personagens” cita Ronaldo Fernandes, autor do texto.
Ficha Técnica
Idealização: Felippe Salve e Ronaldo Fernandes
Dramaturgia: Ronaldo Fernandes
Direção: Helena Cardoso
Elenco: Felippe Salve e Ronaldo Fernandes
Músico e Produtor Musical: Gustavo Souza
Direção de Movimento: Ana Vitória Bella
Cenografia: Caio Marinho
Figurino: Rogério Romualdo
Desenho de Luz: Letícia Nanni
Assistente técnica de Luz: Isabel Violante
Produção: Cia Trilha de Teatro
Coordenação de Produção: Felippe Salve e Ronaldo Fernandes
Produção Executiva: Thais Cabral
Tecnico de som: Fabiano Kari
Cenotécnico: Gustavo Lara
Fotos: Noelia Nájera
Redes Sociais: Celso Bandarra
Designer Gráfica: Keila Gondim
Filmagem: Rodrigo Portela
NOCAUTE
Foto: Noelia Nájera
Temporada: 11 de junho a 11 de julho
Horário: Quintas a Sábados às 20h30 | Feriados às 18h
Local: Rua Paes Leme, 195, Pinheiros
Ingressos: R$50,00 (inteira) | R$25,00 (meia-entrada) | R$15 (credencial plena)
Duração: 70 minutos
Capacidade: 100 lugares
Classificação: 14 anos
- Dia 19 de junho não haverá sessão
- Dias 26 de junho, 03 e 10 de julho, sessões às 16h e às 20h30
- Sessões com LIBRAS: Dias 26 e 27 de junho
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