Espetáculo premiado "Língua" reflete sobre a nossa dificuldade de comunicação

Encenado em português e em LIBRAS - com direção de Vinicius Arneiro - peça estreia no Sesc Consolação

Língua

Foto: Renato Mangolin

Língua, peça dirigida por Vinicius Arneiro e idealizada por ele em parceria com Filipe Codeço, acompanha uma festa de aniversário surpresa de uma mãe para o filho surdo. Criada em português e em LIBRAS, ela discute os limites da convivência entre diferentes formas de perceber o mundo. Após passar pelos palcos do Rio de Janeiro com sucesso e de fazer apresentações na MITsp - Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, em 2025, o espetáculo faz sua primeira temporada paulista no Teatro Anchieta do Sesc Consolação.

Com texto de Pedro Emanuel e Vinicius Arneiro, o trabalho foi vencedor do Prêmio Shell - edição carioca - na categoria dramaturgia em 2025. O elenco é formado por Erika Rettl, Filipe Codeço, Jhonatas Narciso, Luize Mendes Dias e Ricardo Boaretto. Ricardo, o protagonista, é um ator surdo e dos quatro atores ouvintes, três são sinalizantes fluentes na língua brasileira de sinais (LIBRAS).

Língua

Foto: Renato Mangolin

Na trama, uma mãe prepara uma festa de aniversário para seu filho surdo que cresceu rodeado de pessoas ouvintes. O encontro, que reúne um pequeno grupo de amigos do rapaz, revela afetos, mas também dilemas e a diferença cultural entre eles. O tema, aparentemente simples, se desdobra em uma investigação sobre linguagem, tradução e afeto.

Durante a celebração, os personagens estão apenas tentando conversar normalmente. O público ouvinte acompanha a narrativa a partir do olhar de Félix, personagem que não domina LIBRAS e depende da mediação dos outros para compreender as conversas. “A peça fala justamente desse descompasso entre sentir algo e conseguir expressar”, afirma Arneiro. “Percebi que a peça não era apenas sobre Libras e português. Ela começou a tocar numa questão mais profunda: a dificuldade humana de comunicação”, completa.

Língua

Foto: Renato Mangolin

A criação nasceu do desejo de construir uma ficção em que espectadores surdos pudessem se reconhecer emocionalmente em cena, e não apenas acessar uma obra por meio do recurso da acessibilidade, ou seja, de uma tradução.

“Nosso trabalho promove a inclusão no sentido mais pleno da palavra, porque promovemos a equidade linguística. Não usamos intérpretes de LIBRAS em cena, porque o espetáculo é encenado em duas línguas. Ouvintes e não ouvintes conseguem prestar o mesmo nível de atenção nas cenas: não precisam escolher entre olhar para o intérprete ou para a ação. Ou seja, o envolvimento emocional é muito maior”, coloca o diretor.

Ao mesmo tempo, Língua não tem a surdez como seu tema principal. Aos poucos, a festa revela camadas mais profundas da relação entre mãe e filho, marcada por afeto, superproteção e atitudes capacitistas muitas vezes involuntárias. “A peça também olha para essas relações atravessadas por dependência emocional e pelo desejo de proteção”, comenta.


A trilha sonora marcada é por frequências graves, pensadas também a partir da experiência vibracional da música para pessoas surdas; o cenário de Julia Deccache fez uma proposta realista, remetendo a uma casa. Da mesma maneira, o figurino assinado por Julia Vicente contribui para conferir veracidade àqueles personagens.

Mesmo assim, a peça está no limite entre o ordinário e o extraordinário. “Por acontecer em uma festa, um momento em que as pessoas estão mais soltas e consumindo álcool, estamos sempre na iminência de que algo fora do comum vai acontecer”, acrescenta.

FICHA TÉCNICA

Direção: Vinicius Arneiro
Dramaturgia: Pedro Emanuel e Vinicius Arneiro
Elenco: Erika Rettl, Filipe Codeço, Jhonatas Narciso, Luize Mendes Dias (Caju Ribeiro/Stand-in) e Ricardo Boaretto.
Direção de Produção: Juracy de Oliveira
Intérprete LIBRAS/Português e Transcriação: Lorraine Mayer
Interlocução Dramatúrgica: Catharine Moreira
Interlocução Gestual: Laura Samy
Diretora Assistente: Dominique Arantes
Cenário: Julia Deccache
Direção Musical: Felipe Storino
Iluminação: Daniela Sanchez
Figurino: Julia Vicente
Arte Gráfica: Pedro Colombo
Produção Executiva: Híbrida Arte e Cultura - Lindsay Castro Lima e Mariana Mantovani
Assistente de Produção: Laura Lapadula
VJ: Dominique Arantes
Operação de Luz: Felipe Antello e Matheus Espessoto
Operação de Som: Stephanye Correa e Lays Somogyi
Cenotecnia: Djavan Costa
Assistência de Cenotecnia: Giovanna Guadanholi
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto Comunicação
Fotografia: Renato Mangolin
Idealização: Filipe Codeço e Vinicius Arneiro

LÍNGUA

Língua

Foto: Renato Mangolin

Temporada: 05 a 28 de junho
Horário: Quinta a Sábado, às 20h | Domingos, às 18h
Local: Rua Dr. Vila Nova, 245 - Cosolação
Ingressos: R$60,00 (inteira) | R$30,00 (meia entrada) | R$18,00 (credencial plena)
Duração: 70 minutos
Classificação: 16 anos

  • Dias 13 e 19 de junho não haverá sessões
  • Sessões em horários diferenciados: Dias 12 e 26 de junho, às 15h

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