Versão brasileira tem direção de João Fonseca e desnuda as contradições das relações afetivas contemporâneas.
Foto: Caio Gallucci
Sucesso de público na América Latina, o espetáculo Uma Semana, Nada Mais estreia nova temporada no Teatro Nair Bello, em São Paulo, em julho.
A montagem é uma adaptação da comédia francesa de Clément Michel, que já foi vista por mais de 400 mil pessoas em países como Argentina, Uruguai e Chile. No Brasil, a versão tem direção de João Fonseca, tradução de Priscilla Squeff e reúne no elenco Julianne Trevisol, Leandro Luna e Beto Schultz. A produção é da Viva Cultural e Zero Grau Filmes.
Na trama, Pablo (Leandro Luna) pede ao seu melhor amigo Martín (Beto Schultz) que vá morar com ele e sua namorada Sofía (Julianne Trevisol). O objetivo é claro: desestabilizar a relação para provocar o fim do namoro. O plano se estende por uma semana – tempo suficiente para expor fragilidades, egoísmos e contradições dos três personagens. A convivência forçada serve de pano de fundo para discutir os limites dos relacionamentos afetivos contemporâneos, por meio do humor. A encenação aposta no riso como meio de provocar reflexão sobre o modo como construímos – e desmontamos – nossas relações interpessoais.
Foto: Caio Gallucci
Para João Fonseca, que assina a direção, o interesse pela peça veio do modo como a trama se desdobra. “A forma surpreendente e divertida de como vai se desenrolando a história foi o que mais me atraiu”, comenta.
Ele destaca ainda a importância do equilíbrio entre comicidade e desconforto. “Trabalhamos o ritmo cômico aproveitando ao máximo as situações propostas, para que o humor surja naturalmente, sem exageros.”
Responsável pela tradução e adaptação do texto, Priscilla Squeff destaca que a versão brasileira partiu da montagem argentina, o que aproximou o ritmo da comédia do nosso repertório cultural. “Tive que localizar algumas referências, atualizando situações para que ressoassem com o público brasileiro sem perder o espírito original da peça. O maior desafio é ajustar o tempo cômico: os contrapontos verbais precisavam funcionar no nosso ritmo.”
Foto: Caio Gallucci
Nesse processo, o ponto de partida foi confiar nos personagens. “Eles são humanos, falhos, exagerados — e justamente por isso, engraçados. A ideia é preservar o humor, mas sem se descuidar da camada crítica: a dificuldade de comunicação nos relacionamentos, o medo do confronto, os jogos de poder afetivo. Acredito que o público vai rir de si mesmo, do amigo, do ex, daquele momento constrangedor que todos já viveram ou ouviram falar."
Para o ator Leandro Luna, o espetáculo levanta questões sobre padrões afetivos e relações sociais. “Todos nós nos encaixamos em um tipo de padrão de relacionamento. A peça apresenta de forma explicita, caraterísticas que se enquadram nesses padrões e nos fazem refletir sobre como estamos nos relacionando nos dias de hoje, em como reagimos ao lidar com os nossos medos e inseguranças, e o quanto conseguimos ser verdadeiros nas nossas relações.”
Foto: Caio Gallucci
Já Beto Schultz destaca a importância da confiança. “Acho que a reflexão que fica é que a verdade se prova, mais uma vez, peça essencial para qualquer relação, seja ela de amizade, profissional ou amorosa. Muitas vezes tomamos importantes decisões sem pensar e refletir o que pode causar problemas difíceis de resolver.”
João Fonseca também reflete sobre a conexão entre o texto original e o público brasileiro: “A peça traz questões universais a respeito das relações amorosas, de fácil identificação em qualquer lugar do mundo, e por isso seu sucesso. Acredito que o talento e o timing de comédia dos atores brasileiros vai potencializar ainda mais essa comédia.”
UMA SEMANA, NADA MAIS
Foto: Caio Gallucci
Temporada: De 24 de julho a 16 de agosto
Horário: Sextas e Sábados, às 20h | Domingos, às 18h
Local: R. Frei Caneca, 569 - 401A - Consolação
Ingressos: R$100,00 (inteira) | R$ 50,00 (meia) |
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Duração: 75min
Classificação: 14 anos
- SESSÃO COM ASSESSIBILIDADE EM LIBRAS: 09 de agosto, às 18h
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