Montagem dá corpo a uma sequência de situações que expõem relações atravessadas por ruídos, tensões e desencontros
Foto: Nil Caniné
Pequenas histórias com um, dois ou mais personagens se sucedem em ritmo vertiginoso, apresentando pessoas que se estranham mutuamente, não conseguem se comunicar e vivem numa busca incessante por se protegerem umas das outras. A dinâmica conduz O Homem Decomposto, espetáculo de Matéi Visniec, com direção de Ary Coslov, que estreia em maio, no Auditório do Sesc Pinheiros, onde segue em temporada até junho.
Em cena, Andrea Dantas, Dani Barros, Júnior Vieira, Marcelo Aquino e Mario Borges dão corpo a uma sequência de situações que expõem relações atravessadas por ruídos, tensões e desencontros, estruturadas a partir de quadros curtos que se encadeiam ao longo da montagem.
Foto: Nil Caniné
Numa história, vemos cidadãos que, para garantir sua tranquilidade e segurança, chegam a se isolar dentro de estranhos círculos invisíveis onde nenhuma outra pessoa pode penetrar. Em outra, a cidade é tomada por uma invasão de borboletas carnívoras que ameaçam a população. Há ainda a história da empresa que oferece serviços de lavagem cerebral para libertar as pessoas dos seus sofrimentos. Ou do senhor que anda pelas ruas com seu animalzinho de estimação que somente se sacia comendo pessoas, o que não causa estranhamento, a não ser cócegas, na mulher que está sendo devorada.
Mesmo em plena distopia, a poesia se faz presente em momentos em que os personagens, diante dos estranhos acontecimentos, conseguem se conectar com a natureza, refletir sobre o divino e a sua existência, falar do amor. Tudo ao mesmo tempo.
Assim se sucedem, diante dos olhos do público, os flashes dessa sociedade de um tempo indeterminado que pode ser o futuro. Não sabemos. Entre o humor e o susto, entre a poesia e o cinismo, se desenham as metáforas deste mundo imaginado por Visniec, que em muitos aspectos se parece bastante com o atual.
Foto: Nil Caniné
“Matéi Visniec é um dos dramaturgos mais importantes da atualidade. Escrito em 1993, O Homem Decomposto é um de seus textos mais importantes, não só por conta de sua estrutura criativa como também por sua atualidade surpreendente, falando de coisas que abalam a vida do ser humano nos dias de hoje, embora tenha sido escrito há mais de 30 anos. Dirigir essa peça, com um elenco de primeira linha, me deixa muito feliz e faz com que eu me sinta um privilegiado, por poder dirigi-la nesse momento tão especial da história da humanidade.”, celebra o diretor, Ary Coslov.
Ficha técnica: Texto: Matéi Visniec. Tradução: Luiza Jatobá. Direção: Ary Coslov. Elenco: Andrea Dantas, Dani Barros, Júnior Vieira, Marcelo Aquino e Mario Borges. Figurino: Wanderley Gomes. Desenho de Luz: Aurélio de Simoni. Direção de Movimento e Preparação Corporal: Lavinia Bizzotto e Alexandre Maia. Trilha Sonora: Ary Coslov. Assistente Trilha Sonora: Gabriel Fomm. Assistência de Direção: Johnny de Castro. Diretor de cena: Fabio Lima Batista. Op. luz: Lucas JP Santos. Op. som: Gabriel Fomm. Programador Visual: Isio Ghelman. Fotografia: Nil Caniné. Mídias Sociais: Rafael Gandra. Produção Executiva: Augusto Vieira. Direção de Produção: Celso Lemos.
O HOMEM DECOMPOSTO
Foto: Nil Caniné
Temporada: De 7 de maio a 6 de junho
Horário: Quinta a sábado, às 20h30
Local: R. Paes Leme, 195 - Pinheiros
Ingressos: R$ 50,00 (inteira) | R$ 25,00 (meia entrada) | R$ 15,00 (credencial plena)
Duração: 70 min
Classificação: 14 anos
- Dia 22 e 29 de maio, sessões às 16h e às 20h30
- Dia 04 de junho, sessão às 18h
- Dia 05 de junho,sessões às 18h e 20h30
- Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.
Siga o Canal Tadeu Ramos no Instagram
Comentários
Postar um comentário