Solo surgiu a partir de um ataque homofóbico sofrido por Dugin e seu namorado durante uma missa de sétimo dia
Foto: Nil Caniné
Sucesso de público e de crítica, com uma temporada de estreia esgotada em março, a peça “Hétero Sigilo” volta segue em cartaz no Teatro Glaucio Gill. No palco, o ator Bernardo Dugin reflete sobre heteronormatividade, violência simbólica e o custo psicológico de viver sob pactos de silêncio. Em sua estreia como dramaturgo, o artista revisitou uma experiência pessoal de violência LGBTQIAPN+ para construir uma reflexão íntima, sensível e contundente sobre os mecanismos sociais que exigem disfarce, performance e apagamento como forma de sobrevivência.
“Hétero Sigilo” surgiu a partir de um ataque homofóbico sofrido por Dugin e seu namorado durante uma missa de sétimo dia em Nova Friburgo (RJ), em 2023. O episódio teve repercussão nacional e tornou o padre responsável réu por racismo qualificado, em um processo que discute os limites entre liberdade religiosa, liberdade de expressão e discurso de ódio. O Ministério Público do Rio de Janeiro também solicitou indenização por danos morais coletivos à causa LGBTQIAPN+, reconhecendo o impacto simbólico e social da violência.
Foto: Nil Caniné
Vivendo anos sob a máscara de um personagem hétero que ele mesmo criou, Dugin constrói um relato íntimo e potente sobre os pactos que fazemos para caber na sociedade. A peça expõe como a heteronormatividade ensina a mentir, performar e se aprisionar e aponta caminhos possíveis de coragem e pertencimento. “O espetáculo não é sobre assumir uma orientação sexual. É sobre o que a gente precisa esconder para continuar existindo sem ser punido por isso. A violência não começa no soco; começa no silêncio que a sociedade nos obriga a manter”, afirma Dugin.
Antes de chegar ao teatro, “Hétero Sigilo” nasceu como um projeto transmídia de escuta e provocação. Durante a Parada do Orgulho LGBTQIAPN+, na Avenida Paulista, foi criada a “Caixa do Sigilo”, uma instalação onde pessoas relataram histórias reais de vidas vividas em anonimato. Em paralelo, o perfil Hétero Sigilo nas redes sociais satirizou situações cotidianas de quem vive sob a lógica do “sigilo”, alcançando quase 5 milhões de visualizações e consolidando o projeto como um fenômeno de engajamento antes mesmo de sua estreia nos palcos.
Foto: Nil Caniné
A direção é assinada por João Fonseca, responsável por sucessos como “Cazuza” e “Minha Mãe é uma Peça”. “O que me interessa em ‘Hétero Sigilo’ é que ele não aponta o dedo, ele expõe um sistema. É uma peça íntima, mas profundamente política, porque fala do preço que se paga para caber numa norma que adoece”, diz o diretor.
A trilha original e a direção musical são de Federico Puppi, cuja música atua como uma camada dramatúrgica contínua, ampliando silêncios, tensões e estados emocionais da cena.
SOBRE BERNARDO DUGIN
Foto: Nil Caniné
É ator, dramaturgo e diretor teatral. É o atual diretor do Grupo TACA, de Nova Friburgo, coletivo com 50 anos de história no teatro fluminense. No teatro, integrou a montagem “Sujeito a Reboque”, de Herton Gustavo Gratto, atuou em “Godspell – O Musical”, com direção de João Fonseca. Foi assistente de direção de Fernando Libonati em “As Cadeiras”, com Camilla Amado e Marco Nanini; e de Sura Berditchevsky na “Ópera do Menino Maluquinho”. Como diretor teatral, destaca-se por “Um Rio Dentro de Mim” (indicado ao Prêmio Rio.Musical) e “Tributo a Benito Di Paula”. No cinema, participou dos longas “M8” e “Deixe-me Viver”, além de curtas exibidos e premiados em festivais: “Baile de Máscaras”, “S2”, “SINAIS”, “Charlotty” e “Lente de Aumento”. Na TV, integrou produções da TV Globo (“Mania de Você”, “Todas as Flores”, “Éramos Seis” e “Em Família”) e da Record TV (“Paulo – O Apóstolo”, “A Rainha da Pérsia”, “Reis”, “Gênesis” e “Jesus”), além das séries “Baile de Máscaras” e “Brasil Imperial”. É professor de teatro e sócio-fundador da produtora O Delirante.
Ficha técnica:
Dramaturgia e performance: Bernardo Dugin
Direção: João Fonseca
Assistente de direção: André Celant
Cenário e figurino: Nello Marrese
Trilha original e direção musical: Federico Puppi
Direção de movimento: Vanessa Garcia
Iluminação: Daniela Sanchez
Identidade visual: Loomi House
Assessoria de imprensa: Catharina Rocha e Paula Catunda
Fotografia: Nil Caniné
Produção: O Delirante Produções
Assistente de produção: Azul Scorzelli
HÉTERO SIGILO
Foto: Nil Caniné
Temporada: Até 29 de maio
Horário: Quintas e Sextas, às 20h
Local: Praça Cardeal Arcoverde, s/n – Copacabana
Ingressos: R$ 70,00 (inteira) | R$ 35,00 (meia) |
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Duração: 75 minutos
Classificação: 18 anos
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