Dirigido por Luiza Shelling Tubaldini, longa adapta graphic novel de Danilo Beyruth, foge dos sustos fáceis e consolida Gabriel Stauffer no cinema
Foto: Reprodução
Por Tadeu Ramos
Esqueça os castelos mal-assombrados, os caixões vitorianos ou o medo secular da luz do dia. O clássico terror de vampiros ganha novo fôlego e um olhar urbano com a estreia de "Love Kills". Dirigida e roteirizada por Luiza Shelling Tubaldini, a adaptação da premiada graphic novel de Danilo Beyruth chega aos cinemas chancelada por sua carreira em festivais internacionais de gênero — como o prestigiado Festival de Sitges (Espanha) e o BIFFF (Bélgica) —, além de ter conquistado o prêmio de Melhor Som no Festival do Rio. O longa promete fazer barulho ao propor uma nova e corajosa visão sobre o mito do vampirismo.
O que chama a atenção logo de início nesta produção nacional é a escolha da ambientação: o centro de São Paulo. À noite, a metrópole ganha ares de diversão, mas também esconde um universo oculto nas sombras, onde clãs de vampiros arriscam-se pelas ruas em busca de suas presas. Jacob Solitrenick, responsável pela direção de fotografia, ousa ao explorar luzes artificiais frias e letreiros de neon vibrantes. O que poderia facilmente cair no clichê estético ganha força dramática através de enquadramentos precisos e uma identidade visual dionisíaca.
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Mas fica a pergunta: é terror? Tem susto?
O horror possui camadas, e "Love Kills" certamente se encaixa em uma das mais refinadas. Sem apelar para jump scares a cada cinco minutos — fórmula desgastada em produções comerciais recentes —, a diretora prefere trabalhar a tensão psicológica e a atmosfera de urgência. A narrativa acompanha o encontro e o romance proibido entre Helena (Thais Lago) e Marcos (Gabriel Stauffer), ganhando contornos de drama existencial sem jamais flertar com a caricatura das comédias românticas. Tubaldini humaniza sua criatura, trazendo uma vampira que luta contra seus próprios desejos e medos enquanto foge de um passado violento que insiste em alcançá-la.
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O grande trunfo de condução do público, no entanto, está em Gabriel Stauffer. Ao interpretar um garçom ingênuo de um café no centro paulistano, o ator atua como a "ancora humana" da história. Sua capacidade de transmitir a vulnerabilidade de um homem comum serve de porta de entrada ideal para o espectador naquele submundo perigoso e enigmático. É uma performance magnética que marca um ponto de virada definitivo em sua carreira, consolidando sua transição das séries de TV para o protagonismo nas telas de cinema.
Outro ponto extremamente positivo e que justifica sua premiação no Festival do Rio são os efeitos visuais e o desenho de som. A sonoplastia enriquece substancialmente as sequências de confronto entre a gangue noturna e Helena, dando peso e crueza à ação.
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Ao preterir o terror comum em prol de uma atmosfera gótica e puramente urbana, "Love Kills" se provou uma grata surpresa nos festivais por onde passou e, agora nas salas comerciais, firma-se como uma alternativa inteligente e estilosa para o audiovisual brasileiro. Vale muito a visita ao cinema.
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