Comédia trágica "El Brasil Destituído" questiona colonização do país e estreia no maio no CCSP

Espetáculo subverte comédia barroca de Félix Lope de Vega y Carpio para questionar os violentos processos coloniais que constituíram o Brasil

El Brasil Destituído

Foto: Mayra Azzi

Em 1625, o espanhol Félix Lope de Vega y Carpio escrevia a mais antiga representação teatral documentada sobre o Brasil, retratando a expulsão dos holandeses de Salvador pela armada luso-espanhola, que reivindicava o verdadeiro direito ao território. Agora, 401 anos depois, a peça El Brasil Destituído, com dramaturgia de Victor Nóvoa em colaboração com o elenco subverte esse texto ao expor como o imaginário colonial ainda ecoa nos modos de representação acerca do Brasil, e invisibilizam as incontáveis violências, que constituem nosso país e perduram até hoje.

O espetáculo tem sua temporada de estreia no Espaço Cênico Ademar Guerra, no Centro Cultural São Paulo (CCSP). Em cena, estão Ailton Barros, João Pedro Ribeiro, Luane Sato, Nilcéia Vicente, Rodrigo Scarpelli e Victor Mota.

El Brasil Destituído

Foto: Mayra Azzi

A visão espanhola de Félix Lope de Vega y Carpio sobre o episódio da invasão holandesa remonta à captura de Salvador pelos holandeses em 9 de maio de 1624 e à expulsão dos mesmos pela armada luso-espanhola menos de um ano depois, em 1º de maio de 1625, cerca de seis meses antes do autor atar os últimos nós de sua trama que mistura personagens verídicos, fictícios e alegóricos em intrigas amorosas, conchavos políticos, batalhas sangrentas e cenas de exotização e fantasia, numa peça de propaganda dos interesses coloniais espanhóis.

A proposta visual e sonora do espetáculo foge do realismo tradicional.O desenho de luz, de Matheus Brant, se utiliza de sombras e imagens projetadas com retroprojetor como recurso dramatúrgico, um outro ponto de vista, numa composição que observa de longe, atravessando os tempos A cenografia de Renan Marcondes e o figurino de Ayomi Domenica dialogam com o conceito de kitsch e de "restauração", utilizando materiais que já carregam marcas de outros usos e revelando os bastidores da própria estrutura teatral. A direção musical de Dagoberto Feliz traz fragmentos de repertórios brasileiros — do folclórico ao radiofônico — que são ativados pelos próprios atores em cena, tratando a ideia de "brasilidade" como um campo em constante disputa.

A encenação busca lidar com os arquivos, sempre desconfiando do que afirmam, e tentando desvendar o que não está neles. A investida cênica, por meio de uma teatralidade fabular, cria zonas de questionamento a partir das seguintes perguntas: Como lidar com documentos históricos em cena? Como evidenciar as estruturas de manutenção da colonialidade na própria linguagem teatral? Como preencher os vazios das narrativas e imagens coloniais? Como ampliar o imaginário sobre o que é ser brasileiro?

Ficha Técnica

Idealização e dramaturgismo: João Pedro Ribeiro
Direção: Fernanda Raquel
Direção de produção: Leonardo Birche
Atuação: Ailton Barros, João Pedro Ribeiro, Luane Sato, Nilcéia Vicente e Rodrigo Scarpelli
Músico convidado: Victor Motta
Dramaturgia: Victor Nóvoa, com colaboração de Ailton Barros, João Pedro Ribeiro, Luane Sato, Nilcéia Vicente e Rodrigo Scarpelli, em fricção com a comédia El Brasil Restituido, de Lope de Vega
Aprendiz: Iacê Andrade
Cenografia: Renan Marcondes
Desenho de luz e projeção: Matheus Brant
Figurino: Ayomi Domenica
Direção musical: Dagoberto Feliz
Direção de movimento: Ana Paula Lopez
Cenotecnia: Matias Arce e Zé Valdir
Costura: Regina Torres e Jonhy Karlo
Assistência de produção: Giovana Carneiro e Tono Guimarães
Design: Fernanda Allucci
Fotografia: Mayra Azzi
Redes sociais: Jorge Ferreira
Assessoria de imprensa: Pombo Correio

EL BRASIL DESTITUÍDO

El Brasil Destituído

Foto: Mayra Azzi

Temporada: 28 de maio a 28 de junho*
Horário: Quinta a Domingo, às 20h
Local: Rua Vergueiro, 1000, Liberdade
Ingressos: Gratuito | Retirada de ingresso nas bilheterias física e digital um dia antes da programação, a partir das 14h
Duração: 60 minutos
Classificação: 14 anos

  • Dia 19 de maio não haverá apresentação
  • Dia 20 de maio: Sessão com interpretação em Libras

Siga o Canal Tadeu Ramos no Instagram

Comentários