Peça que acompanha uma mulher inquieta e curiosa que, não estando mais feliz no lugar onde mora, decide sair pelo mundo.
Foto: Alma Rosales
Com inspiração em contos populares da cultura brasileira, e uma história com o protagonismo e a esperteza feminina, a Cia. Paideia de Teatro estreia seu novo espetáculo infantil, Adivinhona. A montagem tem texto e direção de Ana Luiza Junqueira e a direção musical de Margot Lohn. O elenco conta com Guilherme Felinto, João Figueiredo, Luísa Crobelatti, Rogerio Modesto e Suzana Azevedo.
A narrativa acompanha uma mulher que decide deixar o lugar onde vive e viajar pelo mundo. Na trama, a protagonista acorda e percebe que não cabe mais na casa onde mora. Levando consigo um ovo encontrado no caminho, parte em busca de um novo lugar para viver. Durante a viagem, atravessa diferentes paisagens até decidir trabalhar como adivinha. Com truques e estratégias, conquista reconhecimento popular e é chamada ao palácio do Rei, onde precisa resolver um mistério antes que o tempo se esgote.
A pesquisa partiu da premissa de que os contos populares têm papel importante na formação da identidade cultural, ao mesmo tempo em que podem perpetuar valores e símbolos ligados a narrativas hegemônicas, proposta que a companhia busca questionar. O processo de criação investigou formas imagéticas fora desses padrões narrativos.
“Os contos populares são importantes formadores da nossa identidade cultural e, por isso mesmo, também podem perpetuar injustiças históricas. Por que nos orgulhamos de personagens como João Grilo, Pedro Malasartes, João Teité, Curupira e Saci-Pererê, protagonistas espertos, audaciosos e criativos, mas não associamos mulheres a esses papéis? Condicionar o imaginário é uma forma de opressão porque impede, desde a infância, que outras possibilidades de vida sejam concebidas. Neste trabalho, buscamos revisitar símbolos da cultura popular e romper narrativas que não desejamos perpetuar”, afirma a diretora.
Foto: Alma Rosales
Luísa Crobelatti interpreta a protagonista. “Dar vida a uma personagem feminina que usa a inteligência e a sagacidade como características centrais é uma oportunidade de apresentar às crianças outras possibilidades de representação feminina. A Adivinhona desafia estruturas impostas e brinca com ideias tradicionalmente associadas ao feminino”, conta a atriz.
As músicas acompanham a história por meio das canções e dos sons presentes em cena. “Todos os elementos serviram de inspiração para as composições, desde a textura dos objetos e as projeções até as cores e os personagens que percorrem a história. Os sons remetem a diferentes lugares e gêneros musicais. Todo o processo foi desenvolvido em conjunto com a criação do espetáculo, dentro e fora do palco”, ressalta Margot Lohn, diretora musical.
A construção da mise-en-scène explora os contrastes e as atmosferas dos ambientes e personagens. Enquanto a protagonista está andando pelas ruas, ela vive com muitas pessoas diferentes e descobre o mundo. E no momento em que ela é levada para dentro do castelo, existe uma hierarquia, os móveis são grandes, mas ela é um pouco pequena diante de tudo, sempre tem um centro que é o rei de todos. O lado visual conta um viés mais monocromático com o bege e o branco no castelo. Fora deste local, a população é mais diversa, cheia de cores e sons. A cultura popular está presente com o uso de materiais como redes e tecido de chita.
“A ideia é trabalhar a sensação dessa oposição. O que é estar em um lugar popular, onde as pessoas convivem e falam ao mesmo tempo, lugar em que não se vê uma hierarquia e existe uma multiplicidade, diferente de um espaço onde tudo está muito pré-estabelecido, as regras são fixadas, o centro é uma pessoa”, finaliza Ana Luiza Junqueira.
FICHA TÉCNICA:
Texto e Direção: Ana Luiza Junqueira
Direção Musical e Composições: Margot Lohn
Elenco: Guilherme Felinto, João Figueiredo, Luísa Crobelatti, Rogerio Modesto e Suzana Azevedo
Arranjos e Sonoplastia: Margot Lohn e Rogerio Modesto
Canções originais: Margot Lohn
Musicistas: Margot Lohn e Rogerio Modesto
Figurino e adereços: Clau Carmo
Costureira: Salete André
Confecção de pintinho e galo: Kazumi Kimura
Iluminação: Rogerio Modesto
Assistente de iluminação: Guilherme Felinto
Projeção: Hans Marin
Cenografia: Ana Luiza Junqueira
Técnico de som: Yuri Mercante
Operação de luz e projeção: Daniel Anacleto, Pedro Ramona e Viti Machado
Assistente de produção: Raquel Cristine Souza
Arte gráfica: Giovanna Guimarães
Fotografia: Alma Rosales
Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes
Realização: Cia. Paideia de Teatro e Instituto Mahle
Agradecimentos: Aglaia Pusch, Dimas Felinto, Kelvin Tertuliano, Sandra Crobelatti, Irene Junqueira Marin, João Junqueira Marin.
Agradecemos às crianças da EMEF Carlos de Andrade Rizzini e aos jovens, crianças e professores dos Núcleos de Vivência Teatral da Paideia, que estiveram presentes no processo de montagem.
ADIVINHONA
Foto: Alma Rosales
Temporada: De 13 de junho a 12 de julho
Horário: Sábados, às 16h | Domingos, às 11h
Local: R. Darwin, 153. Jardim Sto Amaro
Ingressos: R$40,00 (inteira) | R$20,00 (meia)
Duração: 70 minutos
Classificação: 10 anos
- Entrada gratuita para alunos de escolas públicas e suas famílias, crianças e jovens das Casas de Acolhimento e escolas parceiras*
- *Escolas parceiras: EMEF Carlos de Andrade Rizzini, CEMEI Andaguaçu, CEI Jd. São Joaquim, EE Odete Maria de Freitas e EE Prof. Marcia Aparecida da Silva Farias Ries.
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