Espetáculo provoca uma identificação territorial com a beleza da cena dramática, o teatro existindo nas bordas e nas bordas encenadas
Foto: David Rodrigues
Em maio, estreia a peça Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo no Céu Três Pontes em Guarulhos. O espetáculo segue em turnê depois, Cidade Tiradentes, Santo André e Teatro Arthur Azevedo. Dramaturgia e Direção Cênica de Laís Cafari.
Nitrido significa Ato de Relinchar e esse nome não foi escolhido à toa. Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo nasce da periferia, das margens e é na borda que a encenação acontece.
Foto: David Rodrigues
Laís Cafari fez uma ampla pesquisa sobre a alimentação na periferia, com foco em sua região, no Jardim Romano, onde a falta de tempo e dinheiro dificulta a ingestão de alimentos frescos e feitos na hora, como frutas, verduras, legumes e a absorção maior de ultraprocessados, mais baratos e mais práticos para o consumo. Também as frutas, verduras e legumes que chegam na periferia nem sempre tem o mesmo aspecto que bairros nobres.
No palco, os atores retratam os cavalos com uma intensa coreografia em meio aos alimentos, caixas de feira, objetos de locomoção.
O EU corpo- humano, tem uma forte presença de cena, assim como o corpo-cavalo ambos sendo revezado por todes atuadores do drama, assim como as luzes brincando com o que é o atuador, o que é o cavalo e o que é o público. O lugar do “palco” será o centro, ocupado por lixos em montanhas no breu, que apenas é revelado no segundo ato. A ocupação do espaço é uma composição com a dramaturgia, pois a estética e o território é o próprio drama encenado. Encenamos as margens periféricas não só em palavras, mas com os rappers, mandando a letra ao vivo, os tambores, o trompete, o corpo negro e indígena, a pele exposta, a pichação.
Foto: David Rodrigues
Essa justificativa está sendo narrada, pois a vivenciadora em pesquisa territorial tomou para si a própria narrativa. "Cavalo" é uma dramaturgia que deriva da vida e o olhar sobre ela. Como se aprende com a rua: não é possível trabalhar sozinho. Assim, a montagem dessa peça possibilitou juntarmos narrativas com vozes ativas, sendo de fato a própria voz, o corpo em cena a estrutura do drama, da música, a estética, o figurino, a produção, a direção. Nos juntamos como potências para criar e falar de políticas, de direitos, de territórios roubados, e de terrenos semeados.
Ficha técnica
Dramaturgia e Direção Cênica: Laís Cafari.
Assistente de direção: Lúcia Kakazu.
Elenco: Abraão Kimberly, Dante Preto, Janderson Fundação, Jefferson Silvério, João Carlos.
Coordenação de Produção: Trinity.
Assistente de produção: Jessica Oliveira.
Provocação corporal: Verônica Corpo Santos, Nina Giovelli , Rafael Oliveira Coreografa: Claudiana Honório.
Preparação corporal: Gisele Calazans.
Preparação vocal: Tâmara David.
Contrarregra: Folha.
Cenografo: Wanderley Wagner da Silva.
Figurinista: Mara Carvalho.
Designer: Melissa Centurion.
Nutricionista: Melissa Tarrão.
Acessibilidades: Regiane Eufrausino.
Fotógrafo: David Rodrigues
Assessoria de Imprensa: Miriam Bemelmans
NITRIDO OU A DRAMATURGIA DE CAVALO
Foto: David Rodrigues
MAIO
Data: 13 e 14 de maio
Horário: Quarta e Quinta
Local: Rua Capachós, S/N - Jardim Celia
Ingressos: Gratuito
Duração: 90 minutos
Data: 15 de maio
Horário: Sexta
Local: Rui Barbosa, 12 - Santa Terezinha, Santo André
Ingressos: Gratuito
Duração: 90 minutos
Data: 29 de maio
Horário: Sexta
Local: Rua Numa Pompilio, S/N - Conj. Hab. Barro Branco II – Cidade Tiradentes
Ingressos: Gratuito
Duração: 90 minutos
JUNHO
Data: 12 e 14 de junho
Horário: Sexta, às 21h | Domingo, às 18h
Local: Av. Paes de Barros, 955 - Alto da Mooca
Ingressos: Gratuito
Duração: 90 minutos
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