"Cidades Invisíveis", uma farsa inspirada na obra de Italo Calvino, estreia no Teatro Arthur Azevedo

Espetáculo interpretado por Gúryva Portela e Claudio Carneiro tem dramaturgia e direção de Marcelo Romagnoli

Cidades Invisíveis

Foto: Ana Lu

O espetáculo Cidades Invisíveis estreia no Teatro Arthur Azevedo. Com direção e dramaturgia assinadas por Marcelo Romagnoli, trata-se de uma comédia farsesca, livremente inspirada na obra do escritor italiano e Prêmio Nobel, Italo Calvino (1926-1985).

O enredo mostra o encontro do famoso viajante Marco Polo (Gúryva Portela) - que na montagem é um ambulante que carrega um cinematógrafo com imagens das cidades por onde passou - com o antigo imperador da Mongólia, o poderoso Kublai Khan (Claudio Carneiro).

A encenação de Romagnoli faz uma ponte ente os desertos orientais com um Brasil profundo para recontar, metaforicamente, o livro de Calvino. Para tanto, a concepção de lança mão do metateatro, colocando a ação dentro de um espaço circense.

Cidades Invisíveis

Foto: Ana Lu

O tom da palhaçaria marca a encenação. Os atores investem na linguagem farsesca para criar um espetáculo acessível para o público de qualquer idade. Gúryva Portela é artista pernambucano com vasta experiência no teatro popular. Claudio Carneiro também tem larga vivência na palhaçaria, egresso do Cirque du Soleil onde atuou por 15 anos.

A música - criação original da compositora e rabequeira Renata Rosa - entrelaça o deserto tuaregue com a raiz do nordeste brasileiro. A cenografia de Zé Valdir Albuquerque, artista de forte veia popular, também se configura entre as duas estéticas: ao mesmo tempo que situa a história em um ambiente rústico das paisagens de areia, coloca os personagens em um picadeiro mambembe, envoltos na fantasia do circo-teatro.

As projeções em vídeo das Cidades Invisíveis, construídas por Um Cafofo (André Grynwask e Pri Argoud), remetem ao cinema mudo, mostrando as vilas fantásticas que Marco Polo presumivelmente visitou quando atravessou o mundo na Idade Média.

Cidades Invisíveis

Foto: Ana Lu

A peça equilibra humor e poesia, filosofia e brincadeira, mantendo a essência reflexiva da obra original, mas traduzida para uma experiência teatral viva e contemporânea. Em tempos de excesso de imagens prontas, a peça convida o espectador a construir cidades dentro de si. Porque talvez, como sugere Calvino, toda cidade seja feita menos de pedra e mais de olhar.

Segundo o diretor Marcelo Romagnoli, “Cidades Invisíveis é um espetáculo popular que amplia a potência da imaginação e que coloca diante de nós algumas chaves para viver em sociedade. O livro, publicado em 1972, surpreende porque as cidades não tratam de um conceito físico, mas de uma simbologia da experiência humana."

Esse projeto foi contemplado pelo Edital ProAC nº 22/2024 - Produção e Temporada de Espetáculo de Teatro Inédito, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo.

FICHA TÉCNICA | Livremente inspirado na obra de Italo Calvino - Direção e dramaturgia: Marcelo Romagnoli. Elenco: Claudio Carneiro e Gúryva Portela. Trilha sonora original: Renata Rosa. Figurino: Silvana Marcondes. Direção de imagem e videomapping: Um Cafofo (André Grynwask e Pri Argoud). Cenotecnia e objetos: Zé Valdir Albuquerque. Iluminação: Rodrigo Bella Dona. Produção e redes sociais: Madu Arakaki e Gabriela de Sá. Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação. Fotos de divulgação: Ana Lu. Design gráfico: Mandy. Realização: Cia Vúrdon de Teatro Itinerante.

CIDADES INVÍSÍVEIS

Cidades Invisíveis

Foto: Ana Lu

Temporada: 24 de abril a 10 de maio
Horário: Sextas e Sábados, às 20h | Domingos, às 19h
Local: Av. Paes de Barros, 955 - Alto da Mooca
Ingressos: Gratuito | Distribuídos 01 hora antes das apresentações
Duração: 60 min
Classificação: Livre

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