"Do chão não passa", espetáculo de dança tem novas apresentações nos Teatros Paulo Eiró e Arthur Azevedo em maio

Com direção do pernambucano Henrique Lima, trabalho investiga as possibilidades de uma dança em plano baixo

Do chão não passa

Foto: Daniel Luppo

“Ah, mas e se cair? Do chão não passa!”. Essa expressão é uma forma popular de dizer que algo já atingiu o pior nível possível e que, a partir dali, só pode melhorar. Também pode indicar resignação diante de um problema, pois, já que se chegou ao “fundo do poço”, o único caminho possível é o retorno à verticalidade, para cima, a ascensão.

Pensando nisso, o diretor e coreógrafo da Cia NoRastro, o pernambucano Henrique Lima, criou um trabalho a partir da sua metodologia de Dança pra Chão que investiga as possibilidades de uma dança em plano baixo. O espetáculo Do Chão Não Passa tem seis novas apresentações gratuitas nos teatros Paulo Eiró e Arthur Azevedo.

Criada por Henrique em 2016, a Dança pra Chão é uma resposta artística ao limite imposto pelo chão, bem como ao aparente desprezo pelo movimento rasteiro nas danças clássicas, como era por exemplo, a capoeira em sua origem. Sua dança ensina o amortecimento, o uso do chão como caminho e a preservação da estrutura mais preciosa para um bailarino e bailarina, seu corpo.

A Dança pra Chão, transforma a relação entre corpo, gravidade e plano baixo. Inspirada pela capoeira, pelas danças populares, gestos do cotidiano e outras linguagens corporais, a técnica rompe com a verticalidade da dança contemporânea, propondo um movimento que emerge do solo, de onde os corpos encontram meios de ascensão, ao mesmo tempo em que se sentem atraídos pelo chão.

Do chão não passa

Foto: Daniel Luppo

A Cia NoRastro, surgiu com este nome, em julho de 2024, a partir do anseio do diretor Henrique, em materializar um trabalho independente. Após mais de dez anos de experiência com seu Núcleo Artístico, produzindo e coreografando - solos, duos, trios e coletivos - Henrique Lima, tomou a decisão de manter sua própria companhia de dança, e seguir com uma pesquisa continuada, ainda que não houvesse um financiamento público ou privado.

São lutas internas, da nossa humanidade, que podem estar relacionadas ao medo da queda, do fracasso, da decepção e até mesmo da morte. E como resistência há que se insistir nessa luta interior, como saída para se manter certa motivação ou esperança no seu poder pessoal de transformação. Por isso, o espetáculo, também busca evidenciar o peso da resposta coletiva a essa opressão que vem de cima para baixo, e muitas vezes nos obriga a rastejar, e viver com o mínimo.

A partir dos momentos de dança em uníssono, o grupo opta por evidenciar a beleza e força do trabalho em grupo, sem se descolar da importância de manter a individualidade, o ‘seu jeito’ de dançar. Essa identidade corporal que deixa um rastro no mundo, e que aparece durante os momentos de improviso e solos.

É parte da pesquisa do grupo, a manipulação dos elementos cênicos de iluminação, que interagem com os movimentos dos bailarinos e bailarinas, indicando o ir e vir, entre cair e levantar. Cada luminária, acende e apaga individualmente, trazendo independência e autonomia na criação da cena. Assim como na coreografia, a luz é um elemento extra para indicar as diferenças entre individualidade e coletividade.

A escolha de deixar as luminárias penduradas na altura do colo (peitoral) dos(as) bailarinos(as), direciona o olhar do público o tempo todo para o plano baixo, fortalecendo a sensação de se estar ‘preso ao chão’.

Ficha Técnica

Direção: Henrique Lima
Bailarinos Intérpretes: Alisson Lima, Ana Clara Poltronieri, Augusto Trainotti, Bianca Haertel, Luna Fonseca, Maiara Roquetti e Tayná Ibanez
Trilha Sonora: Fernando Martins
Imagens: Daniel Luppo, Janaina Villela e Nathan Sampaio.
Coordenação de ProduÇÃO: Luciana Venâncio
Assistente de Produção: Bianca Haertel
Apoio: Jambu Galpão e Movicena Associação Cultural

DO CHÃO NÃO PASSA

Do chão não passa

Foto: Daniel Luppo

Teatro Paulo Eiró

Datas: 1, 2 e 3 de maio
Horário: Sexta e Sábado, às 20h | Domingo, às 19h
Local: Av. Adolfo Pinheiro, 765 - Santo Amaro
Ingressos: Gratuito | Distribuídos 01 hora antes da apresentação
Duração: 45 minutos
Classificação: Livre

  • Acessibilidade: espaço acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

Teatro Arthur Azevedo

Datas: 15, 16 e 17 de maio
Horário: Sexta e Sábado, às 20h | Domingo, às 19h
Local: Av. Paes de Barros, 955 - Alto da Mooca
Ingressos: Gratuito | Distribuídos 01 hora antes da apresentação
Duração: 45 minutos
Classificação: Livre

  • Acessibilidade: espaço acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

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