Aos 92 anos, o ator domina o palco em duas horas ininterruptas de pura entrega, celebrando sete décadas de carreira sob a direção genial de Flávio Marinho.
Foto: Beti Niemeyer
Por Lou da Silva
Othon Bastos é uma força da natureza e o monólogo "Não Me Entrego, Não" é a continuação natural dessa energia vital que nos presenteia a cada novo trabalho, seja no cinema, na TV ou no teatro. Assistindo-o contando a sua própria trajetória, percebemos quanta memória afetiva guardamos com o ator e isso faz do palco a nossa casa.
É um espetáculo de duas horas ininterruptas. Cento e vinte minutos de movimento, risadas, lágrimas, onde a cadeira no centro do palco parece ser apenas cenográfica. Ela está alí em contraponto ao título da peça. Todas as vezes que Othon passa por ela, aquele pensamento pré concebido do idoso cansado é nocauteado. Ele até se permite sentar alguns minutos, mas aí o público já nem acredita mais em seus noventa e dois anos de idade.
O texto não tem pressa. O ator conta o início da sua carreira e até passagens anteriores ao teatro em sua vida com um frescor de primeira vez. O cenário, com fotos de alguns trabalhos, torna-se auxiliar dessa contação. Porém, é a voz do ator, que ecoa igual rugido de leão por toda a caixa teatral, que domina a narrativa. E assim ele percorre seus setenta anos de carreira com a plateia em deleite. Inclusive, destacando pontos que soam como lição imprescindível para quem deseja trilhar o caminho das artes.
Foto: Beti Niemeyer
Gostaria de destacar a decisão cênica do diretor Flávio Marinho em integrar a "memória", na pessoa da atriz Marta Paret, à montagem. Ela traz linhas mais informativas, às vezes como notas estilo Google e outras vezes com diálogos bem humorados e cheios de emoção. A química entre a dupla flui sem qualquer perigo da peça deixar de ser um monólogo. Genial direção.
Horas antes de assistir ao monólogo, revi o filme de Glauber Rocha, "Deus e o Diabo na Terra do Sol". E dias antes, para um trabalho específico, assisti várias vezes ao filme São Bernardo, obra de Graciliano Ramos adaptada pelo cineasta Leon Hirszman. Ambos longa-metragens protagonizados por Othon Bastos. Vê-lo no palco, no meu caso pela primeira vez, foi tão impressionante quanto o close up em suas feições no audiovisual!
Isto me leva a crer que o ponto de partida e a referência de Othon Bastos sempre foi o teatro. Se por vezes saiu do palco para as telas, grandes ou pequenas, mesmo lá ele foi fiel a sua vocação, contrariando inclusive sua primeira professora... Othon sempre fez teatro.
NÃO ME ENTREGO, NÃO
Foto: Beti Niemeyer
Sesc Santos
Datas: 10 e 11 de abril
Horário: Sexta e Sábado, às 20h
Local: Rua Conselheiro Ribas, 136 - Aparecida, Santos
Ingressos: R$ 60,00 (inteira) | R$ 30,00 (meia) | R$ 18,00 (credencial Plena) |
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Classificação: 12 anos
Duração: 100 min
Sesc Interlagos
Datas: 17 a 18 de abril
Horário: Sexta a Domingo, às 17h
Local: Avenida Manuel Alves Soares, 1100, Parque Colonial
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) | R$ 15,00 (meia) | R$ 9,00 (credencial Plena) |
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Classificação: 12 anos
Duração: 100 min
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