Clássico do teatro brasileiro, ‘As Centenárias’ estreia nova versão musical com Juliana Linhares e Laila Garin

Espetáculo retorna aos palcos, no Teatro Carlos Gomes, com direção de Luiz Carlos Vasconcelos

As Centenárias

Foto: Andrea Nestrea

Quase duas décadas depois de marcar o teatro brasileiro com as interpretações de Marieta Severo e Andréa Beltrão, a peça “As Centenárias”, de Newton Moreno, volta aos palcos em uma nova montagem patrocinada pela Bradesco Seguros. O espetáculo estreia em abril, no Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes, no centro do Rio. Desta vez, a peça ganha uma versão musical inédita, protagonizada por Juliana Linhares e Laila Garin, que revisitam a obra a partir de uma perspectiva contemporânea, sem perder a força da tradição que consagrou o texto. O elenco conta ainda com o ator Leandro Castilho, que interpreta mais de seis personagens na montagem.

A nova encenação aprofunda a relação da dramaturgia com a cultura popular ao incorporar 16 canções originais compostas por Chico César, que passam a conduzir a narrativa. Sob direção de Luiz Carlos Vasconcelos, o espetáculo acompanha duas mulheres centenárias que percorrem o sertão realizando rituais de despedida — uma história que equilibra humor e emoção ao retratar a força das tradições, da oralidade e da ancestralidade nordestina.

Para Laila Garin, assumir uma personagem marcada na história do teatro brasileiro é também um processo de reinvenção. “É muito doido tirar do papel essas personagens muito inspiradas, pela montagem de Aderbal Freire Filho, com Marieta Severo e Andréa Beltrão. Inclusive, fui pedir a bênção de Marieta Severo para encarnar Dona Socorro e ela me deu essa bênção, graças a Deus. E agora nos ensaios estamos descobrindo o nosso caminho, qual é a cara dessa montagem de agora”, afirma a atriz, que destaca o processo de construção da personagem como uma jornada de descobertas.

Juliana Linhares ressalta que a nova leitura nasce do encontro entre teatro, música e identidade regional. “Eu já tinha vontade de fazer algum projeto com a Laila há muito tempo, e um dia surgiu a ideia: e se a gente fizesse ‘As Centenárias’? Com duas atrizes nordestinas e cantando. Como o carpir está ligado ao canto, pensei que as canções poderiam surgir desse choro. A música para mim é um motor dessa montagem”, comenta.

Leandro Castilho, que interpreta mais de seis personagens na trama, entrega as dificuldades desse tipo de atuação. “É sempre um desafio porque cada peça tem uma linguagem diferente. A transição entre eles é uma coisa que não dá nem para pensar muito. Nesse espetáculo, eu estou no processo de desenhar cada personagem, porque eu trabalho muito a partir do corpo. O corpo sugere uma voz, que sugere um trejeito, e assim eu vou criando esse desenho desse personagem, esse contorno. Mas agora, eu estou no momento de dar uma suavizada nesses contornos todos, trazer um pouco mais para mim”.

Responsável pela trilha inédita, Chico César explica que o processo de composição partiu diretamente da dramaturgia de Newton Moreno. “Eu recebi o texto do Newton Moreno já com indicações de lugar onde ele queria as canções, já com letra. No geral, respeitei aquilo, alterei uma coisa ou outra. O texto é muito bonito, muito forte. Acho que trazer essa voz da mulher brasileira com essência nordestina é uma alegria para mim”, diz o compositor.

À frente da direção, Luiz Carlos Vasconcelos reforça a importância do acesso à cultura. “Para que mais brasileiros consumam teatro, é fundamental investir em políticas públicas. Ninguém gosta do que não conhece. É fundamental que, desde a escola, as crianças tenham acesso à arte, ao teatro e ao cinema, e sejam estimuladas a assistir. Assim, podem desenvolver esse interesse e ter a possibilidade de escolha. É necessário incentivar esse contato desde cedo e facilitar a circulação das obras: que o poder público, federal, estadual e municipal, promova espetáculos, festivais e mostras. Só assim as pessoas terão mais acesso e poderão consumir arte, teatro e cinema”.

O autor, Newton Moreno, destaca que se interessou pela adaptação musical da obra assim que a ideia lhe foi sugerida. “É importante considerar que as carpideiras realizam uma base relevante de seu trabalho por meio de cantos, rezas, ladainhas. Há uma demanda musical muito forte na orquestração do luto”.

AS CENTENÁRIAS

Temporada: De 10 de abril a 10 de maio
Horário: Quintas e Sextas, às 19h | Sábados e Domingos, às 17h
Local: Praça Tiradentes, Centro, Rio de Janeiro
Ingressos: De R$25,00 a R$80,00 | Comprar ingressos
Classificação: 12 anos
Duração: 90 min

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