Espetáculo "A Solidão do Feio” tem apresentações gratuitas no Sesc Itaquera

Monólogo da Cia Os Crespos reflete sobre a masculinidade a partir da obra de artistas negros

A Solidão do Feio

Foto: Bob Souza

O Sesc Itaquera recebe o espetáculo A Solidão do Feio, uma produção da Cia Os Crespos que mergulha na vida e na obra do escritor Lima Barreto (1881-1922). As apresentações são gratuitas.

A montagem faz parte de um projeto de pesquisa iniciado em 2014 focado nos estudos sobre as masculinidades negras e nos impactos do racismo na subjetividade de homens negros. O monólogo compõe a trilogia Masculinidade e Negritude, coordenada por Sidney Santiago Kuanza, que busca levar aos palcos o legado político e artístico de figuras fundamentais como Lima Barreto, Madame Satã e o poeta Cruz e Souza.

A Solidão do Feio

Foto: Bob Souza

Em cena, o público acompanha um ator em um estúdio improvisado que, junto a uma equipe, realiza o exercício ficcional de recriar fragmentos da trajetória de Lima Barreto. A narrativa é construída em primeira pessoa, revelando um personagem repleto de certezas, contradições e sonhos de futuro. Mais do que uma biografia convencional, o texto explora a intimidade de um homem que testemunhou transições históricas brutais, como o fim do Império e o nascimento da República, enquanto denunciava a permanência da escravidão como ferida aberta na sociedade brasileira.

As apresentações estão inseridas na quarta edição do projeto Boca de Cena, que nesta temporada traz a curadoria Lugar de Memória: sobre o que não se pode esquecer. A proposta é dedicar o palco a obras que investigam questões culturais e sociais contemporâneas, utilizando a memória como um eixo central de disputa de sentidos. Através da poesia cênica, A Solidão do Feio convida o espectador a refletir sobre quais histórias são preservadas e quais são silenciadas, propondo novos caminhos para a reparação e o reconhecimento de identidades que foram historicamente marginalizadas.

A Solidão do Feio

Foto: Bob Souza

Fundada em 2005, a Cia Os Crespos se consolidou como um coletivo essencial na pesquisa cênica e audiovisual negra no Brasil. Com um currículo que inclui a publicação da revista Legítima Defesa e espetáculos premiados como Cartas à Madame Satã e De Mãos Dadas com minha Irmã, o grupo utiliza o teatro como ferramenta de emancipação. Em A Solidão do Feio, a direção de Gabi Costa e Sidney Santiago Kuanza reforça o papel da arte em criar pontes para o debate público, materializando existências e celebrando a sagacidade de um escritor que nunca abandonou seu ofício apesar das tentativas de apagamento.

Ficha Técnica

Concepção e atuação: Sidney Santiago Kuanza Direção: Gabi Costa e Sidney Santiago Kuanza Direção de Produção: Rafael Ferro e Sidney Santiago Kuanza Direção de arte: Jandilson Vieira Dramaturgia: Sidney Santiago Kuanza Dramaturgia de imagens e desenho de som: Eduardo Alves Operação de som e vídeo: Heron Demetrius e Duque Iluminação: Denilson Marques Operação de Luz: Guilherme Pereira Cenografia: Wanderley Wagner Concepção de Figurino: Sidney Santiago Kuanza Criação de Figurino especial Lima Barreto: Zebu Peças acervo: Hilda Marinho Contrarregra: Fredo Peixoto Produção executiva: Jandilson Vieira Aderecista e desenho de traje: Thiago Menezes Vozes off: Darília Ferreira, Heitor Goldflus e Pedrão Guimarães

A SOLIDÃO DO FEIO

A Solidão do Feio

Foto: Bob Souza

Data: 17 e 18 de abril
Horário: Sexta, às 19h | Sábado, às 17h30
Local: Av. Fernando Espírito Santo Alves de Mattos, 1000 
Ingressos: Gratuito | Retirada de ingressos uma hora antes
Classificação: 12 anos

Siga o Canal Tadeu Ramos no Instagram

Comentários