Montagem propõe uma recriação da obra clássica a partir de questões urgentes do mundo contemporâneo
Foto: Divulgação
Inspirado em A Tempestade, de William Shakespeare, e pela leitura política de Uma Tempestade, de Aimé Césaire, Ressaca propõe uma recriação da obra clássica a partir de questões urgentes do mundo contemporâneo.
A montagem desloca o naufrágio do plano mítico para o de um colapso urbano e social, reordenando as perspectivas da narrativa para refletir sobre poder, colonialidade, território, violência e resistência. Escrita por Shakespeare entre 1610 e 1611, A Tempestade é uma obra sobre poder, exílio e controle. Em uma ilha isolada, Próspero governa por meio da palavra, do saber e da magia, submetendo corpos e territórios enquanto conduz seus inimigos a um acerto de contas. Ao longo dos séculos, a peça tornou-se um texto fundamental para leituras críticas sobre colonialismo, dominação e silenciamento, especialmente a partir das figuras de Caliban e Ariel.
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Em Ressaca, essa ilha deixa de ser um território distante e se torna a própria cidade. Uma tempestade desloca o mundo e revela as estruturas de poder que organizam o presente. Próspero sustenta sua autoridade impondo uma lógica única; Ariel carrega o desejo de uma liberdade sempre prometida e nunca alcançada; Caliban encarna a terra explorada e os corpos apagados; Sycorax, mãe de Caliban, antes apenas mencionada na obra original, emerge como presença ancestral e voz da memória silenciada; e Miranda, ao descobrir o amor e a si mesma, começa a questionar a herança que recebeu e o destino que lhe foi imposto.
Entre ruínas, disputas e afetos, Ressaca revisita Shakespeare para refletir sobre poder, submissão e aquilo que pode surgir após a tempestade. A terra ocupa lugar central na dramaturgia, como força de memória e reparação. A encenação se estrutura no trabalho coletivo e na coralidade, integrando corpo e voz em uma experiência cênica que articula ritual e dimensão política, tratando o corpo como território onde se inscrevem conflitos e resistência.
Ressaca é fruto do Satyros LAB, grupo de pesquisa cênica da Companhia Os Satyros formado por atuantes oriundos das Oficinas Livres de Interpretação. O núcleo teve origem há cerca de 30 anos, em Portugal, sob o nome Núcleo Experimental Os Satyros, e desde então desenvolve espetáculos a partir de processos continuados de investigação artística. Ao longo de sua trajetória, o grupo teve a colaboração de artistas e pedagogos como Alberto Guzik, Ingrid Koudela e Roberto Áudio, com apresentações realizadas no Brasil, em Portugal e na Alemanha.
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Em 2016, o núcleo passou a se chamar Satyros LAB, consolidando-se como o laboratório cênico da companhia. Sinopse Inspirado em A Tempestade, de William Shakespeare, e em diálogo com Uma Tempestade, de Aimé Césaire, Ressaca recria o naufrágio como um colapso urbano e social no Brasil contemporâneo. Uma tempestade transforma a cidade em ilha, onde relações de poder, dominação e resistência se intensificam. Através de diferentes movimentos ritualísticos, o espetáculo investiga o corpo como território, a terra como memória viva e a possibilidade de ruptura com heranças de violência.
FICHA TÉCNICA:Idealização do projeto Satyros LAB: Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez Coordenação Geral: Rodolfo García Vázquez Direção: Diego Rifer Texto: Diego Rifer, a partir da obra “A Tempestade”, de William Shakespeare Elenco: Alessandra Rinaldo, Aroldo Zanchett, Arthur Capella, Bea Brito, Bruna Tourão, Bruno Vizotto, Cíntia Fer, Evandro Pires, Fabíola Oliveira, Gabriel Bulgarelli, Gabriel Di Marco, Guilherme Barca, Isaac Filho, Jéssica Costa, Leon Ferret, Ronaldo de Oliveira e Tammy Aires Preparação Vocal: Andre Lu Cenografia, Figurino e Composição Musical: Coletivo Iluminação: Diego Rifer Arte e Identidade Visual: Tai Zatolinni Realização: Os Satyros | Satyros LAB
RESSACA
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Temporada: Até 12 de abril
Horário: Sábados, às 20h30 | Domingos, às 18h
Local: Praça Franklin Roosevelt, 214 – Consolação
Ingressos: R$30,00 (inteira) | R$ 15,00 (meia) | Compre aqui
Classificação: 16 anos
Duração: 85 minutos
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