No ano em que se completam 40 anos do maior acidente nuclear do mundo, volta à cena a peça "Chernobyl"

E espetáculo revisita o episódio da explosão do reator nuclear de Chernobyl em 1986 a partir do ponto de vista de uma boneca.

Chernobyl

Foto: Joao Caldas

Há 40 anos, no dia 26 de abril de 1986, a cidade de Pripyat, na Ucrânia, acordou com uma explosão terrível. O maior acidente nuclear do mundo acontecia em pleno coração da União Soviética. Milhares de pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas e nunca mais puderam voltar, deixando para trás seus bens e suas histórias. A série de explosões que destruiu o reator da Central Atômica Elétrica de Chernobyl produziu uma nuvem de radiação que ignorou a então Cortina de Ferro, espalhando-se por três quartos da Europa. O mundo estava partido em dois pela Guerra Fria, mas o planeta, e a humanidade, eram um só.

Hoje, em 2026, também vivemos um tempo de conflitos ideológicos, guerras, Invasões, chantagem em escala planetária e até a ameaça de bombardeios nucleares. E o planeta e a humanidade continuam sendo um só. Olhar para trás e falar de Chernobyl é uma forma de se pensar futuros possíveis.

Chernobyl

Foto: Joao Caldas

"Qual o papel do artista em um momento de guerra? Elaborar as escolhas humanas, pensar a história, resgatar momentos que significaram mudanças radicais em nossa sociedade. Chernobyl é um desses momentos. Uma catástrofe nuclear, fruto de ganância, que faz um mundo dividido entender que a Terra é uma só. Trazer Chernobyl de volta, nesses 40 anos e especialmente, num mundo em guerra é pensar a história. É agir com as armas que temos.", reflete Nicole Cordery, atriz.

O texto foi escrito em 2017 pela dramaturga francesa Florence Valéro, nascida no mesmo ano do acidente nuclear. “Profundamente agitada, saturada com informações sobre a catástrofe e suas precipitações, eu já não tinha gosto nenhum pelo naturalismo gélido e desejava recorrer à fábula para falar das raízes perdidas. Porque as vítimas de Chernobyl são exilados, gente forçada a deixar suas casas, sem jamais revê-las. Imaginei de partida os porta-vozes do conto, pesquisadores da zona de exclusão, convivendo com os vestígios radioativos. O que eles têm para nos dizer? Eles vão nos contar a história de que personagens? (...) Em todas as imagens que eu via, em tudo que eu pesquisava, vinha ao meu pensamento a imagem de uma boneca, a boneca abandonada, a boneca impotente. Eu quis dar voz a essa boneca”.

FICHA TÉCNICA

Dramaturgia: Florence Valéro [com excertos do livro “Vozes de Tchernóbil”, de Svetlana Aleksiévitch inseridos por elenco e direção
Tradução: Carolina Haddad
Direção: Bruno Perillo
Elenco: Carolina Haddad, Joana Dória, Manuela Afonso e Nicole Cordery
Trilha Sonora: Pedro Semeghini
Cenário e Figurinos: Chris Aizner
Iluminação e Vídeo: Grissel Pinguillem
Direção de Movimento: Marina Caron
Visagismo: Cristina Cavalcanti
Consultoria de Química: Maurício Rodrigues
Fotos do Espetáculo: Felipe Cohen, Giorgio D Onofrio, Guy Pichard, João Caldas, Kim Leekyung
Fotos de pesquisa registradas na cidade de Pripyat: Duca Mendes e Carol Thomé
Coordenação de Produção: Bruno Perillo, Carolina Haddad, Joana Dória, Manuela Afonso e Nicole Cordery
Produção Executiva, Assistente de Direção, Redes Sociais: Madu Arakaki
Administração: 12 por 8 Produções Artísticas
Assessoria Contábil: Service Keep
Patrocínio: Escala 7
Realização: CM Haddad Produções
Assessoria de imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany

CHERNOBYL

Chernobyl

Foto: Joao Caldas

Temporada: De 01 de abril a 07 de maio
Horário: Quartas e Quintas, às 20h
Local: R. Conselheiro Nébias, 891 - Campos Elíseos
Ingressos: R$ 80,00 (inteira) | R$ 40,00 (meia) | Compre aqui
Classificação: 14 anos
Duração:90 min

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