José Rubens Chachá estreia “O Nome do Tango” no Teatro Estúdio

Solo musicado entrelaça política, etarismo e as contradições do mundo da arte

O Nome do Tango

Foto: Pablo Chasseraux

O ator e dramaturgo José Rubens Chachá estreia, em setembro, em São Paulo, o solo O Nome do Tango. Dirigido por sua filha, Maíra Chasseraux, o espetáculo foi escrito para marcar os 50 anos de carreira do artista. A trama acompanha um veterano escritor diagnosticado com demência que busca uma antiga canção argentina para tentar conter a perda de memória, enquanto confronta lembranças do passado e sua cumplicidade com a ditadura militar na Argentina. A peça cumpre temporada no Teatro Estúdio, localizado no bairro da Santa Cecília.

Ambientada no ano de 1998, a narrativa coloca em foco o envelhecimento e a fragilidade da mente humana ao acompanhar um intelectual maduro confrontado pelo avanço da demência. Em meio a lapsos de lucidez, episódios absurdos do cotidiano e diálogos com o passado, o protagonista apega-se à busca obsessiva por uma canção específica — o lendário "nome do tango" —, encarada por ele como o último alento para manter acesa a própria identidade.

Entre o humor involuntário produzido pelos lapsos de memória e a melancolia da finitude, a obra retrata a eterna necessidade humana de agarrar-se a sonhos e ilusões como combustível existencial frente ao tempo que se esgota.

O Nome do Tango

Foto: Pablo Chasseraux

A dimensão política do espetáculo emerge quando a história resgata o contexto das ditaduras militares na América Latina, com ênfase no sangrento regime argentino de Jorge Rafael Videla. À medida que o protagonista busca reconstruir seu passado, a peça revela as fissuras na trajetória do celebrado autor, expondo sua cumplicidade silenciosa e covarde com os porões da repressão em troca de proteção e prestígio intelectual.

"O que mais me emociona e me faz criar são as contradições do ser humano. Me interessa discutir como obras-primas muitas vezes são produzidas por pessoas desprezíveis ou covardes. Eu quis colocar em cena um personagem sedutor, que faz rir e emociona a plateia, mas que revela ter colaborado com um regime assassino. Essa dualidade é a verdadeira carne do teatro." — José Rubens Chachá

O texto tensiona o histórico debate sobre a separação entre criador e obra, questionando a conivência da sociedade e do meio cultural com intelectuais e artistas que, a despeito do talento extraordinário, compactuaram com a violência de Estado.

"Voltar a discutir a ditadura, a falta de democracia e a violência de Estado é algo urgente. A nova geração precisa ouvir essa história e os mais velhos precisam repensar suas posições. E a minha proposta é fazer isso de forma leve e envolvente, onde o público se diverte para, de repente, receber uma rasteira e perceber que o buraco é mais embaixo." — José Rubens Chachá

O NOME DO TANGO

O Nome do Tango

Foto: Pablo Chasseraux

Temporada: 19 de setembro até 11 de outubro
Horário: Sábados e Domingos, às 19h
Local: Rua Conselheiro Nébias, 891 - Santa Cecília
Ingressos: R$ 100,00 (inteira) | R$ 50,00 (meia-entrada) | Comprar ingressos
Duração: 75 minutos
Classificação: 16 anos

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